História e Canavial |

CAT | Editorial

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 107

A CAÇADA DO BODE E A GLÓRIA DA VIDA

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Estamos na Semana Gorda – Sexta feira Gorda, Sábado de Zé Pereira, Domingo de Carnaval, Segunda Feira Gorda, Terça Feira Gorda, Quarta Feira Ingrata: é a semana do carnaval. Houve um tempo que era apenas três dias essa semana. “carnaval só tem três dias, foi os anjos que criou”, diz um frevo canção orquestrado por Nelson Ferreira. Hoje são muitos dias, pois vivemos em uma sociedade festiva na qual o trabalho é apenas uma atividade a mais enquanto se vive em busca do divertimento e dos espetáculos. E o carnaval parece ser apenas mais uma festa onde as pessoas cantam, bebem, dançam, se alegram e fazem o que normalmente não é feito. Mas não foi assim em todas as sociedades e, no Brasil, uma que é formada por muitas culturas o carnaval, para alguns brasileiros, não é assim. O carnaval é uma celebração às forças divinas.

As mais antigas festas do que chamamos carnaval era uma celebração em homenagem à deusa da primavera, a que traz a força da vida, a fertilidade da terra, a terra que nos alimenta com sua vegetação, suas aves e animais que sempre foram objeto de caça para a alimentação das tribos.

Capivara

Capivara

Meus amigos, muito antes desta nossa terra ser conhecida pelos europeus, muito antes de aqui chegarem os povos trazidos da África, aqui havia muitos povos, nações que estão hoje esquecidas e que falavam línguas diferentes da que falamos hoje, mas interessante é que nós ainda falamos as palavras que eles criaram, mesmo de maneira modificada. Pois veja como somos esses povos que não nos dizem, por isso falamos as palavras de antigamente. Os portugueses chegaram aqui em Igaraçu, ou seja, Canoa grande; eu tenho amigos que moram em Areia Branca, que é o sentido da palavra  Itaquitinga; outros amigos moram em Lagoa que Secou, quero dizer Upatininga; e o Mestre Batista, fundador do Maracatu Estrela de Ouro está enterrado na Casa de Tupá, que é Tupaoca. Mais perto do mar fica a Pedra que canta, que é o significado de Itamaracá, e para chegar lá eu preciso passar por Pedra Negra, ou seja, Itapissuma. A gente poderia continuar mostrando como a gente fala a língua dos nossos antepassados, mas como é tempo de carnaval, vamos conversar sobre a Caçada do Bode.bode

Como é sabido por todos, os povos que nossos antepassados viviam da caça e da pesca. O que eles caçavam era as capivaras, as antas, as cutias, os tatus, os veados, os jacus e muitos outros animais. Um dos preferidos era o veado. Hoje, como não há mais veados nas matas, as tribos de índios e caboclinhos que saem no carnaval, passam a noite do sábado em vigília e, na madrugada do domingo saem para a caça, e caçam um ou vários bodes que serão sacrificados para fazer a alimentação de todos da tribo que saem durante os três dias de carnaval. Depois do carnaval, na quarta feira, esses animais que foram mortos servem de alimento para toda a tribo que lutou durante os três dias para a glória da tribo. O carnaval, que parece ser uma guerra para conquistar as ruas e as cidades, termina na quarta feira com um grande banquete com muita comida resultante da caça do bode, um animal que simboliza muitas coisas, inclusive a caça que nossos antepassados faziam pata garantir a sobrevivência de toda a tribo.  

Meus amigos, essa tradição de nossos mais antigos antepassados é mantida em Goiana, na madrugada do domingo de carnaval pela Tribo Índio Tabajara, pela tribo União Sete Flexas de Goiana, pela Tribo Caboclinho Canidé.

caboclinho de Goiana - PE

caboclinho de Goiana - PE

Nós, do PROGRAMA CANAVIAL desejamos uma boa caçada às nossas tribos de índios e de caboclinhos; desejamos também que a felicidade dessa caça coletiva seja sinal da benção que a mãe natureza, com a Jurema Sagrada, o Espírito Santo, Oxóssi e a força de vontade de todos os homens e mulheres façam, do nosso carnaval uma eterna saudação à Vida.

