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Festival Canavial 2010 – Etapa–Aliança movimenta o município da Mata Norte, no período pré-São João.

 

 

Aliança, distante 86 km da capital pernambucana, viverá o período que antecede o São João diferenciado, com opções interessantes para turistas, moradores da região e para quem quer se dividir entre o habitual arrasta pé junino, onde quem reina em absoluto é a sanfona, com outras alternativas culturais e de lazer.

 

Enquanto muitas cidades já convivem com forró e ensaios de quadrilhas, o município, apontado como um dos mais importantes berços da cultura popular do nosso Estado e que tem como marca pessoal antigos engenhos espalhados por toda área rural, os quais acolhem alguns grupos culturais, como sede; expressões culturais com perfil único como o maracatu de baque solto,   receberá, desta  próxima segunda (dia 13) a sábado que vem (dia 18), atividades culturais variadas e  exclusivamente da Zona da Mata Norte do Estado.

 

No período, serão movimentados em Aliança, shows, apresentações de coco, maracatu, caboclinhos e até de zabumba, além da realização de oficinas de estudo, etc.  Trata-se da segunda etapa do já consolidado Festival Canavial, realizado anualmente  e que, ano passado, aconteceu entre 19 de novembro e 4 de dezembro. Agora, chega aquela região com a Etapa – Aliança. Os interessados em cultura popular podem ainda, durante o festival, participarem de oficinas de maracatu, com os reconhecidos Mestres Zé Duda e Luiz Caboclo do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, e de caboclinhos, com o Mestre Neilton do Cabolinho Índios Tabajarás de Goiana. Estudantes, produtores culturais e pesquisadores de atividades culturais geralmente se integram a essas oficinas.

 

As inscrições são gratuitas. Para se inscrever basta entrar em contato através do e-mail wanessakgsantos@yahoo.com.br. Na quinta-feira, dia 17, serão movimentadas os seminários Políticas Culturais e Pontos de Cultura.

Segundo Afonso Oliveira, produtor cultural à frente do Festival Canavial, a iniciativa reúne grupos culturais que atuam na Zona da Mata Norte anualmente e, a cada edição, contemplam cidades diferentes. As últimas foram Tracunhaém, Condado, Vicência e Nazaré da Mata. “É importante para estes municípios a preservação de suas raízes, da cultura popular”, diz ele, lembrando que a produção cultura está em constante movimento e que o festival congrega, entre os produtores, mestres e estudantes. “Estes  aprendem ainda como desenvolver novas idéias”, conclui Oliveira.

 

Além das oficinas de caboclinho e maracatu, o programa de encerramento conta, neste sábado (18), a partir das 20h, com apresentações culturais que reunirão, de uma só vez mostras de Coco Raízes de Arcoverde; Coco Popular de Aliança; Caboclinho Tapuia Canindé de Goiana; Maracatu Coração Nazareno; Maracatu Águia Dourada de Buenos Aires; Maracatu Estrela de Ouro de Aliança e Ítalo Pay e a Zabumba.

 

Toda a programação acontecerá no Ponto de Cultura Estrela de Ouro, localizado no Sítio Chã de Camará, na rodovia PE-62 (próximo a entrada de Upatininga). O Festival tem o patrocínio do Ministério da Cultura e apoio da Prefeitura Municipal de Aliança.

 

ALIANÇA – A cidade de Aliança tem raízes fortes com a cultura popular. No município fica a sede da Associação de Maracatus de Baque Solto, localizado no centro da cidade e o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, no sítio Chã de Camará, distante 13Km do centro. No Ponto de Cultura Estrela de Ouro encontra-se a sede dos grupos Maracatu Estrela de Ouro, Cavalo Marinho Mestre Batista, Coco Popular de Aliança e a Ciranda Rosa de Ouro. Os grupos têm as lideranças dos Mestres Zé Duda, Luiz Caboclo e Mariano Telles. A Biblioteca Mestre Batista e o Projeto Leitura no Ponto são atividades importantes no Ponto de Cultura Estrela de Ouro, além das Festas de Terreiro e do Festival Canavial. O Maracatu Estrela de Ouro em 2009 recebeu o prêmio Ordem do Mérito Cultural, concedido pelo Ministério da Cultura e a Presidência da República.

