História e Canavial |

CAT | Ponto de Cultura

Como todos os sábados, chego ao Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança para acompanhar as ações do Ponto de Leitura. Os vinte jovens, desde os quatro anos até aquele que está com dezesseis anos, dividem-se em três grupos sob a orientação de Wanessa, Manuela, Daniela e Érica. O Tema geral deste mês a busca da compreensão de que o Brasil precisa desenvolver a sua consciência de que parte de sua cultura está ligada à tradições vindas da África, trazidas por vários povos que foram vendidos para serem escravos no Brasil. Para termos uma consciência brasileira é necessário que desenvolvamos uma consciência de somos, também, negros africanos. Enquanto os trabalhos ocorriam em lugares diversos, os mais velhos estavam sentados à sombra de uma jaqueira, conversando sobre a travessia dos navios tumbeiros; os menores ocuparam uma das salas da Biblioteca Mestre Batista e conversavam sobre como as máscaras podem ser feitas e as faziam, eu fui analisar os novos livros que chegaram para o nosso acervo. Folheando, analisando os temas fui surpreendido pelo exemplar que nos foi enviado pelo Museu da Pessoa, que está em São Paulo, MEMÓRIAS DE BRASILEIROS, UMAS HISTÓRIA EM TODOS OS CANTOS, contando muitas Histórias de pessoas, depoimentos de gente que está construindo o Brasil. O livro foi editado em 2008. Na parte dedicada a Pernambuco tem a história de Paulo Freire, Suzane Brust, Vanere Almeida e José Bernardo da Silva, o Mestre Zé Duda do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Nesta quinzena está ocorrendo o Festival Canavial, que põe juntos artistas da nossa região e artistas de visibilidade no mercado cultural comercial. É uma oportunidade para nos contrapormos às tendências artísticas de apelo dito “popular”, mas repetição criativa nem sempre de boa qualidade ou que estimule um aperfeiçoamento dos espíritos e das boas tradições. Hoje à noite ocorrerá a apresentação de filmes de animação, criação de jovens que freqüentam oficinas organizadas pelo Ponto de Cultura Cinema de Animação da cidade Igarassu. Assim abrimos veredas para a imaginação e apontamos novos caminhos à beira dos canaviais de Aliança. Ver o depoimento de Mestres da Cultura brasileira, ler suas memórias em livros que podem ser acessados nos diversos espaços nacionais, é sempre uma vereda para a criação de novas interpretações da história do Brasil

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 104

OS BLOCOS DAS VITÓRIAS DE NOSSOS CANAVIAIS

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

A semana passada nós conversamos um pouco sobre a música e a dança que tem um significado especial para os pernambucanos: o frevo. Inventado e crescido nas ruas do Recife, diferentemente do que muitos pensam essa dança e esse ritmo não ficou preso nas ruas da capital. Se um dia alguém for estudar onde o frevo é tocado e dançado em Pernambuco, vai anotar, em seu livro, nomes de cidades de todas as regiões de Pernambuco. É que esse ritmo de liberdade foi sendo espalhado pelo território pernambucano nos trilhos dos trens. Pernambuco inteiro dança o frevo que é uma dança da liberdade republicana, como as principais e mais vivas tradições pernambucanas, como é o caso do Maracatu Rural que vem crescendo em número a cada ano, apesar dos prefeitos e governadores preferirem transferir a renda dos municípios e do estado para as bandas eletrônicas ao invés de apoiarem as orquestras e os clubes da região. É claro que precisamos trazer artistas e bandas de fora para que possamos trocar experiências e ter novos conhecimentos, mas é necessário que haja uma melhor paga aos artistas locais e da região. A globalização não significa apenas receber o que vem de fora, mas é também fortalecer o que temos para poder mostrar o que somos.

Não é segredo para ninguém que “quando o povo decide cair na frevança, não há quem dê jeito, agüenta o rojão, fica sem comer, mas no fim, tá tudo ok” já explicava o grande maestro Nelson Ferreira no frevo-canção O Bloco da Vitória. Quando ele escreveu esses versos estava havendo importantes mudanças na vida social e política do Brasil e essas mudanças terminam por aparecer na criação cultural.

