História e Canavial |

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PROGRAMA CANAVIAL

Editorial 93

FESTIVAL CANAVIAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Tem início neste dia 19 e vai até o dia 04 de dezembro o FESTIVAL CANAVIAL.  A cada ano a Zona da Mata Norte experimenta o congraçamento de cidades, das pessoas, artistas, profissionais da região, na troca de informações e saberes tirados da vida e recriados pelas artes dos homens e mulheres da região.

Na cidade de tracunhaém haverá, na sexta e sábado, uma Roda de Mestres sobre a Ciranda e os cirandeiros e também muita ciranda na praça principal da cidade. Tracunhaém é a cidade que transforma a vida em obra de arte, uma arte surgida do encontro das mãos com o barro. Quase uma criação divina!

No mesmo dia 19, no Engenho Poço Comprido vai acontecer o CAMINHOS DO CANAVIAL, com a biblioteca  Mestre Batista, do Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança, contando histórias e dividindo a leitura e tradição juntamente com o Mamulego do Mestre Calú, a Poesia do Cordelista Costa Leite e o Cavalo Marinho Mestre Batista.

No Engenho Poço Comprido foram plantados, faz muito tempo, dois Baobás. Essas plantas atravessaram o Oceano Atlântico, foram trazidas da África para o Brasil, como aconteceu com muitos homens e mulheres que aqui chegaram como escravos. Para lembrar essa parte de nossa história vai acontecer, durante todo o dia 20, o Segundo Encontro de Jurema do Festival Canavial no engenho Poço Comprido, com a presença de mestre juremeiros e pesquisadores dessa religião que vem sendo praticada por uma parte do povo brasileiro, especialmente o povo da Mata Norte.  

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL, que faz parte do Movimento Cultural Canavial, convida vocês e todos os seus amigos, a participar das atividades do Festival Canavial que serão comentadas ao longo de nossa programação hoje e na próxima semana, serão atividades que ocorrerão nas cidades de Nazaré da Mata, Aliança, Vicência, Tracunhaém e Condado.

 

Para os dias 19 e 20 de novembro de 2010.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 80

NOSSA CULTURA É NOSSA HUMANIDADE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos

Com esta conversa de hoje nós terminaríamos de celebrar o mês da cultura, pois Agosto tem sido assim conhecido como o período do ano em que nós deveríamos pensar sobre a nossa cultura. É como se fosse o aniversário da cultura. Celebrar um aniversário é lembrar o dia em que nascemos, o momento que nos viram pela primeira vez; aquele foi o momento em que entramos em contato com a força da vida entrando pelas nossas narinas – pelas nossas ventas – e o ar, com oxigênio e gás carbônico nos fez gritar de dor. Foi nosso primeiro choro e fomos pegos pela mão de alguém que nos apresentou à nossa mãe e depois aos parentes. Naquele momento nós entramos em nosso primeiro e permanente contato direto com a cultura.

A cultura é criação dos seres humanos e nos tornamos humanos quando criamos o primeiro gesto, e ele pode ter sido o riso de alegria de uma mulher que escutou o choro de sua cria, de sua criança, para depois puxá-la para o peito e deixar-se sugar enquanto passa a mão carinhosamente sobre a frágil criatura que, nesses primeiros gestos vai se tornando humana.

Pulando Carfniça - Portinari

Pulando Carfniça - Portinari

Ser humano, meus amigos, é viver em um mundo de cultura, um mundo de regras, um universo de palavras que ouvimos e vai dando sentido a tudo que é visto, ouvido, sentido, saboreado. E de ver e ouvir, que aprendemos que uma cadeira é uma coisa cultural que foi criada para nos sentarmos e descansar depois de uma caminhada; de tanto ver, ouvir e cheirar é que aprendemos a gostar da diferença dos sabores da melancia e do melão; de tanto ver, ouvir, cheirar e tocar é que aprendemos a suavidade das rosas e da pele, e também a aspereza da casca da jaca enquanto gozamos com o sabor de seu bago. E tudo isso é cultura, como também é cultura saber que o chá de boldo serve para recuperar o fígado; que o suco do maracujá acalma, e que o lambedor que vovó prepara com erva-doce, mel, canela, hortelã e carinho cura todas as tosses e, graças a ele voltamos a correr na rua brincando de pega, jogando bola de gude, empinando papagaio, soltando a ponteira para o pião rodar e tantas outras brincadeiras, essas coisas que fazem a nossa cultura.