 

 

Para os dias 4 e 5 de março de 2011

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dez/10

9

FESTIVAL CANAVIAL EM VICÊNCIA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 94

 

 

FESTIVAL CANAVIAL EM VICÊNCIA

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Estamos no segundo final de semana do Festival Canavial 2010 e, além do Caminhos do Canavial acontecendo em Nazaré da Mata, temos ações também em Vicência.

Caminhos do Canavial é uma ação de grande profundidade e importância cultural, pois que ele envolve vários setores e agentes da comunidade educativa. Essa ação consiste em promover um encontro de crianças e jovens com os livros. Um ônibus foi transformado em biblioteca e está visitando alguns distritos das cidades que estão envolvidas no Festival Canavial. Os livros fazem parte do Ponto de Leitura Estrela de Ouro, da Biblioteca Mestre Batista. O ônibus/biblioteca chega e recebe alunos das escolas locais que podem escolher livros para manusear e participam de um concurso de poesia. Ah! Também tem a presença de dois grandes mestres: O Mestre Calou, de Vicência e o Mestre Costa Leite, cordelista de Condado. Neste final de semana o Caminho do Canavial estará em Nazaré da Mata.

Mas, nesta sexta e neste sábado, Vicência, que no dia 20 celebrou a Consciência Negra da Nação Brasileira, vai realizar o grande Encontro de Sanfoneiros que vai acontecer na Praça da Matriz, homenageando Baixinho dos Oito Baixos e Biu Mata. Vai ser muito gostoso ouvir tantos sanfoneiros puxando o fole e fazendo a gente dançar a música feita por gente como a gente.

Então, o Programa Canavial convida todo o mundo a participar dessa grande festa de nossa cultura.

 

Para os dias 26 e 27 de novembro de 2010

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out/10

15

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 87

DIA DOS PROFESSORES

 

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

São muitas as datas de festa no mês de outubro e essas festas nos dizem sempre que no passado algum fato, algum acontecimento ocorreu e então lembramos; mas se fazemos a festa para lembrar é porque desejamos que a lembrança daquele acontecimento nos faça viver aquelas emoções mais uma vez. Quando celebramos o dia das crianças, queremos de novo ser crianças com os filhos e netos; quando lembramos a chegada de Cristóvão Colombo na América, desejamos lembrar os povos que já viviam aqui e ainda cultivam sua cultura,e a Jurema Sagrada é prova viva dessa nossa cultura; quando se celebra a Nossa Senhora Aparecida, é lembrando que ela apareceu a pobres pescadores em um rio, e isso nos lembra devemos cuidar dos rios e riachos da nossa região.

E este final de semana tem outra festa, um dia que foi escolhido para celebrar a alegria de termos tido professores. Professores são pessoas que cuidam de transmitir os conhecimentos necessários para que nós vivamos na sociedade. Antigamente que cuidava dessa tarefa era a própria família, mas como ao longo da história os homens e as mulheres foram criando novos objetos e conhecimentos, ficou impossível para a família fazer essa tarefa. Então algumas pessoas foram escolhidas para aprender e a ensinar.  E ensinar é muito difícil, pois o mais comum é as pessoas acharem que não precisam aprender mais nada. E o professor ou professora aprendeu ter paciência para esperar o momento de ensinar e experimentar a maior das alegrias que é ver o riso de quem acabou de aprender.

Paulo Freire

Paulo Freire

Embora precise muito de professores, a nossa sociedade atualmente não parece dar muita importância às escolas e às pessoas que nelas trabalham. Temos que mudar esse comportamento e dar mais valor aos nossos professores, seja melhorando o salário deles, seja melhorando as escolas, comprando livros para as bibliotecas, pintando as paredes das escolas, concertando os móveis, cuidando da segurança e respeitando os professores nas escolas e nas ruas.  Essas são tarefas de todos.

