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jul/10

2

AS ENCHENTES, A COPA E O BRASIL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 72

AS ENCHENTES, A COPA E O BRASIL

Severino Vicente da Silva

 

Caros amigos,

 

Faz duas semanas que, após um “inverno fraco” a nossa região da Zona da Mata recebeu uma quantidade de chuva bem maior do que era esperado. Em poucos dias choveu mais que os meses de maio e junho. Essa grande quantidade de água surpreendeu muita gente que nos últimos anos construiu casas na margem dos rios. As águas trouxeram os rios de volta a seu leito e muita gente perdeu tudo o que havia construído nos últimos dez ou quinze anos. O sofrimento foi maior na Zona da Mata Sul. Mas a gente precisa saber que o sofrimento que muita gente está passando não foi causado apenas pela chuva e pelas águas dos rios. Vez em quando a gente usa a expressão “foi a última gota d’água” para lembrar que um copo não fica cheio apenas por uma gota, mas por muitas gotas.

Rio Siriji volta às suas margens, as que possuia antes das usinas

Rio Siriji volta às suas margens, as que possuia antes das usinas - foto de Biu Vicente

 Assim, as chuvas, que aumentaram o volume das águas dos nossos rios, foram apenas a “última gota d’água”. As outras gotas foram a derrubada das árvores que ficavam próximo dos rios, foi destruição dos sítios com os pés de manga, as jaqueiras as goiabeiras e tantas outras árvores que forneciam frutas e seguraram as areias, a incompetência de nossos prefeitos que permitiram ocupações de áreas perigosas porque não consideraram os avisos dos geógrafos que para atender os desejos dos lucros das grandes empresas. Nessas chuvas, nessas enchentes, na Mata Norte ou na Mata Sul, sofrem os pobres, os que foram expulsos dos sítios, os que perderam suas casas para que mais canas fossem plantadas para mais álcool ser produzido. Agora é tempo de nos ajudarmos.

O Programa Canavial continua convidando a todos os que não foram atingidos pelas enchentes que auxiliem os que perderam suas casas. Nossa ajuda será o apoio necessário para que não se perca a esperança.

Também não vamos confundir os erros da seleção de futebol que Dunga montou com a nossa nação. O futebol é apenas mais uma paixão que nós temos e que tem sido usada pelos poderosos. O futebol é uma brincadeira que Dunga quis transformar numa guerra. O Brasil não perdeu nada, as empresas produtoras de cervejas que financiaram deixarão de ganhar o que esperavam.  O Brasil é maior que as enchentes que temos sofrido pelos erros dos nossos administradores; e o futebol do Brasil é bem maior que a legião de jogadores brasileiros que ganham fortunas na Europa.

Expulsando a Era Dunga, a que pensa que sabe tudo e não escuta a ningguém

Expulsando a Era Dunga, a que pensa que sabe tudo e não escuta a ninguém - foto tomada da bol.com

 

Texto escrito para os proggramas dos dias 2 e 3 de julho de 2010.

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mai/10

13

13 de maio

 

AINDA O 13 DE MAIO

Correntes quebradas

Correntes quebradas

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

Mais uma vez vamos conversar sobre o dia 13 de maio, o dia no qual lembramos o dia em que terminou a prática da utilização do trabalho escravo no Brasil. É importante que conversemos sobre esse assunto sempre, pois a nossa nação, o nosso país foi formado com o trabalho de milhares de homens e mulheres que não recebiam retribuição, remuneração pelos trabalhos realizados.

Essa parte do trabalho escravo sempre nós escutamos falar sobre ela, e quando nós recebemos pouco dinheiro pelo trabalho que realizamos, nós sempre perguntamos a quem nos explora: “você pensa que eu sou seu escravo?”. Essa é uma das maneiras que usamos para defender o valor de nosso trabalho. Aliás, essa mania de se pagar pouco aos trabalhadores é uma das conseqüências da escravidão entre nós. Mas há outra e muito sérias.

Liberdades

Uma delas é a idéia de achar que nós, os trabalhadores não temos o que dizer sobre a nossa vida, os nossos desejos. Joaquim Nabuco, em um dos seus muitos escritos chamou atenção ao fato de a prática do trabalho escravo ter acostumado os senhores a gritar e os escravos a ficar calados.