Uma cultura que se completa quando vamos estudar na escola e aprendemos que todos os povos têm brincadeiras e sociedades que, embora sejam diferentes, são parecidas com a nossa, pois todas as sociedades humanas são sociedades culturais.

Amigos, o PROGRAMA CANAVIAL celebra com todos os mestres e mestras da nossa cultura a alegria de criar diariamente a nossa humanidade na criação de nossa cultura.

 

Editorial para os programas dos dias 27 e 28 de agosto de 2010.

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ago/10

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MÊS DA CULTURA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 79

MÊS DA CULTURA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Estamos celebrando, em todo este mês a Cultura. Houve um tempo que se dizia o Mês do Folclore, o dos costumes do povo. Antigamente não se dizia que o povo tem cultura, dizia-se que o “povo tem costume”. Se alguém quisesse ter cultura tinha que ir para a escola, estudar. A cultura, diziam se aprende nos livros.

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrla de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Acontece que quase nunca havia escolas e, nas poucas escolas que existiam, não havia biblioteca, ou seja, um lugar onde os livros ficam guardados esperando que as pessoas cheguem para tomá-los, lê-los, depois trazer de volta, dando oportunidade para que outras pessoas também tenham a possibilidade de ler a cultura que está no livro.

Mas a cultura não está só no livro, porque tudo que a gente faz é cultura. O jeito de fritar um ovo é cultura, da mesma forma que tocar “poica” ou violino, lavar os pratos e ter um sanitário decente também é cultura. São formas diferentes de cultura.

Meus amigos, nos livros a gente encontra um tipo de cultura. É lamentável que ainda haja muitas pessoas no Brasil que não sabem ler, e que por isso não acham que livros sejam importantes. É uma pena que a maioria das casas brasileiras não possua livros, mas isso é porque muita casa também não um banheiro decente e as cidades não possuem sistema de esgoto. Sim, ter um sistema de esgoto mostra que a cidade tem certo tipo de cultura. Vejam que interessante e lamentável: nas nossas cidades, a maioria dos bairros que não possue redes esgoto, e também não tem bibliotecas. Isso quer dizer que precisamos melhorar em muito o nosso nível cultural. Se as nossas cidades forem mais bem servidas esgotos vai diminuir o número de doenças; se as nossas cidades possuírem mais bibliotecas, as crianças, os jovens e adultos poderão desenvolver o gosto da leitura e isso irá melhorar a qualidade de nossas conversas.

Para terminar essa conversa de hoje, o PROGRAMA CANAVIAL pergunta: Será que alguém já ouviu algum desses candidatos que querem ser eleitos nessa eleição de outubro dizer, alguma vez, a palavra Biblioteca?

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

O PROGRAMA CANAVIAL quer lembrar que quem defende a cultura tem que pensar em bibliotecas em cada bairro de uma cidade.

 

Texto escrito para os programas  dos dias 20 e 21 de agosto de 2010

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 75

SOLIDARIEDADE E REPLANTIO DAS MATAS CILIARES

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Faz pouco mais de um mês que ocorreram fortes chuvas e o nível de alguns rios subiram e as águas atingiram casas de pessoas, algumas  nossas conhecidas, outras que nós nem mesmo sabíamos de sua existência. As suas casas estavam construídas muito próximas do leito dos rios. Por causa disso até mesmo escutamos algumas pessoas dizerem que eles não deviam ter construído as casas naquele lugar.

Rio sem mata ciliar

Rio sem mata ciliar

Entretanto, nós sabemos que as famílias que construíram suas casas naquele lugar vieram dos sítios dos antigos engenhos e, não tinham dinheiro para comprar terrenos em outros lugares. Nós sabemos que a terra custa muito caro e os pobres não podem comprar terras em boa localização. É por isso que as águas das enchentes dos rios atingem principalmente os mais pobres, os que já sofrem muito.

As forças da natureza, como a chuva, o vento, as enchentes não são as causadoras do sofrimento, mas o sofrimento dos homens e das mulheres é resultado de ações de outros homens e mulheres. As forças da natureza apenas tornam a miséria maior.