O PROGRAMA CANAVIAL deseja agradecer a todos os professores por seus esforços em melhorar o nível de vida dos habitantes da Mata Norte e fazer essa homenagem a quem cuida para que as crianças, dos jovens e dos adultos possam se integrar na vida da sociedade local e nacional.

Parabéns, caro professor, cara professora.

 

Escrito para os dias 15 e 16 de outubro de 2010.

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set/10

11

Preparando para votar

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 82

 PREPARANDO PARA VOTAR

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos, São poucos os dias que estão nos separando do momento em que, através de nossos votos, escolheremos algumas pessoas que irão orientar os caminhos do nosso país, e de nosso estado. ATENÇÃO: Não iremos escolher nossos donos, mas vamos escolher algumas pessoas para administrar o nosso país, com a obrigação de esquecer os interesses pessoais deles para se dedicar ao interesses de todos nós. Essas pessoas que iremos escolher devem se comprometer a cumprir as leis do Brasil e a defender os interesses do Brasil. É preciso ter muito cuidado nessa escolha porque tem muitos que se candidatam pensando em resolver os problemas pessoais deles. Tem até alguns que dizem isso sem vergonha nenhuma, e ainda se desculpam dizendo que fulano ou sicrano, no passado já fizeram isso. Nosso voto deve ser para afastar esse tipo de gente e pessoas que só aparecem nessa época.

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Meus amigos, tem gente que se candidata a deputado dizendo que vai fazer escolas, mas a função do deputado não é essa. O trabalho de um deputado é fiscalizar as atitudes e trabalhos do governador – se for deputado federal, e fiscalizar o presidente – se for deputado federal; verificar se as leis estão servindo para o bem de todos e, caso não estejam, propor novas leis; um deputado deve prestar contas do que faz, dizer se faz parte de alguma comissão, se ele está presente no plenário para acompanhar os debates. Um deputado é uma pessoa que representa a gente, é uma pessoa que nós contratamos para substituir a gente nos debates sobre os destinos de nosso estado e de nosso país.

Se ele já é d  se é uma pessoa que conhece o lugar e os problemas do lugar que a gente vive. Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que cada habitante da nossa querida Zona da Mata Norte pense bem e vote em pessoas que dedicam a sua vida para melhorar a vida de todos nós. se le já é  deputado e quer continuar sendo, a gente deve perguntar o que foi que ele fez nos últimos quatro anos. Votar é algo muito sério, por isso a gente não pode votar somente porque um compadre ou um amigo de cachaça pediu para gente votar no amigo dele. A gente deve perguntar a quem quer ser deputado se ele sabe o que um deputado deve fazer, verificar se ele é uma pessoa que cumpre as suas palavras, se é uma pessoa que conhece o lugar e os problemas do lugar que a gente vive.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que cada habitante da nossa querida Zona da Mata Norte pense bem e vote em pessoas que dedicam a sua vida para melhorar a vida de todos nós.

 

Texto para os programas dos para os dias 10 e 11 de setembro 2010.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 81

 

NOSSA INDEPENDÊNCIA, NOSSO ANIVERSÁRIO

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Muitas vezes a vida parece como um círculo, uma volta constante que nos dá a impressão de estarmos sempre fazendo as mesmas coisas e, no entanto, a vida é sempre diferente. Todos os dias o sol põe fim à noite, nos tira do sono e saímos para nosso trabalho e parece que estamos a fazer as mesmas coisas, mas nós sabemos que cada dia é diferente daqueles que já vivemos. É muito comum que, a cada ano, reunamos alguns amigos e conhecidos para festejar o nosso aniversário, lembrar o dia em que nascemos. Na festa de nosso aniversário, nós comemoramos também tudo o que já vivemos, as coisas que nós criamos ao longo de nossas vidas. Talvez a nossa vida não tenha sido somente de alegrias, mas bem que nós ficamos felizes por todas as coisas que já fizemos e nossos amigos desejam que tenhamos muitos anos de vida.

