História e Canavial |

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fev/11

17

As burrinhas de Carnaval

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 105 

AS BURRINHAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Nos dias de carnaval as ruas de nossas cidades ficam bem mais interessantes, pois nelas encontramos o passado delas, o nosso passado desfilando e nos fazendo sonhar e sorrir. Nos dias anteriores ao carnaval, já podemos encontrar crianças batendo lata acompanhando um urso e um caçador, aos gritos de “a La ursa quer dinheiro, quem não der é pirangueiro”, e, sem saber elas estão contando um tempo dos antepassados europeus, na Idade Média, que caçavam ursos e os levavam à feira para se divertirem. Pois é, nós não temos ursos, mas temos a brincadeira de uma das raízes formadoras da nossa cultura. E tem muito mais coisas que as ruas do carnaval nos ensinam de nossa história. Por exemplo, sabemos que o Maracatu de Baque Solto conta a vida e luta dos nossos antepassados indígenas que se tornaram caboclos para escapar da morte dos que lhes queriam tomar as terras. Por isso eles são guerreiros nessa luta simbólica. Mas no Maracatu Rural, como em outros brinquedos da Zona da Mata  e de outras partes do Brasil, tem um personagem interessante: a burrinha.

Quando passa o Maracatu, na frente vem o Bastião, a Catirina ou Catita e também a burrinha. Eles correm abrindo espaço para o Maracatu, e a Burrinha e com o seu relho põe os curiosos para mais distantes, abrindo espaço para os guerreiros e a tribo passar. A Burrinha é muito importante e está na construção da vida em todo o Brasil.

Uma vez escutei do meu querido Manuel Correia de Andrade, geógrafo que nasceu no engenho Jundiá, em Vicência, que nenhum animal foi mais importante na formação do Brasil que as mulas ou burros.  Eles são animais de forte ‘personalidade’ e difíceis de serem domados, mas são resistentes e por isso sempre foram usados para o transporte de cargas. Na nossa região, até pouco tempo, esses burros eram usados para transportar molhos da cana desde o canavial até os engenhos. Muitos homens trabalharam ao lado desses animais com cambiteiros, mesmos sem serem seus donos, pois elas pertenciam ao senhor de engenho que tomavam muito cuidado para que elas não fossem roubadas. Os caboclos mais velhos sabem da importância dessas burras.

As burras, vez por outra, eles empacavam e por teimosia não saiam do lugar, pois sua personalidade forte exige que sejam respeitadas e gostam de serem tratadas com carinho. Claro que no carnaval feito pelo povo as burrinhas encontraram seu lugar e são muito admiradas pelas crianças que gostam de brincar com elas, mesmo sabendo que elas saem correndo e pondo todo mundo a correr. As burrinhas são alegrias na frente das tribos de caboclos ou quando saem com um grupo tocando bombo, um tarol, um agogô, garrafas ou latas.

Da mesma forma que as burrinhas foram, e ainda são instrumentos dos homens para a construção da riqueza, nos nossos carnavais elas embelezam os dias de carnaval. Nas cidades dos canaviais sempre há algumas burrinhas que a cada ano saem a desfilar nas ruas das cidades. Em Goiana há muitos jovens que formaram grupos de percussão para acompanhar uma Burrinha. Lá a mais famosa burra atualmente é burra de Serginho que segue a tradição de Mestre Miguel e vem se tornando um símbolo do carnaval goianense.

O Programa Canavial nesta semana deseja homenagear todas Burrinhas de Carnaval que animam nossas cidades e fazem correr de susto e alegria as crianças, adocicando nossa existência, ao mesmo tempo que nos lembram as muitas jornadas nos canaviais de nossa terra. Viva as Burrinhas!!!!!

 

Para os programas dos dias18 e 19 de fevereiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 99

Para os dias 7 e 8 de janeiro de 2011.