Solidariedade

Solidariedade

Mas nós vimos que, na hora do maior sofrimento, foram muitas as pessoas que saíram de suas casas para ajudar os que tiveram as casas invadidas pelas águas; nós vimos que muitos recolheram alimentos, roupas, material de limpeza para dar a que estava em extrema necessidade. A isso nós chamamos de solidariedade, de dividir o que se tem para diminuir a dor de quem está sofrendo.

Agora que as águas baixaram, nós não podemos deixar de ser solidários. Ainda tem gente que está precisando de ajuda. Mas nós podemos ajudar a evitar, não as enchentes, pois elas são da natureza, mas podemos evitar o sofrimento que as enchentes causam. Uma maneira é verificar se no nosso município vão ser replantadas as matas que existiam perto dos rios, pois essas matas diminuem a força das enchentes.

Rio com mata ciliar

Rio com mata ciliar

Hoje, O PROGRAMA CANAVIAL quer lembrar que cada um de nós, cidadão das cidades da Mata Norte é responsável pela política de reflorestamento. O PROGRAMA CANAVIAL deseja que as autoridades da Região da Mata Norte promovam o replantio das matas ciliares, as matas das margens dos rios, que sejam diminuídos os sofrimentos causados pelas enchentes.

Texto escrito para os programas dos dias 23 e 24 de julho de 2010.

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Sala de Informática no Ponto de Cultura Estrela de Ouro

Sala de Informática no Ponto de Cultura Estrela de Ouro

O MÉTODO CANAVIAL, UMA INTRODUÇÃO À PRODUÇÃO CULTURAL.

 Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes

 

São muitos os produtos que os homens e mulheres livres podem criar ao tocar na terra, colaborando com a natureza, organizando a sua vitalidade e a sua fecundidade. Muito antes que o Brasil viesse a ser o que hoje ele é, nossos avós indígenas criaram meios e objetos para tirar dos rios os peixes que a natureza criava; também inventaram técnicas para acompanhar as caminhadas dos veados, das capivaras, onças, macacos e pássaros para caçá-los e fazer deles seus alimentos e, de maneira semelhante souberam olhar os vegetais e descobrir quais as que poderiam servir como alimentos e quais as que poderiam servir para fazer vestuários e moradias. E foi assim que nossos avós desenvolveram técnicas para usar o timbí  para a pesca, a cultivar o algodão para tecer as tangas, cuidar das palmeiras para fazer as redes, tirar o veneno da mandioca para dele fazer a farinha, beijus e tapiocas. E tudo isso foi repassado, geração após geração, até chegar a nós. Ou seja, nossos antepassados desenvolveram um método para aprender e dominar a natureza e também o método de transmitir, ou seja, ensinar o que inventaram aos seus filhos e eles passaram esse conhecimento, essas técnicas que nós usamos ainda hoje.

Este é o grande segredo dos homens e das mulheres: inventar um jeito de saber fazer os objetos que precisa; criar uma maneira de transmitir o que já sabe e aprender fazer. Por isso é que se diz que os homens e as mulheres são seres culturais, animais criadores de cultura. Também nos engenhos houve criação e transmissão de cultura, mas, diferente dos nossos antepassados índios, o que se aprendia nos engenhos não era ensinado a todos e, quem queria o que era produzido nos engenhos de açúcar e nas usinas tinha que pagar. E foi para mudar um pouco essa situação que o Movimento Canavial foi nascendo. Foi a partir da experiência que Afonso Oliveira foi tendo com os caboclos dos maracatus de baque solto, e, n Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança foi sendo criada uma Usina Cultural, lugar que atraiu pessoas que querem aprender como melhorar a produção cultural. E seguindo o modo dos nossos antepassados índios, neste sábado, estará sendo realizado o lançamento do livro O MÉTODO CANAVIAL: UMA INTRODUÇÃO À PRODUÇÃO CULTURAL. Nesse livro ele conta como aprendeu a fazer produção cultural e, como nossos avós, à medida que nos conta, ele nos ensina como fazer.

Na Usina Cultural Estrela de Ouro

Na Usina Cultural Estrela de Ouro

Esse é o seu método, ou seja a sua maneira de fazer, o caminho que todos fazemos para aprender e, do jeito que aprendemos, nós ensinamos. O segredo de Método Canavial é: aprenda com os outros, ensine o que aprende e faça isso como um índio velho que conversa com o seu neto.

 

Texto escrito para os programas 23 e 24 de abrl de 2010

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