Em 1962, pelo Acordo do Campo, pela primeira vez os cortadores de cana passaram a receber o salário mínimo. Isso quer dizer que os cortadores de cana podiam se libertar do barracão do engenho e da usina. Foi o primeiro acordo assinado entre os trabalhadores e os donos das terras. Era quase um novo treze de maio, pois agora o trabalhador sabia que podia escolher onde e o que comprar. Era a liberdade e o começo de um novo tempo de alegria, embora os problemas continuassem existindo. Mas a alegria fez aparecer muitos blocos no carnaval de 1963. Eram blocos que saiam dos povoados dos engenhos, saiam tocando uma marcha acelerada, com uma caixa, um zabumba e uma sanfona. Era a época das Caravanas que iam de engenho a engenho para alegrar e divertir.  A maior parte desses blocos deixou de existir. Mas em Tracunhaém tem o Bloco Rural Andaluza que foi criado no Engenho dos Abreus no ano de 1963. Ainda sob o comando do Mestre Emeliano, o Bloco Andaluza faz a alegria de Tracunhaém e de outras cidades da Mata Norte.

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

O Programa Canavial desta semana homenageia o Bloco Rural Andaluza nos seus 47 anos de lutas e glórias, ao mesmo tempo em que lembra aos prefeitos e a todos os cidadãos da Zona da Mata Norte que é nossa obrigação apoiar os artistas que fazem a alegria de nossos carnavais.

 

Para os dias 11 e 12 de fevereiro de 2011

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set/10

16

162 anos da Curica

 

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 83

 

162 ANOS DA CURICA

Severino Vicente da Silva

 

Curica de cabeça azul

Curica de cabeça azul

Meus amigos,

Corria o ano de 1848 e a Província de Pernambuco estava em revolta política que ficou conhecida como Revolução Praieira. Aquela revolução teve grandes momentos ligados a nossa região da Mata Norte. Um dos principais líderes foi Joaquim Nunes Machado, nascido em Goiana e primeiro Juiz de Direito da Comarca de Goiana, homem de respeito e homenageado até os dias de hoje por sua honestidade, bravura e civilidade.

Meus amigos, essa revolução que ocorreu a 162 anos é uma das marcas pernambucanas na História do Brasil e, sobre muitos aspectos é importante para nós. Um dos aspectos é que a Revolução Praieira fez surgir a Sociedade Musical Curica, a mais antiga banda musical em atuação em toda a América Latina. Como nós todos sabemos, a nossa região é muito rica em talentos artísticos, e na música, ainda mais. Praticamente todas as nossas cidades têm suas orquestras, suas bandas. De alguma maneira todas devemos olhar para a Sociedade Musical Curica como mãe de todas as demais. E a Curica nasceu para celebrar os praieiros, os artesões brasileiros, os trabalhadores que são também artistas.

Artesões do som e da alegria, criadores de música e de sonhos, na semana passada a Curica completou 162 anos de idade em sua sede social; recebeu amigos e os parentes dos seus músicos, celebrando a alegria de estar saindo de uma situação crítica, comemorando o seu aniversário com novos instrumentos, graças a união e ao trabalho que vem sendo realizado pela sua Diretoria, re-eleita e empossada no sábado passado.

O Programa Canavial, nesta semana convida todos os moradores de nossas cidades a prestar homenagem a Curica, reconhecida  como PARTRIMÔNIO IMATERIAL DA CULTURA PERNAMBUCANA. Viva a Curica, Vivam os músicos da nossa terra.

 

Texto escrito para os programas dos dias 17 e 18 de setembro 2010

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PROGRAMA CANAVIAL

 EDITORIAL 70

MOVIMENTO CANAVIAL PARA ALÉM DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

Na semana passada nosso programa vibrou de alegria por que as cidades de Goiana e Tracunhaém ganharam novos Pontos de Cultura, e isso significa muito para nossa região. Cada atividade cultural existente que é reconhecida como Ponto de Cultura tem a possibilidade de provocar melhorias na vida das pessoas envolvidas. Ser escolhido como Ponto de Cultura já indica que o grupo está organizado e reconhecido. Por isso recebe apoio e passa a ter uma maior autonomia para realizar as ações necessárias para alcançar os seus objetivos. E nessa tarefa as pessoas aprofundam a idéia de que só estando organizados e cooperando é que novos caminhos serão abertos para o grupo, para as pessoas que formam o grupo e, as cidades ganham com isso.