Desfile de 7 de setembro de 2008 em Chã de Camará - foto de Ederlan Fábio

Desfile de 7 de setembro de 2008 em Chã de Camará - foto de Ederlan Fábio

Meus amigos, nesta semana nós estamos celebrando o aniversário do Estado Brasileiro, nós estamos celebrando a nossa separação de Portugal, é o aniversário do Brasil. E essa festa acontece todos os anos no dia Sete de Setembro.

Mas o que é o Brasil? Quem é o Brasil?

O Brasil é formado por uma população de quase duzentos milhões de pessoas, e elas vivem em um território de cerca de oito milhões de quilômetros quadrados. Essa é uma maneira de dizer quem é o aniversariante do dia Sete de Setembro. Também a gente pode dizer que o Brasil é um povo que continua a se formar, pois ainda não cresceu tudo o que pode; que tem uma história muito bonita e que vem se tornando cada vez mais bonita. É uma história cheia de lutas para que a vida venha se tornando melhor a cada ano, porque os brasileiros do passado lutaram para acabar com o trabalho escravo, muitos brasileiros do passado abriram as estradas nas quais andamos hoje, e todos nós sabemos que o Brasil não começou hoje nem da vontade de um homem só.

Cumpadre Zé - foto de ederlan Fábio

Cumpadre Zé - foto de ederlan Fábio

No aniversário do Brasil, no dia Sete de Setembro, nós cantamos o Hino Nacional em homenagem a todos os que viveram nos campos de agricultura, cuidaram das boiadas, construíram barcaças, pontes, túneis, derrubaram árvores, plantaram cana, criaram o Maracatu, o Frevo, o Samba. O Brasil não começou hoje, nem ninguém sozinho começou o Brasil. No dia Sete de Setembro nós comemoramos a construção coletiva do Brasil.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que o Brasil, que é cada um de nós e todos nós juntos, tenha muitos anos de vida, e que a festa de nosso aniversário seja cada ano mais bonita e alegre.

 

 FELIZ ANIVERSÁRIO!!!

 

Bumba meu boi

Bumba meu boi

 

 

 

 

 

 

 

Escrito para os para os programas dos dias 4 e 5 de setembro de 2010

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 80

NOSSA CULTURA É NOSSA HUMANIDADE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos

Com esta conversa de hoje nós terminaríamos de celebrar o mês da cultura, pois Agosto tem sido assim conhecido como o período do ano em que nós deveríamos pensar sobre a nossa cultura. É como se fosse o aniversário da cultura. Celebrar um aniversário é lembrar o dia em que nascemos, o momento que nos viram pela primeira vez; aquele foi o momento em que entramos em contato com a força da vida entrando pelas nossas narinas – pelas nossas ventas – e o ar, com oxigênio e gás carbônico nos fez gritar de dor. Foi nosso primeiro choro e fomos pegos pela mão de alguém que nos apresentou à nossa mãe e depois aos parentes. Naquele momento nós entramos em nosso primeiro e permanente contato direto com a cultura.

A cultura é criação dos seres humanos e nos tornamos humanos quando criamos o primeiro gesto, e ele pode ter sido o riso de alegria de uma mulher que escutou o choro de sua cria, de sua criança, para depois puxá-la para o peito e deixar-se sugar enquanto passa a mão carinhosamente sobre a frágil criatura que, nesses primeiros gestos vai se tornando humana.

