História e Canavial |

CAT | História

fev/11

17

As burrinhas de Carnaval

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 105 

AS BURRINHAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Nos dias de carnaval as ruas de nossas cidades ficam bem mais interessantes, pois nelas encontramos o passado delas, o nosso passado desfilando e nos fazendo sonhar e sorrir. Nos dias anteriores ao carnaval, já podemos encontrar crianças batendo lata acompanhando um urso e um caçador, aos gritos de “a La ursa quer dinheiro, quem não der é pirangueiro”, e, sem saber elas estão contando um tempo dos antepassados europeus, na Idade Média, que caçavam ursos e os levavam à feira para se divertirem. Pois é, nós não temos ursos, mas temos a brincadeira de uma das raízes formadoras da nossa cultura. E tem muito mais coisas que as ruas do carnaval nos ensinam de nossa história. Por exemplo, sabemos que o Maracatu de Baque Solto conta a vida e luta dos nossos antepassados indígenas que se tornaram caboclos para escapar da morte dos que lhes queriam tomar as terras. Por isso eles são guerreiros nessa luta simbólica. Mas no Maracatu Rural, como em outros brinquedos da Zona da Mata  e de outras partes do Brasil, tem um personagem interessante: a burrinha.

Quando passa o Maracatu, na frente vem o Bastião, a Catirina ou Catita e também a burrinha. Eles correm abrindo espaço para o Maracatu, e a Burrinha e com o seu relho põe os curiosos para mais distantes, abrindo espaço para os guerreiros e a tribo passar. A Burrinha é muito importante e está na construção da vida em todo o Brasil.

Uma vez escutei do meu querido Manuel Correia de Andrade, geógrafo que nasceu no engenho Jundiá, em Vicência, que nenhum animal foi mais importante na formação do Brasil que as mulas ou burros.  Eles são animais de forte ‘personalidade’ e difíceis de serem domados, mas são resistentes e por isso sempre foram usados para o transporte de cargas. Na nossa região, até pouco tempo, esses burros eram usados para transportar molhos da cana desde o canavial até os engenhos. Muitos homens trabalharam ao lado desses animais com cambiteiros, mesmos sem serem seus donos, pois elas pertenciam ao senhor de engenho que tomavam muito cuidado para que elas não fossem roubadas. Os caboclos mais velhos sabem da importância dessas burras.

As burras, vez por outra, eles empacavam e por teimosia não saiam do lugar, pois sua personalidade forte exige que sejam respeitadas e gostam de serem tratadas com carinho. Claro que no carnaval feito pelo povo as burrinhas encontraram seu lugar e são muito admiradas pelas crianças que gostam de brincar com elas, mesmo sabendo que elas saem correndo e pondo todo mundo a correr. As burrinhas são alegrias na frente das tribos de caboclos ou quando saem com um grupo tocando bombo, um tarol, um agogô, garrafas ou latas.

Da mesma forma que as burrinhas foram, e ainda são instrumentos dos homens para a construção da riqueza, nos nossos carnavais elas embelezam os dias de carnaval. Nas cidades dos canaviais sempre há algumas burrinhas que a cada ano saem a desfilar nas ruas das cidades. Em Goiana há muitos jovens que formaram grupos de percussão para acompanhar uma Burrinha. Lá a mais famosa burra atualmente é burra de Serginho que segue a tradição de Mestre Miguel e vem se tornando um símbolo do carnaval goianense.

O Programa Canavial nesta semana deseja homenagear todas Burrinhas de Carnaval que animam nossas cidades e fazem correr de susto e alegria as crianças, adocicando nossa existência, ao mesmo tempo que nos lembram as muitas jornadas nos canaviais de nossa terra. Viva as Burrinhas!!!!!

 

Para os programas dos dias18 e 19 de fevereiro de 2011

· ·

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL

 

O FREVO DE PERNAMBUCO TEM GOSTO DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Nós sabemos que a festa de Carnaval é uma festa de sentido religioso, desde os tempos mais antigos, começou muito tempo antes da existência do Brasil e dos brasileiros. Dizemos que “nós temos o melhor carnaval do mundo”, mas ele não é o mais antigo.