 

SERVIÇO:

FESTIVAL CANAVIAL EM ALIANÇA

CONTATOS:

Afonso Oliveira – coordenador do Festival Canavial: 9657.3092

DIVULGAÇÃO:

SL Comunicação & Marketing – 3423.0814

Heliane Rosenthal – 9974.4611Sonia Lopes – 9976.0342

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jun/11

6

De somas e subtrações

A semana recentemente passada foi extremamente educativa para mim, e permitiu um realce de esperança. Neste espaço comentei a saga de poderosos da política nacional na tarefa de diminuir os pequenos espaços que o povo brasileiro vem conquistando nesse quase século e meio de República. Lamentei que figuras como o atual presidente do senado federal tentou apagar da memória o que ele chamou de “incidente que não deveria ter ocorrido”, o defenestramento do então presidente Collor de Mello, que havia se tornado o primeiro presidente eleito diretamente pelo povo após a ditadura civil-militar iniciada em 1964. Pouco tempo após eleger Collor de Mello, os brasileiros viram-se obrigados a admitir que foram iludidos pelo discurso organizado por marqueteiros que souberam manipular sentimentos de repulsa e anseios de mudanças da população. Em nome da luta contra a corrpução elegeram um corrupto e, considerando seus atos, jovens e adultos brasileiros puseram para fora do palácio da alvorada o falso líder. Esse acontecimento é que foi chamado de algo sem significação. Pois bem. Alguns de meus leitores disseram que tinham a impressão que, reagir contra ações praticadas pelo presidente do senado às vezes “não funciona”. Bem, como não fui o único a reclamar, a tornar pública a minha indignação, assistimos o velho “maribondo” modificar a sua opinião e fazer constar, na galeria do congresso esse belo momento da vida política brasileira.
Também nessa semana começamos a verificar que a pressão da sociedade obriga os vocacionados ao autoritarismo serem obrigados a saírem das alturas que os separam dos homens comuns para mostrar suas debilidades e ausência de fortaleza. O ministro que dilminuiu a presidente, tornando-a sua porta-voz, viu-se confrontado com a população e, mesmo tendo escolhido o local para sua “epifania”, ficou tão nervoso que não conseguiu segurar um copo com a água que iria diminuir a secura de sua língua de duvidosa habilidade com a verdade. Mas ainda temos muito a caminhar, sempre há que se cuidar para que não se seja dominado pelos mistificadores que vivem a tentar nos encantar.
Assim como outro ministro, este da educação. Recentemente descobriu-se que o ministério que está sob sua responsabilidade enviou para escolas livros que ensinam subtrações estranhas, algo como 10 – 7= 4. Com essas orientações, que a tudo relativizam, o país estará muito bem no futuro. Se a presidente não desejar continuar a ser dilminuída, terá que afastar esse ministro, ali mantido a pedido do ex-presidente.
Nessa semana que passou vivemos momentos interessantes em nosso aprendizado social. Parece-me que foi positivo. Tenho muita esperança nesta semana que começa. Quem sabe voltemos à velha tabuada!

mai/11

14

Maio, mês da mãe natureza

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 114

MAIO, MÊS DA MÃE NATUREZA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Estamos em meados de maio, antigamente denominado mês das noivas, época em eram realizados muitos casamentos. Aos poucos o mês foi sendo tomado pelo comércio destinado às mães, o que não o deixou muito distante das noivas. Nos últimos anos tem se verificado que vem se apresentando como o mês de chuvas que estão a provocar enchentes nos rios de nossa região, pondo muitas famílias em desamparo. Esse fato tem nos levado a pensar sobre a ocupação das margens dos rios, e a necessidade de refazer as matas necessárias ao lado das correntes. Devemos proteger o nosso ambiente, pois assim estamos nos protegendo.