Pulando Carfniça - Portinari

Pulando Carfniça - Portinari

Ser humano, meus amigos, é viver em um mundo de cultura, um mundo de regras, um universo de palavras que ouvimos e vai dando sentido a tudo que é visto, ouvido, sentido, saboreado. E de ver e ouvir, que aprendemos que uma cadeira é uma coisa cultural que foi criada para nos sentarmos e descansar depois de uma caminhada; de tanto ver, ouvir e cheirar é que aprendemos a gostar da diferença dos sabores da melancia e do melão; de tanto ver, ouvir, cheirar e tocar é que aprendemos a suavidade das rosas e da pele, e também a aspereza da casca da jaca enquanto gozamos com o sabor de seu bago. E tudo isso é cultura, como também é cultura saber que o chá de boldo serve para recuperar o fígado; que o suco do maracujá acalma, e que o lambedor que vovó prepara com erva-doce, mel, canela, hortelã e carinho cura todas as tosses e, graças a ele voltamos a correr na rua brincando de pega, jogando bola de gude, empinando papagaio, soltando a ponteira para o pião rodar e tantas outras brincadeiras, essas coisas que fazem a nossa cultura.

Uma cultura que se completa quando vamos estudar na escola e aprendemos que todos os povos têm brincadeiras e sociedades que, embora sejam diferentes, são parecidas com a nossa, pois todas as sociedades humanas são sociedades culturais.

Amigos, o PROGRAMA CANAVIAL celebra com todos os mestres e mestras da nossa cultura a alegria de criar diariamente a nossa humanidade na criação de nossa cultura.

 

Editorial para os programas dos dias 27 e 28 de agosto de 2010.

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ago/10

23

MÊS DA CULTURA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 79

MÊS DA CULTURA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Estamos celebrando, em todo este mês a Cultura. Houve um tempo que se dizia o Mês do Folclore, o dos costumes do povo. Antigamente não se dizia que o povo tem cultura, dizia-se que o “povo tem costume”. Se alguém quisesse ter cultura tinha que ir para a escola, estudar. A cultura, diziam se aprende nos livros.

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrla de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Acontece que quase nunca havia escolas e, nas poucas escolas que existiam, não havia biblioteca, ou seja, um lugar onde os livros ficam guardados esperando que as pessoas cheguem para tomá-los, lê-los, depois trazer de volta, dando oportunidade para que outras pessoas também tenham a possibilidade de ler a cultura que está no livro.

Mas a cultura não está só no livro, porque tudo que a gente faz é cultura. O jeito de fritar um ovo é cultura, da mesma forma que tocar “poica” ou violino, lavar os pratos e ter um sanitário decente também é cultura. São formas diferentes de cultura.

Meus amigos, nos livros a gente encontra um tipo de cultura. É lamentável que ainda haja muitas pessoas no Brasil que não sabem ler, e que por isso não acham que livros sejam importantes. É uma pena que a maioria das casas brasileiras não possua livros, mas isso é porque muita casa também não um banheiro decente e as cidades não possuem sistema de esgoto. Sim, ter um sistema de esgoto mostra que a cidade tem certo tipo de cultura. Vejam que interessante e lamentável: nas nossas cidades, a maioria dos bairros que não possue redes esgoto, e também não tem bibliotecas. Isso quer dizer que precisamos melhorar em muito o nosso nível cultural. Se as nossas cidades forem mais bem servidas esgotos vai diminuir o número de doenças; se as nossas cidades possuírem mais bibliotecas, as crianças, os jovens e adultos poderão desenvolver o gosto da leitura e isso irá melhorar a qualidade de nossas conversas.

Para terminar essa conversa de hoje, o PROGRAMA CANAVIAL pergunta: Será que alguém já ouviu algum desses candidatos que querem ser eleitos nessa eleição de outubro dizer, alguma vez, a palavra Biblioteca?

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

O PROGRAMA CANAVIAL quer lembrar que quem defende a cultura tem que pensar em bibliotecas em cada bairro de uma cidade.