Nossos antepassados não podiam debater sobre as condições em que viviam e eram tratados como se não tivessem vontade. Ainda hoje as pessoas mais ricas continuam pensando que os pobres, os descendentes dos índios e dos negros escravizados não possuem direitos, apenas têm a obrigação de fazer a vontade deles. É quase como se a Princesa Isabel não tivesse assinado a Lei Áurea, a Lei de Ouro que acabou com a escravidão no Brasil.

Mas a gente sabe que essa lei maravilhosa foi assinada depois de muita luta dos índios, dos africanos que viveram no Brasil e se tornaram brasileiros, dos mestiços, filhos de africanos, de portugueses, de índios, de mamelucos e tantos que hoje cada um de nós está convidado a completar o dia 13 de maio, o dia em que ficou definido que todos os brasileiros são livres e não podem ser tratados como bichos.

O Programa Canavial celebra com todos os brasileiros a liberdade de todos os brasileiros.

 

Este é o Editorial 65 do Programa Canavial dos dias 14 e 15 de maio de 2010

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Painel Di Cavalcanti

Painel Di Cavalcanti

O TEMPO DE ESCOLHER CANDIDATOS

 

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Nesta semana ocorreram mudanças nas secretarias de governo de Estados e Municípios,  bem como nos ministérios do governo federal. É que chegou o tempo de começar a campanha eleitoral. Este é um ano de eleição, e nós iremos escolher novo governador, novos senadores, novos deputados e novo presidente da República. Todos nós já sabemos que cada um de nós tem a responsabilidade de votar, de escolher essas pessoas que irão comandar o Estado de Pernambuco e  governar o Brasil. Esses cargos, o de governador e de presidente são cargos de gerente. Um governador não é dono do estado, nem o presidente é dono do Brasil, eles assumem um emprego, e o salário deles é tirado dos impostos que nós pagamos. Temos que prestar atenção em quem vamos votar.

Mas também nós vamos escolher as pessoas que fazem as leis que nós somos obrigados a cumprir. Quem cria as leis são os deputados e os senadores. Assim, é bom a gente tirar um tempinho para pensar e se informar sobre esses candidatos a deputados e senadores. Se a gente  não prestar atenção é capaz de estar votando em quem não costuma cumprir a lei para a função de criar as leis. Veja bem: se uma pessoa não paga corretamente os salários de seus empregados, será que essa pessoa deve ser eleita para ser deputado ou senador? Essa semana, os deputados federais, principalmente os aliados do atual governo, resolveram que não iam votar uma lei que proíba gente que já foi condenado a ser candidato. E essa lei foi proposta por um milhão e seiscentos mil eleitores do Brasil inteiro!  A gente fica perguntando: por que será que esses deputados não querem criar essa lei?

Meus amigos, o Programa Canavial lembra que começou o tempo em que muitos candidatos vão aparecer nas nossas ruas e casas pedindo votos; por isso é tempo da gente começar a pesquisar a vida desses candidatos para a gente poder votar tranqüilo de que está elegendo as melhores pessoas para governar Pernambuco, o Brasil e para criar as leis que o Brasil precisa.

 

Editorial escrito para o PROGRAMA CANAVIAL dos dias 9 e 10 de abril de 2010.

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mar/10

31

DIA DA ÁGUA E NOSSOS RIOS

Rio Tracunhaém

Rio Tracunhaém

 

 Caros Amigos,

 

 

 

 

 

 

Nesta semana, no dia 22 de março, foi comemorado o dia internacional da água, estabelecido pela Organização das Nações Unidas, a ONU. A cada ano as pessoas, em todo o mundo, estão mais preocupadas com a possibilidade de vir a faltar água potável para uma boa parte da população da terra.

Embora o Brasil seja possuidor de grande parte da água potável do planeta, não devemos desperdiçar a água que está em nosso território. O dia de São José é um dia muito esperado em nossa região, pois se chove naquele dia, ensina a sabedoria popular, o inverno vai ser bom e vamos ter milho, feijão e muita fartura para a criação. A região em que moramos, a Zona da Mata Norte, é conhecida como a Mata Seca porque aqui chove menos do que a Zona da Mata Sul. Entretanto, nós temos vários rios que passam por nossas cidades, como os rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim, que são os principais, e também o Arataca, Paratibe, e todos recebem águas de muitos riachos.