Como no ano passado, algumas populações de Vicência, São Lourenço da Mata, Paudalho, Nazaré da Mata, Aliança, Goiana, entre outros municípios da Mata Norte foram afetadas pelo aumento do volume dos rios. Se prestarmos atenção aos mapas do início do século, ou mesmo em fotografias dos anos cinqüenta do século passado, notaremos que algumas dessas populações construíram suas casas onde antes era o leito dos rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim. Essas construções só foram possíveis depois da construção de barragens que acumulam águas necessárias para o abastecimento das cidades e que, por outro lado, serviram para controlar o volume dos rios em época de grandes chuvas. Essas boas ações não foram complementadas por outras como: organização de serviço de esgotamento sanitário, proteção dos leitos dos rios contra a invasão e construção irregular de residências, essas que agora foram atingidas pelas enchentes.

Meus amigos, não basta fazer campanha para que os pobres não construam no antigo leito dos rios – um dia os rios voltam – , é necessário que os governantes das cidades assuma a responsabilidade de contrariar os interesses imediatos, seus e de seus eleitores, e  esclareça que a natureza não se recompõe sozinha, como também não se modificou isoladamente desde que os seres humanos passaram a ter domínio sobre ela. O PROGRAMA CANAVIAL nesta semana quer chamar atenção para o fato de que é necessário a todos os dirigentes municipais, e é necessário a todos os munícipes, assumirem a responsabilidade de preservar o ambiente onde vivemos, é necessário preservar as margens dos nossos rios, e isso se faz de muitas maneiras. Uma delas é não jogar lixo nas ruas, outra maneira é recolher diariamente o lixo, evitando que as águas das chuvas o leve para os rios.

Maio é o mês das noivas, maio é o mês das mães. O PROGRAMA CANAVIAL deseja a todas as noivas, e a seus noivos, muitas alegrias; da mesma maneira deseja que todas as mães estejam livres de ver o sofrimento de seus filhos em necessidade. E o PROGRAMA CANAVIAL lembra que todos nós somos filhos da mãe natureza e cabe a nós cuidar para que ela não sofra com agressões desnecessárias. Vamos cuidar de nossos rios: estudando a sua história, aprendendo como eles vivem e nos ajudam a viver, e cuidando para que eles fiquem limpos cuidando para que nossas ruas não estejam sujas dos restos de nossas comidas e farras.

 

Para os programas do dia 14 de maio de 2011.

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mai/11

7

Cheias e histórias

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 113

CHEIAS E HISTÓRIAS 

 

Severino Vicente da Silva

Caros Amigos

 

Vez por outra os rios enchem, revolvem a terra enriquecendo o solo para o plantio nas várzeas, espaços que ficam às suas margens. Com as águas aumentadas pelas chuvas, o manso filete que dá origem ao grande rio é enriquecido pelas águas de muitos riachos que, não poucas vezes, passam a maior parte do ano sem serem notados, pois estão secos. As cheias dos rios são a vida em movimento, um tipo de arado natural que também é redistribuidor de sais minerais e outros alimentos para as plantações. Milhares de anos atrás, as enchentes do Rio Nilo traziam grande sofrimento aos homens e mulheres que vivam entre o rio e o deserto, mas, foi por causa das enchentes que surgiu uma das mais antigas civilizações. Nas nossas escolas os professores nos ensinam que foi a partir do esforço coletivo para conhecer os ritmo das águas e compreender o movimento das águas que se formou a civilização do Egito. Mas as enchentes dos rios de Pernambuco somente nos fazem medo, não são estudadas nas escolas. Aliás, as escolas só se preocupam com as enchentes dos rios porque os desabrigados ficam morando nos prédios durante algum tempo.

 O Baldo do Rio em Goiana - Foto de Phillippe Wolney

O Baldo do Rio em Goiana - Foto de Phillippe Wolney

Este ano, mais uma vez os maiores rios pernambucanos: Tracunhaém, Capibaribe, Capibaribe Mirim, Siriji, Ipojuca, Una, mais uma vez encheram, pois as chuvas alimentaram os córregos e os riachos que correm para os rios e, com as barragens cheias, as águas seguiram seus cursos e encontraram muitas casas nos lugares onde antes havia o leito dos rios.

Meus amigos, as cheias dos rios da zona dos canaviais têm muitas histórias. Quando menino eu escutei muitas, vou dizer uma delas. Não sei quem contou, mas ela pode nos ensinar muitas coisas.

