História e Canavial |

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 100

15 DE JANEIRO DE 1685 – VILA DE GOIANA, CABEÇA DA CAPITANIA DE ITAMARACÁ

Severino Vicente da Silva

 

 

Meus amigos,

A Nação Cultural Pernambuco tem muitas vertentes, e todas elas estão repletas de criatividade, de bravura, solidariedade, ternura, músicas, ritmos, crenças, lugares sagrados, tudo sendo resultado de ações de homens e mulheres enquanto criavam seus filhos e filhas. As regiões geográficas de Pernambuco se confundem com as regiões culturais e, cada uma dessas regiões parece ter uma ou duas cidades símbolos. Assim, quando dizemos a palavra Sertão, é quase certo que nos vem à cabeça nomes como Petrolina, Exu, Serra Talhada.  Se dissermos Agreste Pesqueira, Garanhuns, Caruaru, Limoeiro e Surubim logo são lembradas. Litoral é região que lembra Olinda, Recife, Ponta de Pedras, Porto de Galinhas. E quando a palavra é Zona da Mata, no sul é Palmares e no Norte é Nazaré, Timbaúba, Vicência e Goiana.

Cada uma dessas cidades tem um mundão de histórias, e os homens e as mulheres criaram o tempo e o dividiram em semanas, meses, anos e séculos. Os seres humanos contam suas vidas contando os dias que vivem e lembrando alguns desses dias como momento a ser lembrado, que marca o início de um novo tempo.  Tem quem chame esses dias especiais como sendo datas históricas.

Meus amigos, o editorial de hoje quer se interessar por uma data histórica e importante para toda a Zona da Mata Norte, pois essa data, 15 de janeiro, nos lembra que no ano de 1685, Goiana passa a ser considerada uma vila, passando a ser a capital ou cabeça da Capitania de Itamaracá. E a Zona da Mata Norte era parte da Capitania de Itamaracá. Ao considerar Goiana como Vila – cidade – o governo do Império Português reconhecia a importância daquele povoado que vinha crescendo desde 1540. Pode-se dizer que o 15 de janeiro deve ser considerado um aniversário de Goiana como Cidade. O Programa Canavial Parabeniza Goiana por essa data, por ser uma das mais antigas cidades do Brasil. Goiana, Cabeça da Capitania de Itamaracá, cidade que deu origem a muitas cidades da Zona da Mata de Pernambuco. Parabéns à Goiana dos Caboclinhos.

Para os programas dos dias 14 e 15 de janeiro 2011.

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dez/10

9

Nossa Cultura nas Escolas

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 95

 

Nossa Cultura nas Escolas

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Estamos começando o mês de dezembro e nele acontece a festa de natal. Essa palavra lembra outra, nascimento. A cada mês de dezembro fazemos uma festa para lembrar o nascimento de uma criança que foi apontada como sinal de contradição por trazer alegrias e sofrimentos a muitos. A festa de 25 de dezembro lembra uma criança que nasceu sem uma casa, junto a animais e visitada por gente muito simples, pastores e reis encantados com a tranqüilidade de uma mulher e homem felizes por estarem continuando a obra da criação divina.

Em nossa região da Mata Norte, neste ano, a festa do Menino Jesus parece que vai começando mais cedo. Em Goiana está sendo realizado o Primeiro Encontro Infantil de Cultura Popular da Zona da Mata. Uma das idéias básicas do projeto é debater a relação entre a cultura que as crianças aprendem nos terreiros, quintais, nas salas de suas casas e a cultura que elas aprendem nas escolas que freqüentam. O professor Paulo Freire costumava dizer que quando uma pessoa vai para a escola ela já sabe muita coisa: ela já sabe falar português, sabe o significado de muitas palavras, sabe dançar, carregar água, ajudar a lavar os pratos e muita coisa que aprendeu antes de ir para a escola. Mas acontece que nem sempre as pessoas que trabalham nas escolas não levam esses conhecimentos em consideração, não seguem o ensinamento do professor Paulo Freire que dizia que, a gente, primeiro deve considerar o que é o aluno já sabe para, começar do lugar onde ele está.

Ora, meus amigos, na nossa região muitos meninos já são mestres de algumas brincadeiras, sabem tocar bage, sabem versos do Cavalo Marinho, sabem tocar triângulo, responder ciranda, dançar de caboclo. Tem até deles que são poliglotas, ou seja, falam outra língua além do português, pois alguns freqüentam terreiros de Xangô ou Jurema e sabem expressões da língua nagô. E esse Primeiro Encontro Infantil de Cultura Popular da Zona da Mata está discutindo como fazer para que a cultura que nós aprendemos de nossos avós e pais, essa cultura que ensinamos a nossos filhos, pode também ser ensinada nas escolas, porque é com ela que o Brasil tem sido construído.

E é assim que o Programa Canavial começa o mês de dezembro, parabenizando o pessoal que, em Goiana, está procurando maneiras de fortalecer a nossa cultura nas escolas freqüentadas por nossas crianças, de maneira que as escolas reconheçam os saberes que os pequenos mestres da cultura aprenderam com os mestres da sabedoria popular.

 

Para os dias 10 e 11 de dezembro de 2010.