Foi a existência desses rios que trouxe para aqui os engenhos e canaviais que usavam a força das águas para movimentar as rodas e girar o mecanismo para esmagar a cana, dela tirar o caldo que era posto em caldeiras onde fervido até chegar ao ponto de granular e ser posto para descansar e fazer os pães de açúcar nas casas de purgar. Mas os rios sofreram com o crescimento dos canaviais, pois tiveram que derrubar muitas matas para o plantio e também para fazer lenha para os fornos. A derrubada das árvores terminou por enfraquecer os rios da nossa região. Antigamente esses rios eram cheios de peixes, muito variados, desde as piabas e cambindas até as traíras, e mussus que eram tiradas das locas perto das margens.

Mas os rios foram minguando depois da derrubada das árvores e também porque os donos das usinas utilizavam os rios para jogar o vinhoto que sobrava depois da produção do açúcar e do álcool. Os rios foram desaparecendo, perdendo as forças e, em muitos lugares eles hoje parecem riachos. De vez em quando, quando cai uma chuva dessas que ninguém espera, o rio volta e encontra muitas casas nos lugares que era dele antes. Quem passa pela Ponte da Bicopeba, em Paudalho, pode imaginar o tamanho e a força que era o Rio Capibaribe. A mesma coisa pode ser dita do Rio Siriji e do Rio Capibaribe Mirim, que terminam em Goiana. Isso quer dizer que as nossas cidades foram crescendo perto dos rios, mas sem cuidar que os rios precisam de cuidado.

Embora pareça que estejam mortos, os nossos rios estão vivos e nós devemos cuidar deles. Será muito interessante que nas escolas os nossos professores conversem sobre os rios de nossa região e, quem sabe os mais velhos, os que ainda viram os nossos rios mais cheios de água e de peixes podiam ir contar essa história nas escolas?

O Programa Canavial, nesta semana da água, deseja que todos nós pensemos um pouco sobre como podemos fazer para que não se perca a água de nossos rios. Vamos cuidar dos nossos rios economizando as águas de nossas torneiras. O Programa Canavial convida todos os moradores da Mata Norte a cuidar da água que nos dá a vida.

Severino Vicente da Silva

Editorial escrito para o PROGRAMA CANAVIAL dos dias 26 e 27 de março de 2001.

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mar/10

7

Data magna de Pernambuco

 

Bandeira da Revolução de 1817

Bandeira da Revolução de 1817

PROGRAMA CANAVIAL

 

 

 

06 de março

Severino Vicente da Silva

 

            Há um feriado em Pernambuco que temos dificuldade em celebrar. Apesar de nosso orgulho em “ser pernambucano”, nós damos pouca importância para esta data que é considerada a Data Magna de Pernambuco. No Recife, sobre o Rio Capibaribe há uma ponte com o nome Seis de Março, mas todos se referem a ela como sendo a Ponte Velha. As cidades fazem grandes festas no dia em que foram emancipadas, mas nenhuma festeja a Data Magna de Pernambuco, o dia Seis de Março. As nossas escolas, será que elas fazem alguma celebração, será que os professores pedem que os alunos pesquisem a razão de ser o dia Seis de Março, a Data Magna de Pernambuco?

 

            Amigos da Zona da Mata Norte de Pernambuco, neste dia Seis de Março, o Programa Canavial quer lembrar a data em que o povo de Pernambuco, cansado do descaso do governo de Dom João I para com o Norte, no ano de 1817, proclamou a República e recebeu o apoio das províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte e do Ceará. Esse movimento que se proclamou uma República, ficou conhecido como A Revolução Pernambucana, mas também é chamada de Revolução dos Padres, por que entre os seus líderes estavam o Vigário Tenório, o Padre Miguelinho, o Padre João Ribeiro e muitos outros padres e seminaristas, entre eles Frei Caneca. A bandeira dessa revolução é que dá a origem da atual bandeira de Pernambuco.