- Dizem que antigamente havia um Senhor de Engenho que pensava que tinha poder sobre tudo e todos. E resolveu que ia aumentar as terras de cana plantando em lugar que antigamente passava um rio. Mas já fazia tanto tempo que ali não chegava água, ninguém se lembrava mais. Os moradores disseram ao Senhor de Engenho que ela não devia fazer isso que ia perder muito, porque as águas um dia voltarão, se for a vontade de Deus. Mas o homem continuou o seu projeto e até mandou construir uma nova casa para ele, mais perto do rio, porque ele não queria andar tanto para tomar banho no rio.

Alguns anos depois de ele estar instalado em sua casa com a sua família, um dia começou a chover. Era uma chuva forte e o rio foi engrossando e começou a subir foi passando pelo canavial e foi chegando perto da casa. As pessoas da casa foram ficando com medo e queriam ir embora, mas o poderoso Senhor de Engenho disse que Dalí não saía. As águas do rio foram se aproximando da porta enquanto sua mulher suas filhas rezavam diante do oratório pedindo ao santo protetor do engenho fizesse as águas pararem de subir e não alcançassem a sua casa. O dono do engenho que só tinha fé nele mesmo e na sua vontade, de repente entra no quarto onde as mulheres estavam rezando, pega a imagem do santo e vai com ela até a porta da casa, onde o rio estava chegando. E então disse: “pois é seu santo, se água entrar na casa o senhor vai ser o primeiro a morrer”.

Meus amigos, eu não vou dizer como terminou essa história, mas ela ensina que os riachos secos um dia voltam a ter água; ensinam que o limite do rio quem dá é o rio. Os prefeitos não devem consentir que sejam construídas casas no lugar onde costumava passar um rio, os prefeitos não devem permitir que sejam loteadas terras em regiões próximas dos rios. Muito sofrimento que assistimos nas cidades da nossa região é resultado da omissão dos prefeitos de nossas cidades que permitiram que os pobres fossem morar em lugares impróprios. E muitos fizeram isso para ganhar votos dos pobres e apoio dos donos das terras. Na verdade não estavam preocupados com as pessoas que foram morar no lugar do rio passar.

O Programa Canavial pede que os que não foram atingidos pelas cheias ajudem os que estão desabrigados. Mas também sugere que os professores estudem com seus alunos a história do rio que passa em nossa cidade.

Para os programas do dia 7 de maio de 2001.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 112

GOIANA- PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada ano estamos acompanhando uma tradição que se firma neste início de século: a celebração coletiva de Pernambuco como uma nação cultural, criativamente cultural desde os sertões até o litoral. Temos participado e assistido a execução de um projeto no qual o povo de Pernambuco se mostra e se vê em plena ação criativa, confirmando-se em sua história, com uma maratona de oficinas, de transmissão de saberes de artes tradicionais que trabalham com o barro, a madeira, as palavras, os gestos de danças e teatros, mas também com as novas expressões das artes nascidas da tecnologia contemporânea, tais como a fotografia e o cinema.

Como sempre a seqüência PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL começa com a Mata Norte, envolvendo os criativos setores das cidades de Goiana, Nazaré da Mata, Aliança, Tracunhaém, Condado, Itaquitinga, Buenos Aires, Glória do Goitá, Carpina, Lagoa do Carro, Ferreiros, Lagoa de Itaenga, Chã de Alegria, Tracunhaém e Paudalho. Essa nova disposição apresenta o dinamismo do Festival Pernambuco Nação Cultural, assumindo que, mesmo quando existe uma cidade-pólo, ela não é capaz de representar sozinha toda a criatividade da região.