Alguns entendem que no começo foi uma festa para homenagear a fertilidade da terra e por isso se come e se bebe muito nesses dias de fartura, quando uma das principais figuras é o Rei Momo, um gordo sempre contente, risonho, com um copo de bebida em uma mão e um pedaço de carne na outra. O carnaval é um feriado em que a graça é ser diferente do que se é no resto do ano, é um período em que o mundo fica de cabeça para baixo, ou seja, muito diferente, tão diferente que ninguém se preocupa em trabalhar, mas apenas em se divertir. E esse desejo de diversão coletiva é quase uma necessidade depois de um ano de trabalho, sofrimento e seriedade. No carnaval tudo é brincadeira, prazer e alegria. É um período em que cada um pode ser um rei, ou seja, o carnaval é  um período em que todos podem se divertir, comer, beber, cantar e dançar.

E cada um inventa sua maneira de ser rei, ser palhaço, ser menino, ser o que quiser. E dança como quer e inventa dança e inventa música. Um das razões de o carnaval ser tão interessante é que cada um inventa o seu jeito de brincar e de ser feliz. Ninguém tem que imitar outra pessoa para ser reconhecida e apreciada. Por isso é que são criados tantos blocos, tantos clubes, tantas figuras, tantos sons, tantas batucadas, e tantas roupas diferentes. O Carnaval é a festa e o desfile da criatividade, diferente dos desfiles cívicos e das procissões, onde todos se vestem do mesmo jeito e andam e cantam do mesmo modo. No carnaval cada grupo dança como quer.

Em Pernambuco tem muitas maneiras de brincar carnaval, de dançar para mostrar a alegria e a vitalidade. Uma delas é conhecida como FREVO, uma maneira de dançar que foi sendo criada nas ruas estreitas do Recife desde o final do século XIX, mas que tomou esse nome no início do século XX. É uma dança guerreira, de homens e mulheres ocupando os espaços das ruas, acompanhando as bandas de música que tocavam dobrados militares, mas quando eram contratados para acompanhar os grupos de trabalhadores no período do carnaval, tocavam em compassos mais rápidos, fazendo com que as pessoas que escutavam a música inventassem maneiras de acompanhar a música com o movimento de seus corpos. A música ajudava a aquecer os corpos dos que seguiam a orquestra e todos como que sentiam o sangue ferver, ou “frever”. Assim é que no dia doze de fevereiro de 1907 apareceu a palavra frevo em um jornal do Recife, o Jornal Pequeno. Nesta semana se festeja o dia do Frevo, a música e dança do nosso carnaval, uma dança que depende da criação de cada dançante. E tem sido na Mata Norte de Pernambuco que se formaram grandes maestros de orquestra de frevo, os maiores arranjadores de nossa música como é o caso do Maestro Duda, nascido em Goiana, tendo estudado na Saboeira; o Maestro José Menezes, nascido em Nazaré da Mata;o Maestro Nunes, natural de Vicência.

Nesta semana, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que os dirigentes de nossas cidades voltem a apoiar as nossas orquestras para que floresçam novos maestros em nossas bandas.

   

Para os dias 4 e 5 de fevereiro de 2012.

· · · ·

jan/11

27

PREPARANDO O CARNAVAL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL

PREPARANDO O CARNAVAL

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

 

Estamos chegando ao final de janeiro e nos aproximando do período de preparação para a maior festa popular, a festa que põe o mundo de cabeça para baixo, a festa que faz a gente viver os mais estranhos sonhos, os sonhos em que os homens e mulheres mais pobres saem para a rua com o orgulho de serem chefes de tribos, nações, príncipes, princesas. O Carnaval é a festa que os deixa imaginar e viver o mundo em que a gente se sente importante.

O Carnaval é uma criação de todos, dos pobres, principalmente, e dos ricos. O Carnaval é uma festa em que todos podem participar, porque ela acontece na rua e não precisa de muita coisa. Faz uns cento e cinqüenta anos que os bailes de carnaval aconteciam apenas nos clubes e os pobres que ali entravam era apenas para trabalhar. Mas aí, quando foi acabando a escravidão no Brasil, os homens e as mulheres livres, muitos deles ex-escravos, começaram a sair para brincar nas ruas como a imaginação permitia. Uma coisa que ajudou muito a invenção do Carnaval no Brasil foi o fato que as pessoas que tocavam nas bandas que acompanhavam as procissões eram pobres, antigos escravos ou filhos de escravos. Os músicos que tocavam acompanhando as procissões, também tocavam nas bandas militares e começaram a acompanhar as pessoas que formaram alguns blocos para sair nas ruas durante os dias de carnaval. E o interessante é que muitos dos primeiros blocos eram organizados de acordo com a profissão ou o ofício das pessoas. O Clube Vassourinhas, tanto no Recife quanto em Olinda era o clube das pessoas que varriam as ruas; havia o Clube dos Lenhadores, cujo nome indica a profissão, e assim muitos outros. Na nossa região da Mata Norte, começou a aparecer grupos de índios, como a Tribo Cahetés, ainda em 1904. Por esse período, muitos homens dos sítios, sujavam a cara com carvão saiam vestidos de com as roupas de suas mulheres e viravam Catirinas e saiam de Jereré e ficaram conhecidos como Cambindas, talvez porque bebiam cachaça e tiravam o gosto da branquinha com essa piaba que a gente compra seca nas feiras de nossas cidades. Outros se vestiam de índios e viravam caboclos com suas lanças, fazia medo a muita gente. Assim foi nascendo o nosso carnaval, o Maracatu de Baque Solto.