 

Texto escrito para os programas  dos dias 20 e 21 de agosto de 2010

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jul/10

29

Agricultura – Agricultores

 

PROGRAMA CANAVIAL 

AGRICULTURA – AGRICULTORES

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Faz pouco mais de quinhentos anos que as terras de Pernambuco eram ocupadas por homens e mulheres que conheciam pouco da agricultura, mas os nossos antepassados indígenas já estavam praticando o processo do cultivo da mandioca e do algodão. Foi quando os portugueses chegaram e, pensando no interesse de aumentar a riqueza de Portugal, resolveram que, mesmo sendo uma terra boa para plantar qualquer tipo de vegetal, passaram a plantar principalmente a cana de açúcar.

Caminho no canavial

Caminho no canavial

 

 

 

 

 

 

 

Aqui havia muitas plantas, como a goiabeira, pitangueira, cajueiros, jabuticabeiras, umbuzeiro, e muitas outras arvores frutíferas trazidas do Oriente, como e o caso da mangueira, da jaqueira, ou vindo de outra parte da America, que e o caso do abacateiro. Era muito comum a gente encontrar essas arvores que formavam belos sítios e pomares em nossa região. O plantio da cana para produzir o açúcar para o consumo na Europa, trouxe também os africanos para fazer o trabalho de cultivar a cana e fazer os engenhos funcionarem, isso porque houve uma grande matança dos índios que lutaram para defender as suas terras e os seus costumes. Mas mesmo no tempo da escravidão havia homens e mulheres livres trabalhando nas terras, vivendo nos sítios, plantando mandioca, macaxeira, milho, cuidando dos animais que eram usados nos engenhos. Essas pessoas que trabalham na terra são os agricultores, os cultivadores da terra, os que sabem a cultura da terra.

Agricultor familiar

Agricultor familiar

A agricultora e uma atividade familiar e a agricultura familiar garante mais emprego do que a agricultura industrial, que e a agricultura da cana feita pelas usinas, ou pelas grandes empresas. Enquanto a agricultura empresarial emprega uma pessoa a cada 60 hectares, ela necessita de apenas nove hectares para gerar o mesmo emprego. Com o avanço dos canaviais para atender a necessidade da produção do açúcar e do álcool, a agricultura familiar tem diminuído e aumentado o numero de habitantes nas pontas de ruas de nossa cidade.

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

O Programa Canavial nessa nossa conversa de hoje esta comemorando o Dia do Agricultor, o dia 29 de julho. São esses agricultores de nossa região que, alem de cultivar os alimentos para o nosso corpo, criam a cultura que e o alimento de nossa alma.

 Para os programas dos dias 30 e 31 de julho de 2010

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jul/10

9

Nossa Escola, nosso Futuro

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 73

 

NOSSA ESCOLA, NOSSO FUTURO

Prof. Severino Vicente da Silva 

 

Meus amigos,

O Programa Canavial, como faz toda a semana quer conversar um pouco sobre o nosso futuro, pois sempre que conversamos sobre a nossa atual situação, ou mesmo quando conversamos sobre o nosso passado, sempre  estamos visando como será o nosso futuro. morte2be2bvida2bseverina

Houve um tempo em que a maior parte do povo brasileiro  não pensava sobre o futuro porque essa maior parte sabia que ia morrer cedo. E sabia disso porque uma das coisas que mais se fazia antigamente era levar “anjinhos” para o cemitério. Os mais jovens podem perguntar aos mais velhos como era comum a morte de meninos e meninas antes delas completarem um ano de idade. Hoje já vemos mais crianças crescendo, escapando da “morte Severina”, como disse um poeta. Essa é a “morte de velhice antes dos trinta, de bala antes dos vinte e de fome um pouco por dia”. Ele chamava de Morte Severina porque Severino e Severina eram nomes muito comuns aos pobres, por causa de São Severino do Ramo, um santo dos cortadores de cana. Mas, ainda vivemos uma vida que  nos mata logo, porque nos falta muita coisa. E entre essas coisas, está a educação. Tem a educação que a gente recebe na família e a educação que a gente recebe na escola.