Meus amigos, nesta semana segmentos diversos de nossas cidades “matutas” puderam conversar, transmitir, aprender e renovar a cultura pernambucana. Jovens colegiais estiveram em oficinas com artistas consagrados, viram como se faz o milagre do barro tornar-se sentimento – mais que isso: participaram do milagre; conversaram e estabeleceram uma história e se propuseram a contá-la em um minuto, usando as imagens e a linguagem do cinema; outro grupo mostrou mais interesse no mistério das palavras e foi por sonhos em versos e a poesia jorrou. E tivemos exposições de pintura, filmes de ótima qualidade, música agradável aos sentidos e aos espíritos. Poderia continuar a dizer as muitas maravilhas que tivemos a oportunidade de experimentar ao longo desta semana. Uma universidade ao alcance de todos. Alguns dirão que foram poucos os que dessa oportunidade aproveitaram. E isso é verdadeiro. Mas é assim o processo educacional. Nós somos educados naquilo que nos é oferecido diariamente para a nossa alimentação espiritual.

Ao longo de nossa história os bens culturais, desde os mais simples, esses que foram criados nas cozinhas das casas grandes, nos sobrados e nos palacetes, até as belas músicas criadas pelo padre Maurício, por Tom Jobim, Beethoven, Bach, Luiz Gonzaga, e muitos outros gênios ficaram distantes da formação cultural da maioria dos brasileiros. Os artistas, esses anjos da arte e dos sonhos que vivem entre nós, mas nós não conhecemos, permanecem desconhecidos enquanto a indústria cultural despeja a mediocridade mais abjeta sobre todos nós, estabelecendo padrões de beleza e felicidade de pouca qualidade. Assim, quando recebemos alguma pérola como essas oficinas, ainda temos dificuldades em apreciar as belezas que elas nos trazem.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL se alegra com a Festival Pernambuco Nação Cultural que tem início nas terras da Ciranda, do Maracatu de Baque Solto, do Cavalo Marinho, dos Caboclinhos, das Pretinhas do Congo, dos Santos de Barros e de São Severino do Ramos; o PROGRAMA CANAVIAL deseja o mesmo sucesso em todas as regiões culturais de nosso Pernambuco.

Viva Pernambuco, Viva nossa Nação Cultural.   

para os programas do dia 09 de abril de 2011

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abr/11

1

Em defesa de Caboclinhos e Índios

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 111

Em defesa de Caboclinhos e Índios

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos

            Já faz algum tempo que Goiana, tem celebrado ao final do mês de março a realização de uma assembléia de índios que ocorreu durante o domínio do império português. Nessa assembléia os colonizadores vindos de Europa reconheciam a existência das muitas nações que viviam nestas terras e os seus direitos. A Assembléia aconteceu em 1645.

A celebração é organizada pela Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco, que tem sua sede em Goiana. É muito importante essa celebração, e esperamos que ela cresça, e a cada ano gostamos vê-la melhor cuidada e mais divulgada e que ela cumpra a sua função histórica e social. Hoje nós sabemos que os portugueses que não assinaram os documentos naquela reunião, pois foi realizada na época dos holandeses, não cumpriram nem respeitaram as cláusulas de reconhecimento dos direitos dos povos. E sabemos disso, entre outras provas, por que aquelas nações indígenas não mais existem nos dias de hoje; depois dos acordos as guerras continuaram a acontecer e as nações e povos indígenas derrotados perderam as suas terras, muitos foram mortos, outros foram feitos escravos e as famílias; os costumes, as religiões e as tradições foram perdidas. Mas desse processo foi sendo formado o povo brasileiro.

            Constituídos como nação, nós brasileiros quase sempre colocamos em último plano no estudo de nossa formação a tradição indígena. Recentemente tem havido certo debate em torno das etnias que formam o Brasil, inclusive foi criada uma secretaria especial pela Presidência da República para cuidar das desigualdades raciais no Brasil. Apesar da boa intenção do governo brasileiro, precisamos lembrar que a UNESCO – órgão das Nações Unidas para a Ciência e Educação definiu que não há raças humanas e como membro da ONU é obrigação do governo não fortalecer essa idéia racista.

Mas precisamos cuidar das nossas tradições herdadas dos primeiros habitantes do Brasil. A dança dos Caboclinhos e dos Índios que temos na Zona da Mata Norte de Pernambuco são criações dos descendentes dos índios que participaram daquela Assembléia acontecida em 1645. Quando os caboclinhos saem no carnaval ou em alguma de nossas festas é essa tradição que guardamos.