O nosso carnaval deve ser preparado pelos nossos prefeitos e secretários cuidando para que todas as nossas tradições sejam respeitadas, tanto as mais novas, muitas que chegam só para ficar algumas horas, quanto as que são criadas pela imaginação da gente.

Meus amigos, o Programa Canavial deseja que as Sambadas dos nossos maracatus aconteçam com  muita alegria na preparação do nosso carnaval.

 

Para os dias 28 e 29 de janeiro de 2011

·

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 91

 

A MATA NORTE E A INDEPENDÊNCIA DE PERNAMBBUCO

 

Meus Amigos

Começamos o mês de novembro com duas festas religiosas do cristianismo católico, uma das muitas religiões praticadas em nosso país: uma em homenagem a todos os santos, àqueles que nós conhecemos pelo nome e a grande maioria totalmente desconhecida; a outra festa é uma homenagem a todos os que morreram, sendo uma oportunidade para visitar os locais onde repousam os restos mortais de pessoas que nós conhecemos ou pessoas que nos foram desconhecidas, mas que influenciaram de alguma maneira, a vida de nossas comunidades. Essas duas festas nos lembram que a história de nossas vidas não tem início quando nascemos ou quando assumimos alguma responsabilidade na sociedade. Nós e  nossa cultura, somos resultado do trabalho e da vida de muitos seres humanos que viveram antes de nós. Essas duas festas devem servir para que diminuamos a nossa dose de orgulho pessoal.

Mas em Pernambuco o mês de novembro tem outro acontecimento que merece outra festa que nos lembre o dia 11 de novembro de 1821. Foi no tempo em que o Brasil era um Reino unido ao Reino de Portugal. Os portugueses iniciaram um movimento na cidade do Porto, em Portugal, e pretendiam fazer o Brasil voltar a ser uma colônia. Governava Pernambuco o capitão Luiz do Rego Barro, fiel ao movimento português. Mas os pernambucanos da Mata Norte, especialmente de Limoeiro, Nazaré, Paudalho, Tracunhaém se organizaram e, com tropas também chegadas da Paraíba, se reuniram em Goiana, onde se formaram uma Junta Governamentativa e foram para o Recife confrontar o Capitão governador. Derrotado, o capitão Luiz do Rego Barro assinou a Convenção de Beberibe, e foi obrigado a deixar Pernambuco com as tropas portuguesas. Nunca mais Pernambuco foi governado por portugueses.

Meus amigos, o Programa Canavial, nesta semana deseja lembrar a Convenção de Beberibe de 1821, a independência de Pernambuco, e louvar os líderes da Mata Norte que apontaram o caminho para o Brasil ser Independente.

 

Para os programas dos dias 5 e 6 de novembro de 20010

· ·

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 81

 

NOSSA INDEPENDÊNCIA, NOSSO ANIVERSÁRIO

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Muitas vezes a vida parece como um círculo, uma volta constante que nos dá a impressão de estarmos sempre fazendo as mesmas coisas e, no entanto, a vida é sempre diferente. Todos os dias o sol põe fim à noite, nos tira do sono e saímos para nosso trabalho e parece que estamos a fazer as mesmas coisas, mas nós sabemos que cada dia é diferente daqueles que já vivemos. É muito comum que, a cada ano, reunamos alguns amigos e conhecidos para festejar o nosso aniversário, lembrar o dia em que nascemos. Na festa de nosso aniversário, nós comemoramos também tudo o que já vivemos, as coisas que nós criamos ao longo de nossas vidas. Talvez a nossa vida não tenha sido somente de alegrias, mas bem que nós ficamos felizes por todas as coisas que já fizemos e nossos amigos desejam que tenhamos muitos anos de vida.