PREPARANDO AS ESCOLAS DE NOSSOS FILHOS

Severino Vicente da Silva

 

 

Meus amigos

Estamos a começar um novo ano, um novo período de nossa vida, e devemos vivê-la em todas as suas possibilidades. E um bom começo é verificar o que está acontecendo em nossas cidades. Vamos ficar atentos para saber se as escolas estão sendo limpas e preparadas para receber nossos filhos. Isso quer dizer que este é o momento em que os secretários de educação devem se reunir com os diretores das escolas e verificar se há cadeiras e mesas em quantidade suficiente e em boas condições de uso; observar se as instalações sanitárias estão funcionando corretamente e se a biblioteca da escola está sendo renovada. É também importante verificar se a área de recreio está limpa e bem aparelhada. A gente precisa aprender que uma escola é muito mais complexa do que ter apenas sala, quadro e professor. Vamos exigir que as nossas escolas públicas sejam tão boas, ou melhores que as melhores escolas particulares. E os vereadores, deputados, prefeitos e governador, juntamente com os seus secretários foram eleitos para gerenciar os impostos arrecadados de maneira a que todos os cidadãos tenham acesso ao que há de melhor, pois é para isso que nós produzimos a riqueza neste país.

 

E o melhor no início do ano são as festas em louvor e lembrança dos Reis Magos, sábios que, diz a tradição, saíram de suas terras e foram procurar o lugar onde nasceu Jesus, o maior de todos os reis. E é no louvor a esses sábios que são feitas as últimas apresentações do Pastoril com a Queima da Lapinha. Essa parte da festa que parecia ter sumido, nos últimos tempos tem renascido, ocorrendo em muitas cidades. No Recife ocorreram quatro queimas. E na Festa de Reis de Carpina, a maior da região, está sendo muito animada e com muitas apresentações de Babaus ou Mamulengos, além de Cavalo Marinho. Aliás, vocês sabiam que o Mestre Salustiano criou um Encontro de Cavalo Marinho lá na sua casa, A Casa da Rabeca em Olinda? Pois bem, os filhos dele continuam a fazer esse encontro que se realiza neste final de semana.

O Programa Canavial deseja todos muita alegria nesta Festa dos Santos Reis.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 96

PASTORIL E OUTRAS DANÇAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada o Programa Canavial vem apresentando assuntos para as nossas conversas e são sempre a respeito de acontecimentos e criações que nossa região vem criando nos últimos duzentos anos. Essas brincadeiras, essas histórias, essas festas que fazemos a cada ano, e todos os anos, são o retrato da vida que vem sendo vivida nessa nossa terra desde os tempos dos avôs e avós dos nossos avôs e avós. A cada semana nós conversamos sobre a nossa história, a história que eles fizeram e nós herdamos e a história que nós estamos fazendo e que nossos filhos e netos herdarão.

Houve um tempo em que o PASTORIL era um teatro e uma dança comum e que se apresentava quase sempre na frente da Igreja. O Pastoril é parecido com uma peça de teatro na qual os artistas não falam, apenas cantam, e que é conhecida como Ópera. O Pastoril começou a ser dançado, em Portugal, muitos anos antes dos portugueses chegarem ao Brasil.

O Pastoril conta uma viagem que ciganas saem do Egito para se festejar com uma família na qual a mulher acabou de dar a luz a uma criança. Nessa viagem as pastorinhas, que são as ciganas do Egito, passam por muitos lugares; em algumas casas há jardins, e elas e lá encontram borboletas; no caminho fazem amizade com um pastor de ovelhas que as acompanha enquanto elas seguem uma estrela que as guia até a casa onde ocorreu o nascimento do menino que recebeu o nome de Jesus. Todos os nomes têm um significado e o nome Jesus significa “Deus Salva”. Ou seja, a história do pastoril é a história de pessoas que andam até encontrar um motivo para ficar alegres e serem felizes.

Diana e Anjo

Diana e Anjo

A dança-teatro do Pastoril  era apresentada até o dia seis de Janeiro, o dia da Festa dos Reis Magos, que também saíram de suas terras no Oriente para visitar o Menino que nasceu em um ligar muito simples e pobre, uma cocheira, um lugar que serve para proteger os animais.

Meus amigos, na nossa região, nós costumamos celebrar o tempo do Natal com danças como o Pastoril, o Cavalo Marinho, Cirandas, Cocos, e muito Forró. Esse é um período em que descansamos dos trabalhos do corte da cana enquanto a terra parece descansar também. O ritmo da vida dos homens e das mulheres acompanha o ritmo da terra. Eessa época de descanso é o período em que aparecem nossos artistas que cantam, dançam, vestem roupas coloridas e nos divertem como Ciganas, Pastores, Ambrósios, Mateus, Sebastiões, Empata Samba, Capitães Marinho e tantas outras figuras que nos fazem Reis do Oriente que cantam, seguindo a Estrela Guia sob a proteção dos Arcos de São Gonçalo.  