            Meus amigos, nós temos ouvidos de chefes de nossas tribos que quando eles vão se apresentar no Recife, alguma das danças comuns em Goiana não estão sendo aceitas pela comissão que organiza o desfile e faz a premiação dos desfilantes. Meus amigos nós devemos evitar para que a maneira de dançar a dança do Caboclinho de Goiana e a maneira de tocar os toques de Caboclinhos de Goiana seja esquecida por causa das exigências que são feitas aos nossos grupos quando eles vão se apresentar no carnaval do Recife. Naquela festa popular, os jurados não estão reconhecendo alguns toques e algumas danças típicas dos grupos de caboclinhos de Goiana.

Nós que fazemos o PROGRAMA CANAVIAL desejamos que, além de celebrar a realização da Primeira Assembléia Indígena da História do Brasil, a Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco deve questionar esse comportamento daqueles que organizam o desfile das tribos de caboclinhos e índios no carnaval do Recife e defender a nossa tradição. Nossos caboclinhos e nossos índios devem lutar e manter os seus toques e os seus passos de danças.

 

Para os programas do dia 02 de abril de 2011.

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mar/11

25

Premiação que prejudica

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 110

PREMIAÇÃO QUE PREJUDICA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

            No começo do século passado, quando ainda havia muitos engenhos e bem mais sítios do que nos dias de hoje, na época do carnaval alguns homens começaram a se divertir saindo para brincar vestidos com roupas de suas mulheres: eram os cambindas; na mesma época outros homens começaram a vestir-se como índios caboclos e desfilavam nos sítios. No começo saiam sozinhos, iam de casa em casa pedindo ajuda e, logo começaram a se reunir e foram criando essa brincadeira bonita, com os caboclos seguindo e protegendo a bandeira de sua nação; assim é que se formou o Maracatu Rural, conhecido como Maracatu de Caboclo, ou Maracatu de Baque Solto. Como eles eram de sítios diferentes, às vezes quando os caboclos se encontravam podiam brigar e, muitas vezes um maracatu queria derrubar a bandeira do outro e, dizem que a briga era feia! Essa situação fez muito gente ficar com medo dos caboclos e dos maracatus que desfilavam com suas roupas coloridas, uma manta que cobria o surrão com uns chocalhos que fazia barulho cada vez que o caboclo dava um passo. O Maracatu quando vinha era bonita, mas dava muito medo por causa da violência. Uma violência causada pela disputa que fazia inimigos.

            Depois da metade dos anos de 1980, três mestres donos de maracatu: Mestre Batista, Mestre Hermenegildo e Mestre Salustiano compreenderam que a brincadeira do maracatu não crescia, não aumentava por causa das disputas entre eles, por causa da violência, então decidiram que deviam fazer alguma coisa para que os caboclos crescessem e o povo passasse a gostar mais de ver o maracatu passar. Batista, Hermenegildo e Salustiano então conversaram com outros donos de maracatu e fundaram a Associação dos maracatus de Baque Solto de Pernambuco.

Para ser sócio dessa sociedade os maracatus tiveram que se comprometer de não mais querer derrubar a bandeira do outro, não mais provocar briga. Começaram com 13 maracatus e, agora que não tem mais briga, são mais de cem, e a cada ano tem mais gente assistindo o desfile e mais rapazes e moças querendo entrar  na brincadeira para ser caboclo, para ser baiana, desfilar com o seu maracatu preferido.

Mas agora tem outro problema que precisa ser resolvido. A Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco teve um papel muito importante na superação da violência e na aceitação do maracatu por todo o povo de Pernambuco. Mas, o desfile que é promovido pela Prefeitura do Recife, que é um vitrine muito importante, pode prejudicar a brincadeira do Maracatu de Baque Solto com esse negócio de premiar o maracatu que ficar mais parecido com a corte do rei da França, usando cabeleira de nobre, sapato alto e pálio – esses guarda sol que protege o rei e a rainha – obrigando o pessoal pobre da Zona da Mata Norte investir muito dinheiro para sair na avenida e ser julgado como se fosse uma escola de samba do Rio de Janeiro. Tem gente que é convidada a ser jurado e nunca viu de perto um maracatu. Isso começa a criar problemas entre os maracatuzeiros e insatisfação entre os caboclos. É chegado o momento da Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco dizer aos organizadores que o maracatu de baque solto é uma criação do povo da mata e precisa ser admirado como criação do povo.