Desfile de 7 de setembro de 2008 em Chã de Camará - foto de Ederlan Fábio

Desfile de 7 de setembro de 2008 em Chã de Camará - foto de Ederlan Fábio

Meus amigos, nesta semana nós estamos celebrando o aniversário do Estado Brasileiro, nós estamos celebrando a nossa separação de Portugal, é o aniversário do Brasil. E essa festa acontece todos os anos no dia Sete de Setembro.

Mas o que é o Brasil? Quem é o Brasil?

O Brasil é formado por uma população de quase duzentos milhões de pessoas, e elas vivem em um território de cerca de oito milhões de quilômetros quadrados. Essa é uma maneira de dizer quem é o aniversariante do dia Sete de Setembro. Também a gente pode dizer que o Brasil é um povo que continua a se formar, pois ainda não cresceu tudo o que pode; que tem uma história muito bonita e que vem se tornando cada vez mais bonita. É uma história cheia de lutas para que a vida venha se tornando melhor a cada ano, porque os brasileiros do passado lutaram para acabar com o trabalho escravo, muitos brasileiros do passado abriram as estradas nas quais andamos hoje, e todos nós sabemos que o Brasil não começou hoje nem da vontade de um homem só.

Cumpadre Zé - foto de ederlan Fábio

Cumpadre Zé - foto de ederlan Fábio

No aniversário do Brasil, no dia Sete de Setembro, nós cantamos o Hino Nacional em homenagem a todos os que viveram nos campos de agricultura, cuidaram das boiadas, construíram barcaças, pontes, túneis, derrubaram árvores, plantaram cana, criaram o Maracatu, o Frevo, o Samba. O Brasil não começou hoje, nem ninguém sozinho começou o Brasil. No dia Sete de Setembro nós comemoramos a construção coletiva do Brasil.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que o Brasil, que é cada um de nós e todos nós juntos, tenha muitos anos de vida, e que a festa de nosso aniversário seja cada ano mais bonita e alegre.

 

 FELIZ ANIVERSÁRIO!!!

 

Bumba meu boi

Bumba meu boi

 

 

 

 

 

 

 

Escrito para os para os programas dos dias 4 e 5 de setembro de 2010

No tags

ago/10

20

NOSSA PERSONALIDADE CULTURAL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 78

NOSSA PERSONALIDADE CULTURAL

Severino Vicente da silva

Meus amigos,

Neste mês de agosto, as nossas escolas costumam fazem algumas atividades que pretendem lembrar aos jovens a importância da cultura.  O mês de agosto é o mês da cultura, o mês da memória e das tradições. bola-de-gude-historiaÉ uma oportunidade para que sejam lembradas as brincadeiras do tempo da infância, pesquisar as histórias dessas brincadeiras; lembrar as danças e a história das danças, comidas, modos de fazer e usar as coisas no nosso dia a dia. Tudo isso é cultura. Mas porque temos um mês da cultura?

Cultura é tudo que nós, os seres humanos, criamos. O jeito de falar, de criar os filhos, a maneira de sentar, o modo de construir casas, de fazer festas. Cada povo, cada sociedade faz as mesmas coisas e, se a gente prestar bem atenção, a gente nota que, embora seja parecido, cada povo faz isso de maneira diferente. Essa maneira de fazer as coisas e de viver as emoções da vida é que caracteriza um povo. Essa é a sua cultura, ou seja, aquilo que o faz diferente de outro povo, doutra sociedade. A cultura de um povo, de uma cidade, de um país ou nação, é a sua personalidade, o seu caráter que foi formado ao longo da história.

Quantas vezes nós ouvimos, ou dizemos de algum conhecido, que está sempre mudando de opinião, que ele não tem personalidade. É uma crítica terrível, porque a gente está dizendo que aquela pessoa não presta atenção naquilo que diz nem naquilo que faz, até parece que não tem juízo, que perdeu o sentido da sua vida. Parece uma biruta, vai para onde o vento sopra, um “Maria vai com as outras”.  Assim é com o povo que não cuida de sua cultura: pode perder a sua personalidade, o sentido de sua existência.

Essa é uma das razões que as escolas e todos nós lembramos que o mês de agosto é o mês de pensar: nossa cidade está cuidando de sua cultura ou está ficando uma cidade biruta que vai para onde a onda do momento sopra.