O Programa Canavial deseja parabenizar todos os artistas de nossa região que estão se aprontando para as apresentações nesse final de ano.

Para os dias 17 e 18 de dezembro de 2010.

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dez/10

9

FESTIVAL CANAVIAL EM VICÊNCIA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 94

 

 

FESTIVAL CANAVIAL EM VICÊNCIA

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Estamos no segundo final de semana do Festival Canavial 2010 e, além do Caminhos do Canavial acontecendo em Nazaré da Mata, temos ações também em Vicência.

Caminhos do Canavial é uma ação de grande profundidade e importância cultural, pois que ele envolve vários setores e agentes da comunidade educativa. Essa ação consiste em promover um encontro de crianças e jovens com os livros. Um ônibus foi transformado em biblioteca e está visitando alguns distritos das cidades que estão envolvidas no Festival Canavial. Os livros fazem parte do Ponto de Leitura Estrela de Ouro, da Biblioteca Mestre Batista. O ônibus/biblioteca chega e recebe alunos das escolas locais que podem escolher livros para manusear e participam de um concurso de poesia. Ah! Também tem a presença de dois grandes mestres: O Mestre Calou, de Vicência e o Mestre Costa Leite, cordelista de Condado. Neste final de semana o Caminho do Canavial estará em Nazaré da Mata.

Mas, nesta sexta e neste sábado, Vicência, que no dia 20 celebrou a Consciência Negra da Nação Brasileira, vai realizar o grande Encontro de Sanfoneiros que vai acontecer na Praça da Matriz, homenageando Baixinho dos Oito Baixos e Biu Mata. Vai ser muito gostoso ouvir tantos sanfoneiros puxando o fole e fazendo a gente dançar a música feita por gente como a gente.

Então, o Programa Canavial convida todo o mundo a participar dessa grande festa de nossa cultura.

 

Para os dias 26 e 27 de novembro de 2010

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set/10

24

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 84

1º         ENCONTRO DE COQUISTAS DA ZONA DA MATA NORTE PERNAMBUCANA

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos,

Nesta semana, desde o dia 23 de setembro até o dia 26 está acontecendo na cidade de Goiana o Primeiro Encontro de Coquistas da Zona da Mata Norte Pernambucana. Esta é uma excelente oportunidade que nós temos para conversar e conhecer um pouco a tradição da dança e música do Coco. Essa tradição vem de tempos antigos, da época em que muitos homens escravizados aproveitaram a confusão causada pela invasão dos holandeses para fugir dos engenhos de Pernambuco e se esconderam nas matas, formando quilombos. Foram muitos quilombos que se formaram nas matas do Agreste, desde Chã Grande até União dos Palmares. Aliás, esse nome é porque lá havia o maior dos quilombos que formaram o Quilombo dos Palmares, que era parte de Pernambuco. Ali, misturados com os índios, esses negros livres criaram um território de liberdade e de trabalho. Ao se juntarem para quebrar os cocos tirados das palmeiras, eles criaram um ritmo a partir do barulho das pedras nos cocos e, depois imitaram esse barulho com as palmas das mãos. E cantavam para ajudar diminuir o cansaço do trabalho. Como estamos entendendo, o coco é uma tradição de homens e mulheres trabalhadoras, que inventaram uma dança a partir de sua ocupação. Os quebradores de coco passaram a ser dançadores de Coco. E como um deles ficava tirando versos e gracejos, esse tirador de versos ficou sendo o Tirador de Cocos, o poeta que cantava as brincadeiras do grupo. Quando foi destruído o Quilombo dos Palmares, os sobreviventes se espalharam pelo interior e por isso o Coco pernambucano é cantado e dançado em todo o Nordeste.

Coco de roda

Coco de roda

 

Mas a dança do Coco durante muito tempo não foi bem aceita, ele era dançado e cantado pelos mais pobres, pelos que viviam na beira das cidades e povoados, quase nas matas. Mas o Coco hoje é conhecido no Brasil e no mundo e não há um só tipo de Coco: tem Coco de Roda, Coco de Umbigada, Coco de Palma, Coco de Embolada, Coco Agalopado e muitos outros que se dançam e se cantam desde as praias até os sertões.