 

            A participação da nossa região nessa revolução que estabeleceu a liberdade de imprensa e de religião começou alguns anos antes. É que na cidade de Itambé funcionava uma sociedade com o nome de Areópago, fundada pelo padre Manuel de Arruda Câmara. Essa sociedade fazia propaganda das idéias de liberdade e de independência. Essa data Seis de Março é muito importante para a nossa região, a terra dos Caboclos de Lança.

 

            O Programa Canavial celebra com todos os pernambucanos a Revolução de 1817, o início da independência do Brasil.

 

 Editorial escrito para os programas dos dias 5 e 6 de março de 2000.

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Casa Museu de Vitalino

Casa Museu de Vitalino

 

 Neste mês de julho, entre muitas festas, Pernambuco está lembrando que em Caruaru conhecido como o Mestre Vitalino, criador de bonecos de barro, que ele fazia seguindo a sua intuição, ou a sua “cadência”, como costumava falar.

Vitalino nasceu em 1909 e cresceu vendo os trabalhos de sua mãe. Utilizando o barro da várzea do Rio Ipojuca, a mãe de Vitalino fazia quartinhas, panelas, e outros objetos que eram usados nas cozinhas de antigamente. Para evitar que o menino fizesse muita traquinagem ela entregava a ele as sobras da argila, e com ela o menino começou a fazer pequenos bonecos dos animais que via e das histórias que ouvia. Na feira, ao mesmo tempo em que o pai vendia o que tirava da agricultura, junto da mãe que vendia as panelas e tigelas de barro, o menino Vitalino começou a vender seus bonecos, que serviam de brinquedos para outros meninos. Com o passar do tempo, já com mais de vinte anos de idade, Vitalino passou a ser fazer bonecos de gente, como os cangaceiros, os vaqueiros, Lampião, Maria Bonita, casas de farinha, etc. E aí vieram alguns pedidos para ele fazer médicos, dentistas padres, delegados. A sua obra passou a ser conhecida e mesmo imitada.

No anos cinqüenta, alguns famosos escritores de Caruaru mostraram Vitalino e seus bonecos a alguns convidados que vieram para o a festa dos cem anos de Caruaru. A imprensa do sul do Brasil ficou deslumbrada com a arte figurativa do homem de grande inteligência, mas analfabeto e pobre. Nessa época Luiz Gonzaga gravou a música “A feira de Caruaru”. Vitalino foi ao Rio de Janeiro e levou a sua Banda de Pífano, mostrando mais uma arte que ele sabia.

O Mestre Vitalino é uma referência para a cultura barsileira, especialmente na arte com o barro. Aqui, também na Zona da Mata Norte, nós temos grandes artistas do barro na cidade de Tracunhém, na cidade de Goiana e em muitas outras cidades. O Programa Rádio Canavial hoje faz homenagem ao grande Mestre Vitalino, mestre da escultura com o barro e mestre no sopro do pífano. E, a gente também faz questão de homenagear os artistas de nossa região, gente como Zé do Carmo, de Goiana; Mestre Nuca; Maria Amélia; Baé, como era conhecido Manoel Leão Machado, e Zezinho de Tracunhaém, Amaro e Benenice, Betinho e Nilson de Tracunhaém. E a gente pode dizer Toinha, Lídia Vieira, Zeca Vieira e Severino de Tracunhaém, entre muitos outros. No ano do centenário do Mestre Vitalino, o Programa Rádio

Canavial celebra todos os artista de nossa terra.

Editorial escrito para os programas dos dias 17 e 18 de julho de 2009

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fev/10

26

A cana de açúcar e a Zona da Mata

Programa Canavial

No corte da Cana

No corte da Cana

 

A CANA DE AÇÚCAR E A ZONA DA MATA[1]

 

Prof. Severino Vciente

 

Vivemos na Zona da Mata Norte do Estado de Pernambuco, hoje uma região que tem no cultivo da cana de açúcar a sua maior fonte de riqueza, empregando grande parte dos homens e das mulheres da região. De certa maneira, a cana de açúcar afeta a vida de todos os moradores da região.

Mas será que sempre foi assim?