Brincando de roda

Brincando de roda

O PROGRAMA CANAVIAL deseja que todos nós, crianças, jovens, adultos, professores, prefeitos, vereadores, vendedores, comerciantes, agricultores, todos nós cuidemos da cultura de nossa cidade, da personalidade de nossa cidade.

 Editorial dos programas dos dias 13 e 14 de agosto de 2010.

No tags

ago/10

5

Pensando o Dia dos Pais

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 77

 

Pensando o Dia dos Pais

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

Neste final de semana estaremos celebrando o Dia dos Pais. Embora o pai seja muito importante, essa data não é tão comemorada quanto do Dia das Mães, e a gente bem que pode se perguntar  de tentar entender qual a razão disso.

Dizem que nossa sociedade é patriarcal, ou seja, é uma sociedade em que o pai parece ter muita autoridade e poder. Entretanto, nesse programa de Bolsa Família, ficou decidido que o dinheiro não deveria ser entregue ao pai da família e sim à mãe. Uma das razões dessa decisão, é que os pais quando recebiam essa ajuda, primeiro iam tomar cachaça e jogar e, só levavam para casa o dinheiro que sobrava.  Se é que sobrava algum dinheiro. O pai que devia ser o protetor dos filhos, das filhas e da sua esposa que é a mãe de seus filhos, chegava em casa sem dinheiro e, sob o efeito da bebida, violento. E muitas vezes os pais abandonaram seus filhos que cresceram apenas com o amor da mãe. Claro que nem todo pai é desse jeito, mas talvez seja por isso que muitos pais não provocavam o amor dos filhos, mas o temor, o medo. E essa imagem foi se fixando na memória dos filhos e, lamentavelmente, os meninos quando crescem e pensam que já são homens e começam a agir como os seus pais ou os homens mais velhos. Era o exemplo que eles têm. Não é sem razão que o Dia dos Pais tenha menos celebração do que os outros dias. Mas a gente pode mudar isso. Os seres humanos são os únicos seres que podem mudar a realidade.

Meus amigos, às vezes penso que foi o tempo da escravidão que criou a cultura do marido e do pai violento; essa escravidão que os pais dos nossos bisavôs e nossas bisavós sofreram deixou marcas profundas em nossa cultura. Essa herança de violência e de achar que um homem deve ser sempre “brabo” e brigão é uma herança ruim. E essa herança que faz os filhos e as filhas terem medo do seu pai. Mas essa herança a gente não que ver continuar.

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

 

Neste final de semana que prepara a celebração para o dia dos Pais, O PROGRAMA CANAVIAL deseja que todos os pais procurem o abraço de seus filhos e deseja também que os pais sejam mais amorosos e carinhosos com os seus filhos e com a mãe de seus filhos.

FELIZ DIA DOS PAIS, para os pais e para os filhos.

 

 

 

 Editorial para os programas dos dias 06 e 07 de agosto de 2010.

No tags

mai/10

27

A Lei da Ficha Limpa

 

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 66

DIAS 21 e 22 DE MAIO 2010.

 

A LEI DA FICHA LIMPA

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

 

Nesta tarde nossa conversa, mais uma vez, sobre a criação de nossa democracia. A democracia é uma maneira de um povo ser governado por ele mesmo. No caso do Brasil, o povo se governa através de algumas pessoas que ele elegeu para representá-lo nas câmaras de vereadores, nas Assembléias Legislativas Estaduais e no Congresso Nacional, que é formado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado. Além de escolher pelo voto os vereadores, os deputados e os senadores, o povo escolhe também os seus prefeitos, os governadores e o presidente da República. E isso é muito importante, mas não é tudo.

O povo se governa acompanhando o trabalho dessas pessoas que ele elegeu, porque, pelo voto, o povo entregou uma procuração para que os eleitos tomassem algumas decisões em nome do povo. E atenção: as decisões devem ser em nome do povo e não contra o povo, contra os interesses dos eleitores. Mas o eleitor deve acompanhar aqueles que se oferecem para exercer os cargos públicos; o cidadão eleitor deve procurar saber qual é a conduta deles, se eles são bons cidadãos, ou se estão querendo assumir cargos políticos apenas para tirar benefícios para si e para seus amigos mais próximos.