Maracatu Estrela de Ouro na Feira Brasil Rural Contemporâneo. Porto Alegre, maio de 2010

Maracatu Estrela de Ouro na Feira Brasil Rural Contemporâneo. Porto Alegre, maio de 2010

Os Pontos de Cultura ajudam as pessoas e as cidades a mudarem seus comportamentos e seus desejos. No mês de maio, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, que é Ponto de Cultura, enviou para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de caboclos e baianas para participar da VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, promovido pelo Ministério do desenvolvimento Agrário. No fim de semana passada, o Mamulengo do Mestre Calou de Vicência; o Maracatu Estrela de Tracunhaém; o Caboclinho Tapuya Canidé de Goiana; o Maracatu Coração Nazareno e o Maracatu Leão Misterioso de Nazaré da Mata; Ítalo Pay, de Goiana, e vários grupos culturais da nossa região se apresentaram na a Mostra do Festival Canavial no Parque do Carmo na cidade de Olinda. A que contou ainda com a presença de Jorge Mautner e Jacobina de São Paulo e Afonjah, do Rio de Janeiro, que juntamente como o Terno do Maracatu Estrela de Ouro e o Mestre Duda, estão realizando o projeto Kaosnavial. Nesta semana, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança continua a sua participação na Feira Brasil Rural Contemporâneo, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, agora em Brasília. Todas essas ações só são possíveis quando nós nos ajudamos e colaboramos com os nossos. Essa é a Rede Cultural da Zona da Mata Norte, balançando a cultural do Canavial.

Mestre Calou e seus babaus na Mostra Canavial, Olinda, junho 2010. foto de Biu Vicente

Mestre Calou e seus babaus na Mostra Canavial, Olinda, junho 2010. foto de Biu Vicente

Este PROGRAMA CANAVIAL que parabenizar a todos os Pontos de Cultura que fazem parte desse Movimento Canavial, que está animando os criadores e re-criadores da nossa cultura, essa que nós criamos aqui na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

 

Editorial escrito para os programas dos dias  18 e 19 de junho de 2010.

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jun/10

10

                                                PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 69 

 

PONTOS DE CULTURA DA MATA NORTE

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

Nós temos dito neste PROGRAMA CANAVIAL que a gente pernambucana é bem criativa e sua criatividade sempre busca realizar o maior desejo dos homens: a liberdade de ser. E nós do PROGRAMA CANAVIAL estamos felizes porque novos Pontos de Cultura são reconhecidos na nossa região da Mata Norte.

Na cidade de Goiana, a CURICA, orquestra que tem sido ponto de cultura desde o século XIX, formadora de músicos clássicos e populares, a CURICA representante de importante setor da cidade do herói  Nunes Machado, foi reconhecida como Ponto de Cultura.

Visão do Baldo do Rio - foto de Biu Vicente

Visão do Baldo do Rio - foto de Biu Vicente

Também, ali, na Baldo do Rio da cidade de Goiana, AS PRETINHAS DO CONGO, que desde os anos trinta do século XX vem guardando, mantendo e renovando a cultura brasileira de origem africana, também foi reconhecido como PONTO DE CULTURA. Está de parabéns a cultura goianense por mais essa conquista que se encontra no Pátio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Goiana.

 

E na tradicional Tracunhaém, parte viva da nossa história desde o século XVII, recebeu o reconhecimento do importante PONTO DE CULTURA DA ANDALUZA, bloco que mantém e cultiva uma das mais belas tradições dos carnavais matutos do século XX, contemporâneo dos primeiros maracatus. Hoje O Bloco Andaluza é o único representante desse brinquedo que encantava o carnaval de nossas cidades. Agora, como Ponto de Cultura podemos imaginar o florescimento dessa linda brincadeira.

Além disso, o PROGRAMA CANAVIAL está em festa pois nos dias 11 e 12 de junho está ocorrendo uma Mostra do Festival Canavial no Parque do Carmo, na cidade de Olinda.

 

Editorial escrito para o programa dos dias 11 e 12 de junho de 2010

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