Sala de aulaNo mundo em que vivemos é cada vez mais necessário e importante a educação escolar. É essa educação que pode nos garantir emprego, porque é ela que nos ensina a ler, escrever, fazer conta, falar bem e outros conhecimentos que são necessários nas empresas. E por essa razão que a gente não pode mais aceitar que nossos filhos entre e saiam da escola sem saber ler direito, sem saber fazer conta, sem saber escrever uma carta. No mundo de hoje as escolas devem ser de boa qualidade.

Esta semana foi publicado um retrato da qualidade das escolas no Brasil. E esse retrato não é bom. No Brasil, média da qualidade do ensino da 1ª a 5ª série é de 4.6; em Pernambuco essa média é de 4.1, e na Zona da Mata Norte a média da qualidade da escola é de 3.46, contando as escolas públicas e particulares. Esses números querem dizer que nossas escolas precisam melhorar, mas elas só irão melhorar se os pais dos alunos forem mensalmente nas escolas para saber como seus filhos estão se comportando e, se em casas cuidarem para que seus filhos estudem.

foto-de-familia-thumb1812137Claro que além de convidar os pais para ficarem atentos aos estudos dos seus filhos, o PROGRAMA CANAVIAL não esquece de lembrar que os prefeitos, os diretores de escolas e os professores também são responsáveis para melhorar a qualidade de nossas escolas.

 

 

Texto escrito para os programas dos dias 9 E10 de julho de 2010. 

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 Programa Canavial

 

Editorial 68  

A história da cidade na escola

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

 

Vez por outra escutamos, seja ouvindo rádio, seja acompanhando programas nas emissoras de televisão, que vivemos em um mundo globalizado. O globo terrestre ficou pequeno. O mundo, disse um canadense, virou  uma aldeia, um lugar onde todo mundo se conhece e cada um de nós pode saber o que está acontecendo, em qualquer lugar do mundo. De certa maneira, nós somos vizinhos de Barak Obama e podemos acompanhar um jogo na África do Sul com maiores detalhes do que podemos ter em uma pelada no campo de nossa cidade. Vivemos recebendo informações dos mais distantes lugares e, por essa razão, corremos o risco de não saber o que está acontecendo na esquina de nossa rua.

Centrro de Joanesburgo

Centrro de Joanesburgo

Agora que muitos de nós ficamos esperando o momento de começar os jogos promovidos pela Federação Internacional de Futebol, a Copa do Mundo da FIFA, observamos como, no início da programação, há sempre um resumo sobre a história do lugar onde vai ser realizado o jogo ou sobre os países cujas seleções irão jogar. É assim, nessas conversas, que nós aprendemos história deles. Se ficarmos atentos a essas informações, no final do campeonato saberemos muito mais do que os resultados dos jogos. Mas de tanto ouvir a história dos outros, a gente pode esquecer a da gente. Esse é um dos perigos da globalização.

Bem que a gente poderia utilizar essa técnica de ensino nas nossas escolas. Já pensou se, no início ou durante a aula, os professores sempre dissessem algo sobre a nossa cidade? No final da semana a gente saberia de mais detalhes de nossa cidade. A gente não aprende história apenas na aula de história. Cada professor ao fazer um comentário sobre a cidade está ensinando algo sobre a cidade. Mas para isso, é necessário que cada cidade tenha um livro da história da cidade e que cada professor receba, leia e use esse livro.

um professor uma sala

um professor uma sala

O Programa Canavial hoje quer perguntar a alunos, pais, professores, gestores de escolas, diretores ou secretários de educação e prefeitos: Será que as nossas escolas estão ensinando a história de nossa cidade? Nossa cidade tem um livro sobre as nossas tradições e a nossa história?

 Escrito para os programas dos dias 4 e 5 de junho 2010.

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