 Não, a cana de açúcar, esse vegetal que veio da Ásia, trazida pelos portugueses para o Brasil, logo nos primeiros anos. Na época em que Portugal era um dos países mais avançados da Europa, o açúcar era um produto muito raro e, como é uma planta que se produz muito bem na região, ela foi a base da formação da sociedade brasileira. Desde o começo do Brasil que o Nordeste, especialmente Pernambuco, foi um grande produtor de açúcar de cana, embora também houvesse sido construído engenhos no Rio de Janeiro e depois em São Paulo. Foi com a chegada das usinas, no final do século XIX que a produção de açúcar em São Paulo começa a superar a produção do Nordeste.

 

O plantio da cana de açúcar exige grandes plantações; para se ter grandes canaviais foi necessário derrubar muitas matas. Mas, durante muito tempo, em nossa região, no tempo dos engenhos, o plantio da cana de açúcar conviveu com a pequena agricultura e com os sítios. Era o tempo dos engenhos, que produziam açúcar, cachaça, rapadura. Mas, com a chegada das usinas foi necessário aumentar a área de plantio para garantir o lucro na produção do açúcar, e o latifúndio tem acabado com os sítios. Na nossa região isso começou a acontecer depois de 1950. Em 1975 foi criado o PROALCOOL e atualmente o plantio da cana está muito voltado para a produção de álcool para o transporte.

 

O Brasil continua sendo o maior produtor mundial de açúcar de cana e a cana de açúcar continua sendo a principal fonte de riqueza de Pernambuco, embora os que trabalham diretamente nos canaviais pouco vejam dessa riqueza.


[1] Editorial para os programas dos dias 26 e 27 de fevereiro de 10

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FESTA DE LOUVAÇÃO DA VIDA – O CARNAVAL

Amigos,

Uma semana que temos para que ocorra o carnaval. Esta festa parece que foi, em tempos passados, um festival em homenagem à deusa da fertilidade. A festa de carnaval primeiro foi realizada por povos que viviam em regiões que ficam acima da linha do Equador, essa linha que a gente imagina que divide a terra. As festas em homenagem à deusa primavera ou da fertilidade aconteceram primeiro no lugar chamado Mesopotâmia, hoje conhecido como Iraque.

Como a gente sabe, a primavera é o tempo em que as plantas dão flores, nascem os frutos, os animais entram em cio e é a época dos acasalamentos. Nós vivemos abaixo da linha do Equador, e a primavera acontece no mês de setembro, mas o carnaval acontece em fevereiro ou março, porque essa festa religiosa foi trazida pelos povos da Europa, os portugueses, e lá a primavera acontece no mês de fevereiro ou março.
A brincadeira de carnaval começou no Brasil quando a Rainha Dona Maria I de Portugal veio morar no Brasil. As pessoas iam para a rua pra brincar o “entrudo”, que era principalmente a brincadeira de molhar os que passavam nas ruas com água de cheiro e jogar pedaços de papel, os confetes e as serpentinas. Também jogam água suja. Os barões, condes, viscondes, marqueses e outros ricos, brincavam o entrudo e faziam as festas em clubes fechados. Mas depois que foi decretado o fim da escravidão e da proclamação da República, a maior parte da população passou a ser livre, e esse povo começou a fazer o carnaval de rua. E foi então que no Rio de Janeiro começou a aparecer o samba e as Escolas de Samba; na Bahia apareceu o Afoxé; no Recife foi o começo a tradição da música e da dança do Frevo e, na Mata Norte começou a aparecer os Caboclinhos, os grupos de mulugu, depois conhecido como maracatu.

Nessa semana, nos terreiros e nas sedes tudo está acontecendo no sentido de terminar a preparação para a saída de nossos maracatus, de nossos caboclinhos.
O Programa Canavial, nesta semana deseja aumentar a animação dos donos de maracatus, dos mestres de maracatus e mestres caboclos, dos mestres das tribos de caboclinhos e das tribos de índios para que todos estejam, sob a proteção de nossos santos e nossos caboclos para fazer, do nosso carnaval a grande festa de louvação da fertilidade de nossa vida.

Editorial escrito para o Programa Canavial dos dias 5 e 6 de fevereiro de 2010.