Uma das frases horríveis que a gente escuta dizer em quase todas as esquinas é que “todo político calça 44 e é ladrão”. Não é bem assim. Tem muitos políticos honestos. A gente sabe que tem políticos que se dedicam ao povo e não são corruptos; mas a gente sabe que também tem os que roubam. Mas, atenção: esses que roubam só estão lá porque foram escolhidos pelos eleitores. É que as pessoas não procuraram saber direito quais as intenções deles, tem gente que vota sem saber em quem, e termina votando em candidato desonesto.

Pois bem. Para diminuir o número de políticos ruins, mais de dois milhões de eleitores brasileiros pediram, por escrito, para que fosse criada uma lei que não permitisse que uma pessoa condenada na justiça pudesse ser candidato em eleições. Mesmo sem muita querência, os deputados e os senadores criaram essa lei esta semana: a Lei da Ficha Limpa. Agora só depende da assinatura do atual presidente da república para que essa lei já vogue nesta eleição que vai acontecer em outubro. Assim, a gente já vai ver desaparecer algumas pessoas pararem de ser candidato e enganar o povo.

É assim, com essas ações que nós vamos tornando melhor a nossa democracia.

O Programa Canavial deseja que a Lei da Ficha Policial Limpa, aprovada no Congresso Nacional, seja assinada pelo presidente da república e a gente possa votar em candidatos que são cidadãos honestos.

No tags

  

13 DE MAIO: UMA ALEGRIA INCOMPLETA

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes

Há dois grandes momentos no nosso ano escolhidos para que pensemos um pouco no processo que passamos para sermos os trabalhadores que somos hoje. Dois dias do ano, o dia 20 de novembro e o dia 13 de Maio foram estabelecidos para que não nos esqueçamos, jamais, de como foi construído o Brasil.  Essas duas datas acontecem a cada seis meses, e elas celebram, cada uma a seu modo, o processo de superação do sistema de trabalho escravo, utilizado durante muito tempo, para se produzir as riquezas necessárias para a vida social.

Violência escravocrata

Violência escravocrata

Esse sistema escravo foi o ponto mais alto da exploração do homem pelo homem. Quando um grupo de homens e mulheres decidiu escravizar outros grupos de homens e mulheres, eles pretenderam transformar aqueles homens e mulheres em animais, em objetos de suas vontades, em máquinas. Uma vez escutei de meus parentes mais velhos a expressão: “quem é escravo não ama”, e isso foi dito por pessoas cujos parentes mais velhos haviam sido escravos. Por experiência, meus parentes mais velhos, como os parentes de muitos que estão ouvindo essas palavras agora, entenderam que os donos de escravos não reconheciam que aqueles homens, mulheres e aquelas crianças tinham sentimentos, paixões, desejos de carinhos e de amor, desejos de ser livres. Mas nossos antepassados desejavam ser livres, e lutaram de muitas maneiras para acabar com a prática da escravidão. A escravidão foi vencida pela luta de muitos escravos, de filhos de ex-escravos como José do Patrocínio, André Rebouças, Luiz Gama e também filhos de senhores de engenho, como Joaquim Nabuco.

Joaquim Nabuco

Joaquim Nabuco

O dia 13 de Maio é a data cívica que lembra um resultado dessa luta e o momento quase final dessa luta.  No ano de 1888, a Princesa Isabel assinou um documento bem simples, com poucas palavras, que proibia, a partir daquele dia, a prática da escravidão no Brasil. Essa lei foi escrita por João Alfredo, que nasceu aqui na Zona da Mata Norte e era dono de engenhos, e ela ficou conhecida como Lei de Ouro ou Lei Áurea. Todos os povos que haviam sido escravos ficaram alegres. As Pretinhas do Congo ainda cantam um verso, que também é cantado nos terreiros espirituais, e ele diz assim:        

13 de maio o galo cantou

Catarina tava sambando

Quando a policia chegou

Samba nego, branco não vem cá

Festa e dança do Lundu

Festa e dança do Lundu

Mas, a Lei de Ouro não cuidou de organizar o trabalho livre, não cuidou de abrir escolas, não cuidou de garantir serviço de saúde para os novos cidadãos brasileiros. Por isso é que a gente diz que é necessário completar a lei do dia 13 de maio. Por isso a gente tem que continuar com o espírito dos Abolicionistas junto com o espírito de Zumbi dos Palmares e Malunguinho.

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares

Editorial escrito para o Programa Canavial dos dias 7 e 8 de maio de 2010.

No tags

Theme Design by devolux.nh2.me