O PROGRAMA CANAVIAL parabeniza todo o pessoal que está realizando esse festival na Cidade de Goiana e convida todos para participar da Oficina e do Seminário que ocorrem no dia 25,  e das apresentações nas noites dos dias 24, 25 e 26 de setembro.

 

    Escrito para os programas dos dias 24 e 25 de setembro de 2010

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 80

NOSSA CULTURA É NOSSA HUMANIDADE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos

Com esta conversa de hoje nós terminaríamos de celebrar o mês da cultura, pois Agosto tem sido assim conhecido como o período do ano em que nós deveríamos pensar sobre a nossa cultura. É como se fosse o aniversário da cultura. Celebrar um aniversário é lembrar o dia em que nascemos, o momento que nos viram pela primeira vez; aquele foi o momento em que entramos em contato com a força da vida entrando pelas nossas narinas – pelas nossas ventas – e o ar, com oxigênio e gás carbônico nos fez gritar de dor. Foi nosso primeiro choro e fomos pegos pela mão de alguém que nos apresentou à nossa mãe e depois aos parentes. Naquele momento nós entramos em nosso primeiro e permanente contato direto com a cultura.

A cultura é criação dos seres humanos e nos tornamos humanos quando criamos o primeiro gesto, e ele pode ter sido o riso de alegria de uma mulher que escutou o choro de sua cria, de sua criança, para depois puxá-la para o peito e deixar-se sugar enquanto passa a mão carinhosamente sobre a frágil criatura que, nesses primeiros gestos vai se tornando humana.

Pulando Carfniça - Portinari

Pulando Carfniça - Portinari

Ser humano, meus amigos, é viver em um mundo de cultura, um mundo de regras, um universo de palavras que ouvimos e vai dando sentido a tudo que é visto, ouvido, sentido, saboreado. E de ver e ouvir, que aprendemos que uma cadeira é uma coisa cultural que foi criada para nos sentarmos e descansar depois de uma caminhada; de tanto ver, ouvir e cheirar é que aprendemos a gostar da diferença dos sabores da melancia e do melão; de tanto ver, ouvir, cheirar e tocar é que aprendemos a suavidade das rosas e da pele, e também a aspereza da casca da jaca enquanto gozamos com o sabor de seu bago. E tudo isso é cultura, como também é cultura saber que o chá de boldo serve para recuperar o fígado; que o suco do maracujá acalma, e que o lambedor que vovó prepara com erva-doce, mel, canela, hortelã e carinho cura todas as tosses e, graças a ele voltamos a correr na rua brincando de pega, jogando bola de gude, empinando papagaio, soltando a ponteira para o pião rodar e tantas outras brincadeiras, essas coisas que fazem a nossa cultura.

Uma cultura que se completa quando vamos estudar na escola e aprendemos que todos os povos têm brincadeiras e sociedades que, embora sejam diferentes, são parecidas com a nossa, pois todas as sociedades humanas são sociedades culturais.

Amigos, o PROGRAMA CANAVIAL celebra com todos os mestres e mestras da nossa cultura a alegria de criar diariamente a nossa humanidade na criação de nossa cultura.

 

Editorial para os programas dos dias 27 e 28 de agosto de 2010.

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jul/10

29

Agricultura – Agricultores

 

PROGRAMA CANAVIAL 

AGRICULTURA – AGRICULTORES

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Faz pouco mais de quinhentos anos que as terras de Pernambuco eram ocupadas por homens e mulheres que conheciam pouco da agricultura, mas os nossos antepassados indígenas já estavam praticando o processo do cultivo da mandioca e do algodão. Foi quando os portugueses chegaram e, pensando no interesse de aumentar a riqueza de Portugal, resolveram que, mesmo sendo uma terra boa para plantar qualquer tipo de vegetal, passaram a plantar principalmente a cana de açúcar.

Caminho no canavial

Caminho no canavial

 

 

 

 

 

 

 

Aqui havia muitas plantas, como a goiabeira, pitangueira, cajueiros, jabuticabeiras, umbuzeiro, e muitas outras arvores frutíferas trazidas do Oriente, como e o caso da mangueira, da jaqueira, ou vindo de outra parte da America, que e o caso do abacateiro. Era muito comum a gente encontrar essas arvores que formavam belos sítios e pomares em nossa região. O plantio da cana para produzir o açúcar para o consumo na Europa, trouxe também os africanos para fazer o trabalho de cultivar a cana e fazer os engenhos funcionarem, isso porque houve uma grande matança dos índios que lutaram para defender as suas terras e os seus costumes. Mas mesmo no tempo da escravidão havia homens e mulheres livres trabalhando nas terras, vivendo nos sítios, plantando mandioca, macaxeira, milho, cuidando dos animais que eram usados nos engenhos. Essas pessoas que trabalham na terra são os agricultores, os cultivadores da terra, os que sabem a cultura da terra.