            Meus amigos, o Programa Canavial começa, a partir desta semana, chamar todos os donos e mestres de maracatus para dizer que o Recife, como as outras prefeituras pode e deve ajudar a manifestação cultural que orgulha Pernambuco, mas deve parar de incentivar a disputa que os gloriosos mestres Batista, Salustiano e Hermenegildo organizaram e fortaleceram.

Para o dia 26 de março de 11

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mar/11

25

Os homens e a natureza

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 109

OS HOMENS E A FORÇA DA NATUREZA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

 

Bem que a gente poderia hoje, conversar sobre o dia de São José, um dia muito esperado em nossa região, pois se chove naquele dia, ensina a sabedoria popular, não vai haver seca, o inverno vai ser bom e vamos ter milho, feijão, batata, muita comida para todos. Os rios que passam por nossas cidades, ficarão com peixes. Nós sabemos quais são esses rios: os rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim, que são os principais, e também o Arataca, Paratibe, e todos recebem águas de muitos riachos. A existência desses rios criou condições para que os homens estabelecessem aqui os canaviais e engenhos. O trabalho dos homens e das mulheres, sabendo aproveitar as riquezas da natureza, produz a riqueza e a alegria para todos. Assim acontece com os povos de todo o planeta. Muitas vezes os homens e as mulheres agem pensando que podem usar a natureza de qualquer maneira, destruir todo o ambiente, esquecendo que isso pode provocar desastres.  A derrubada das árvores terminou por enfraquecer os rios da nossa região. Antigamente esses rios eram cheios de peixes, muito variados, desde as piabas e cambindas até as traíras, e mussus que eram tiradas das locas perto das margens. E ao dizer e os nomes desses peixes logo nos lembramos o nome de alguns maracatus. Pois é, as cambindas completavam a alimentação do corpo do cortador de cana, serviu de ser nome dos primeiros maracatus de baque solto que foram criados no começo do século XX. Esses pequenos peixinhos que habitam ainda os nossos rios também alimentam os nossos sonhos, sonhos de caboclos. Os sonhos são alimentos para nossas almas.

Meus amigos, neste mês, no distante lugar chamado Japão, a terra tremeu e as águas do mar subiram com força destruindo algumas cidades. Sem sairmos de nossas casas recebemos a notícia de muita destruição. Mas, no meio de tanto sofrimento, nós estamos observando a capacidade dos homens e mulheres japoneses para vencer a dificuldade. Desde o começo as autoridades do país tomaram atitudes de liderança diante da dor, e nem mesmo a possibilidade de um desastre na usina atômica que produz energia elétrica para fazer as máquinas funcionarem fez aparecer o desespero. Pelo contrário, nós estamos assistindo, pela televisão, a capacidade de superação dos problemas sem desespero.

Amigos, o Programa Canavial desta semana deseja prestar homenagem ao povo japonês que está nos ensinando que não devemos nos deixar dominar pelo sofrimento, está nos ensinando que é importante manter a calma e a disciplina para vencer os grandes problemas que encontramos em nossa vida.

 

Para o programa do dia 19 de março de 2011.

 

 

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mar/11

10

NOSSO CARNAVAL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 108

NOSSO CARNAVAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Passaram os três dias de carnaval e brincamos em todas as nossas cidades: o Zé Pereira alegrou a noite do sábado em Vicência que, na terça feira, dia 8, fez um belo desfile homenageando as mulheres no seu Dia Internacional. Aliança fez as honras à dona Ma ria Janira da Silva, uma das mais antigas animadoras do carnaval da cidade e, como sede da Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco promoveu um belo carnaval. Goiana, com seus caboclinhos, as Pretinhas – do Baldo do Rio e de Carne de Vaca -, Maracatus teve a alegria de ver as orquestras retornarem às ruas acompanhando blocos como o As Insaciáveis. Timbaúba mais uma vez colocou os Bois no belo desfile que acontece todos os anos. Palcos com artistas locais e com convidados marcaram todas as nossas cidades.