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jul/10

9

Nossa Escola, nosso Futuro

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 73

 

NOSSA ESCOLA, NOSSO FUTURO

Prof. Severino Vicente da Silva 

 

Meus amigos,

O Programa Canavial, como faz toda a semana quer conversar um pouco sobre o nosso futuro, pois sempre que conversamos sobre a nossa atual situação, ou mesmo quando conversamos sobre o nosso passado, sempre  estamos visando como será o nosso futuro. morte2be2bvida2bseverina

Houve um tempo em que a maior parte do povo brasileiro  não pensava sobre o futuro porque essa maior parte sabia que ia morrer cedo. E sabia disso porque uma das coisas que mais se fazia antigamente era levar “anjinhos” para o cemitério. Os mais jovens podem perguntar aos mais velhos como era comum a morte de meninos e meninas antes delas completarem um ano de idade. Hoje já vemos mais crianças crescendo, escapando da “morte Severina”, como disse um poeta. Essa é a “morte de velhice antes dos trinta, de bala antes dos vinte e de fome um pouco por dia”. Ele chamava de Morte Severina porque Severino e Severina eram nomes muito comuns aos pobres, por causa de São Severino do Ramo, um santo dos cortadores de cana. Mas, ainda vivemos uma vida que  nos mata logo, porque nos falta muita coisa. E entre essas coisas, está a educação. Tem a educação que a gente recebe na família e a educação que a gente recebe na escola.

Sala de aulaNo mundo em que vivemos é cada vez mais necessário e importante a educação escolar. É essa educação que pode nos garantir emprego, porque é ela que nos ensina a ler, escrever, fazer conta, falar bem e outros conhecimentos que são necessários nas empresas. E por essa razão que a gente não pode mais aceitar que nossos filhos entre e saiam da escola sem saber ler direito, sem saber fazer conta, sem saber escrever uma carta. No mundo de hoje as escolas devem ser de boa qualidade.

Esta semana foi publicado um retrato da qualidade das escolas no Brasil. E esse retrato não é bom. No Brasil, média da qualidade do ensino da 1ª a 5ª série é de 4.6; em Pernambuco essa média é de 4.1, e na Zona da Mata Norte a média da qualidade da escola é de 3.46, contando as escolas públicas e particulares. Esses números querem dizer que nossas escolas precisam melhorar, mas elas só irão melhorar se os pais dos alunos forem mensalmente nas escolas para saber como seus filhos estão se comportando e, se em casas cuidarem para que seus filhos estudem.

foto-de-familia-thumb1812137Claro que além de convidar os pais para ficarem atentos aos estudos dos seus filhos, o PROGRAMA CANAVIAL não esquece de lembrar que os prefeitos, os diretores de escolas e os professores também são responsáveis para melhorar a qualidade de nossas escolas.

 

 

Texto escrito para os programas dos dias 9 E10 de julho de 2010. 

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 Programa Canavial

 

Editorial 68  

A história da cidade na escola

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

 

Vez por outra escutamos, seja ouvindo rádio, seja acompanhando programas nas emissoras de televisão, que vivemos em um mundo globalizado. O globo terrestre ficou pequeno. O mundo, disse um canadense, virou  uma aldeia, um lugar onde todo mundo se conhece e cada um de nós pode saber o que está acontecendo, em qualquer lugar do mundo. De certa maneira, nós somos vizinhos de Barak Obama e podemos acompanhar um jogo na África do Sul com maiores detalhes do que podemos ter em uma pelada no campo de nossa cidade. Vivemos recebendo informações dos mais distantes lugares e, por essa razão, corremos o risco de não saber o que está acontecendo na esquina de nossa rua.

Centrro de Joanesburgo

Centrro de Joanesburgo

Agora que muitos de nós ficamos esperando o momento de começar os jogos promovidos pela Federação Internacional de Futebol, a Copa do Mundo da FIFA, observamos como, no início da programação, há sempre um resumo sobre a história do lugar onde vai ser realizado o jogo ou sobre os países cujas seleções irão jogar. É assim, nessas conversas, que nós aprendemos história deles. Se ficarmos atentos a essas informações, no final do campeonato saberemos muito mais do que os resultados dos jogos. Mas de tanto ouvir a história dos outros, a gente pode esquecer a da gente. Esse é um dos perigos da globalização.

Bem que a gente poderia utilizar essa técnica de ensino nas nossas escolas. Já pensou se, no início ou durante a aula, os professores sempre dissessem algo sobre a nossa cidade? No final da semana a gente saberia de mais detalhes de nossa cidade. A gente não aprende história apenas na aula de história. Cada professor ao fazer um comentário sobre a cidade está ensinando algo sobre a cidade. Mas para isso, é necessário que cada cidade tenha um livro da história da cidade e que cada professor receba, leia e use esse livro.

um professor uma sala

um professor uma sala

O Programa Canavial hoje quer perguntar a alunos, pais, professores, gestores de escolas, diretores ou secretários de educação e prefeitos: Será que as nossas escolas estão ensinando a história de nossa cidade? Nossa cidade tem um livro sobre as nossas tradições e a nossa história?

 Escrito para os programas dos dias 4 e 5 de junho 2010.

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