Agricultor familiar

Agricultor familiar

A agricultora e uma atividade familiar e a agricultura familiar garante mais emprego do que a agricultura industrial, que e a agricultura da cana feita pelas usinas, ou pelas grandes empresas. Enquanto a agricultura empresarial emprega uma pessoa a cada 60 hectares, ela necessita de apenas nove hectares para gerar o mesmo emprego. Com o avanço dos canaviais para atender a necessidade da produção do açúcar e do álcool, a agricultura familiar tem diminuído e aumentado o numero de habitantes nas pontas de ruas de nossa cidade.

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

O Programa Canavial nessa nossa conversa de hoje esta comemorando o Dia do Agricultor, o dia 29 de julho. São esses agricultores de nossa região que, alem de cultivar os alimentos para o nosso corpo, criam a cultura que e o alimento de nossa alma.

 Para os programas dos dias 30 e 31 de julho de 2010

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PROGRAMA CANAVIAL

 EDITORIAL 70

MOVIMENTO CANAVIAL PARA ALÉM DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

Na semana passada nosso programa vibrou de alegria por que as cidades de Goiana e Tracunhaém ganharam novos Pontos de Cultura, e isso significa muito para nossa região. Cada atividade cultural existente que é reconhecida como Ponto de Cultura tem a possibilidade de provocar melhorias na vida das pessoas envolvidas. Ser escolhido como Ponto de Cultura já indica que o grupo está organizado e reconhecido. Por isso recebe apoio e passa a ter uma maior autonomia para realizar as ações necessárias para alcançar os seus objetivos. E nessa tarefa as pessoas aprofundam a idéia de que só estando organizados e cooperando é que novos caminhos serão abertos para o grupo, para as pessoas que formam o grupo e, as cidades ganham com isso.

Maracatu Estrela de Ouro na Feira Brasil Rural Contemporâneo. Porto Alegre, maio de 2010

Maracatu Estrela de Ouro na Feira Brasil Rural Contemporâneo. Porto Alegre, maio de 2010

Os Pontos de Cultura ajudam as pessoas e as cidades a mudarem seus comportamentos e seus desejos. No mês de maio, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, que é Ponto de Cultura, enviou para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de caboclos e baianas para participar da VII Feira Nacional da Agricultura Familiar e Reforma Agrária, promovido pelo Ministério do desenvolvimento Agrário. No fim de semana passada, o Mamulengo do Mestre Calou de Vicência; o Maracatu Estrela de Tracunhaém; o Caboclinho Tapuya Canidé de Goiana; o Maracatu Coração Nazareno e o Maracatu Leão Misterioso de Nazaré da Mata; Ítalo Pay, de Goiana, e vários grupos culturais da nossa região se apresentaram na a Mostra do Festival Canavial no Parque do Carmo na cidade de Olinda. A que contou ainda com a presença de Jorge Mautner e Jacobina de São Paulo e Afonjah, do Rio de Janeiro, que juntamente como o Terno do Maracatu Estrela de Ouro e o Mestre Duda, estão realizando o projeto Kaosnavial. Nesta semana, o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança continua a sua participação na Feira Brasil Rural Contemporâneo, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, agora em Brasília. Todas essas ações só são possíveis quando nós nos ajudamos e colaboramos com os nossos. Essa é a Rede Cultural da Zona da Mata Norte, balançando a cultural do Canavial.

Mestre Calou e seus babaus na Mostra Canavial, Olinda, junho 2010. foto de Biu Vicente

Mestre Calou e seus babaus na Mostra Canavial, Olinda, junho 2010. foto de Biu Vicente

Este PROGRAMA CANAVIAL que parabenizar a todos os Pontos de Cultura que fazem parte desse Movimento Canavial, que está animando os criadores e re-criadores da nossa cultura, essa que nós criamos aqui na Zona da Mata Norte de Pernambuco.

 

Editorial escrito para os programas dos dias  18 e 19 de junho de 2010.

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