Nazaré da Mata promoveu um dos mais belos carnavais com o tradicional Encontro de Maracatus, na sua 13ª terceira edição e seus blocos. O palco da catedral recebeu artistas locais e outros que visitaram a cidade. Momento especial foi Elba Ramalho louvando a Senhora de Nazaré com toda Praça da Catedral a cantar com ela. E a Praça Herculano Bandeira passou a ser chamada de Praça do Frevo, com as orquestras Pau de Corda, Capa Bode, Revoltosa mantinham a tradição de ouvir, cantar e dançar o passo, enquanto recebiam orquestra como a Orquestra Popular do Recife, liderada pelo Maestro Formiga.

Fizemos um lindo carnaval, fonte de alegria para os muitos turistas que visitaram nossas cidades, e de estudos para pesquisadores que se surpreendem com a vitalidade de nossas tradições.

O Programa Canavial a todos parabeniza e tem certeza que no próximo teremos mais e, nossas prefeituras estarão mais atentas para receber mais turistas, mais visitantes, mais foliões.  

 

Para os dias 11 e 12 de Março de 2011.

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fev/11

23

Gigantes no Carnaval

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 106 

GIGANTES NO CARNAVAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Uma das marcas do carnaval de Pernambuco é uma multidão seguindo uma banda de frevo, uma multidão animada acompanhando um bloco. Em Olinda, cidade cujo nome está virando sinônimo de carnaval, além de seguir as troças Pitombeira dos Quatro Cantos e Elefante de Olinda, a multidão gosta de seguir bonecos gigantes. O mais famoso e mais olindense é o Homem da Meia Noite, que sai de sua casa, que fica no Largo do Bom Sucesso, sempre à meia noite do Sábado de Zé Pereira, desde 1931. O Homem da Meia Noite surgiu porque o marceneiro Benedito Barbaça e o pintor de paredes Luciano Queiroz se desentenderam com a diretoria da troça o Cariri. Desde então o boneco passou a dar início ao carnaval olindense.   

O Homem da Meia Noite e a Mulher do Dia

Até 1967 o elegante boneco vivia solitário na cidade. Naquele ano, Rodolfo Medeiros, Luiz José dos Santos inventaram a Mulher do Dia, cuja face foi modelada pelo artesão Julião das Máscaras. Sete anos depois, o mesmo Julião das Máscaras, a pedido de Edival albino e Ernane Lopes, fez o rosto de um menino e, assim nasceu o Menino da Tarde que já desfila na tarde do sábado, se recolhendo quando chega a noite. Três anos depois nasceu a Menina da Tarde, uma idéia de Dalma Soares confeccionada por Sílvio Botelho. E desde 1980 vem crescendo o número desses gigantes que animam o carnaval de Olinda.

Mas, o primeiro boneco gigante de Pernambuco apareceu na cidade sertaneja de Belém do São Francisco, em 1919. Para dar início ao Carnaval, padre Norberto, o vigário local imaginou um boneco que chegava da Europa pelo Rio São Francisco: era Zé Pereira que vinha se casar com Vitalina. Os primeiros bonecos foram construídos por Gumercindo Pires. E desde então vem sendo acompanhado pela Orquestra Dionnon Pires.

A tradição de bonecos gigantes vem de algumas cidades portuguesas, espanholas e belgas. Depois do Carnaval de Olinda, são muitas as cidades brasileiras que adotaram a idéia de fazer bonecos para guiar os foliões nas ruas da alegria de todos os carnavais. Em nossos carnavais da Mata Norte não temos bonecos gigantes, temos gigantes que se vestem de Caboclos de Lança, Caboclos de Pena, de Catirinas, de Mateus, Burrinhas, Caçadores, Caboclinhos, Pajés, para encher de cores e alegrias as ruas de nossas cidades.

O Programa Canavial convida a todos os folgazões e brincantes a fazer em cada uma de nossas cidades o maior carnaval que a cultura pernambucana pode fazer.

 

Para os dias 25 e 26 de fevereiro 2011

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