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CINQUENTA E DUAS SEMANAS DO PROGRAMA CANAVIAL
Severino Vicente da Silva

Caros amigos

Neste programa estamos festejando um ano de atividades, ou seja, são 52 encontros semanais nos quais conversamos sobre temas diversos, todos relacionados com a realidade e o cotidiano do povo da Mata, especialmente a Mata Norte. Nessas 52 e duas semanas conversamos com pessoas de nossa cidade, gente que, como você, está construindo a possibilidade de uma vida melhor para os que vivem em nossa cidade. Aqui nós entrevistamos artistas locais: artesões, músicos, cantadores, cantores, mestres em suas modalidades e seus ofícios. Também, nesse nosso encontro semanal nós ouvimos muitos artistas que produzem músicas que cultivam as nossas tradições, as nossas raízes culturais. Conversamos sobre os problemas que afetam a nossa vida, coisas como limpeza das ruas, qualidade do ensino nas escolas freqüentadas por nossos filhos, amigos e por nós mesmos.

Este Programa Canavial procurou ser, neste ano que completa hoje, um lugar da construção de nossa cidadania. Aqui louvamos o trabalhador e o resultado de seu trabalho, mas chamamos atenção daqueles que são responsáveis por encaminhar iniciativas que tornem possível a felicidade de todos os habitantes de nossa cidade e das cidades vizinhas, pois sabemos que só o trabalho coletivo, solidário e comunitário é capaz de criar essas condições de felicidades, de alegria e confiança no futuro.

Amigos, o Programa Canavial continuará, neste novo ano de atividade, a incentivar cada um dos habitantes da Zona da Mata Norte a procurar novas formas de organização, novas maneiras de melhorar nossas vidas. E começamos a lembrar que estamos no mês do nosso carnaval, do momento em que o povo vai às ruas para mostrar a sua alegria de estar vivo e de viver. Este é o momento de nossas agremiações, nossos blocos, nossos Maracatus, nossos Caboclinhos, nos Bois de Carnaval, receberem um carinho especial de nossos prefeitos. As agendas carnavalescas de nossas cidades devem dar prioridades à nossas manifestações culturais locais, para que recebamos com alegria os nossos visitantes. Ao mesmo tempo, devemos nos lembrar de nos preparar para receber bem aqueles que chegarem à nossa cidade para conosco brincar o nosso carnaval.

Obrigado a todos que neste ano nos acompanharam e esperamos estar juntos nas próximas 52 semanas.

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jan/10

23

Os Santos e a nossa saúde

Os Santos e a nossa saúde

Severino Vicente da Silva

Algumas das nossas cidades da Zona da Mata têm como padroeiro, como protetor São Sebastião, um cristão que foi soldado e morto durante o governo do imperador Diocleciano de Roma. Os portugueses trouxeram para o Brasil a devoção a São Sebastião como o santo protetor contra a peste, em uma época em que pouco se podia fazer para vencer as epidemias além de rezar. A devoção a São Sebastião continua entre os católicos. Da mesma maneira, os brasileiros que seguem a religião do Candomblé também cultuam a Obaluayê. Fazem bem os que pedem aos seus santos e orixás a proteção contra as doenças. O Programa Canavial acompanha as festas realizadas em homenagem a todos os protetores do povo da Mata Norte.

Mas o Programa Canavial lembra que nos dias atuais nós podemos fazer mais que rezar para os espíritos, santos e orixás no sentido de ficarmos livres das doenças. Hoje nós sabemos que muitas das enfermidades podem ser evitadas com medidas simples, como lavar as mãos, manter as ruas limpas, e outras ações que cada um de nós pode fazer. Mas também as iniciativas que os que administradores públicos precisam estar atentos. Por exemplo, é necessário que as nossas cidades tenham um bom serviço de distribuição de água e recolhimento de esgotos, coleta de lixo, oferta de serviços de saúde e, nas escolas, igrejas, associações todos devem ajudar a manter todos os espaços limpos. Ruas, quintais, jardins e terreiros sujos são hospedagens de baratas, ratos, escorpiões e mosquitos, portadores e transmissores de doenças e das pestes que tanto nos incomodam.

O Programa Canavial, nesta semana de Louvor a São Sebastião lembra que podemos pedir ajuda aos nossos santos protetores, mas devemos ajudá-los a nos ajudar, mantendo nossos corpos, nossas casas, nossas ruas e os ambientes onde trabalhamos e vivemos, limpos e saudáveis.

ps. escrito para os programas dos dias 22 e 23 de janeiro de 2010.

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