História e Canavial |

CAT | Família

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 80

NOSSA CULTURA É NOSSA HUMANIDADE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos

Com esta conversa de hoje nós terminaríamos de celebrar o mês da cultura, pois Agosto tem sido assim conhecido como o período do ano em que nós deveríamos pensar sobre a nossa cultura. É como se fosse o aniversário da cultura. Celebrar um aniversário é lembrar o dia em que nascemos, o momento que nos viram pela primeira vez; aquele foi o momento em que entramos em contato com a força da vida entrando pelas nossas narinas – pelas nossas ventas – e o ar, com oxigênio e gás carbônico nos fez gritar de dor. Foi nosso primeiro choro e fomos pegos pela mão de alguém que nos apresentou à nossa mãe e depois aos parentes. Naquele momento nós entramos em nosso primeiro e permanente contato direto com a cultura.

A cultura é criação dos seres humanos e nos tornamos humanos quando criamos o primeiro gesto, e ele pode ter sido o riso de alegria de uma mulher que escutou o choro de sua cria, de sua criança, para depois puxá-la para o peito e deixar-se sugar enquanto passa a mão carinhosamente sobre a frágil criatura que, nesses primeiros gestos vai se tornando humana.

Pulando Carfniça - Portinari

Pulando Carfniça - Portinari

Ser humano, meus amigos, é viver em um mundo de cultura, um mundo de regras, um universo de palavras que ouvimos e vai dando sentido a tudo que é visto, ouvido, sentido, saboreado. E de ver e ouvir, que aprendemos que uma cadeira é uma coisa cultural que foi criada para nos sentarmos e descansar depois de uma caminhada; de tanto ver, ouvir e cheirar é que aprendemos a gostar da diferença dos sabores da melancia e do melão; de tanto ver, ouvir, cheirar e tocar é que aprendemos a suavidade das rosas e da pele, e também a aspereza da casca da jaca enquanto gozamos com o sabor de seu bago. E tudo isso é cultura, como também é cultura saber que o chá de boldo serve para recuperar o fígado; que o suco do maracujá acalma, e que o lambedor que vovó prepara com erva-doce, mel, canela, hortelã e carinho cura todas as tosses e, graças a ele voltamos a correr na rua brincando de pega, jogando bola de gude, empinando papagaio, soltando a ponteira para o pião rodar e tantas outras brincadeiras, essas coisas que fazem a nossa cultura.

Uma cultura que se completa quando vamos estudar na escola e aprendemos que todos os povos têm brincadeiras e sociedades que, embora sejam diferentes, são parecidas com a nossa, pois todas as sociedades humanas são sociedades culturais.

Amigos, o PROGRAMA CANAVIAL celebra com todos os mestres e mestras da nossa cultura a alegria de criar diariamente a nossa humanidade na criação de nossa cultura.

 

Editorial para os programas dos dias 27 e 28 de agosto de 2010.

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ago/10

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Pensando o Dia dos Pais

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 77

 

Pensando o Dia dos Pais

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

Neste final de semana estaremos celebrando o Dia dos Pais. Embora o pai seja muito importante, essa data não é tão comemorada quanto do Dia das Mães, e a gente bem que pode se perguntar  de tentar entender qual a razão disso.

Dizem que nossa sociedade é patriarcal, ou seja, é uma sociedade em que o pai parece ter muita autoridade e poder. Entretanto, nesse programa de Bolsa Família, ficou decidido que o dinheiro não deveria ser entregue ao pai da família e sim à mãe. Uma das razões dessa decisão, é que os pais quando recebiam essa ajuda, primeiro iam tomar cachaça e jogar e, só levavam para casa o dinheiro que sobrava.  Se é que sobrava algum dinheiro. O pai que devia ser o protetor dos filhos, das filhas e da sua esposa que é a mãe de seus filhos, chegava em casa sem dinheiro e, sob o efeito da bebida, violento. E muitas vezes os pais abandonaram seus filhos que cresceram apenas com o amor da mãe. Claro que nem todo pai é desse jeito, mas talvez seja por isso que muitos pais não provocavam o amor dos filhos, mas o temor, o medo. E essa imagem foi se fixando na memória dos filhos e, lamentavelmente, os meninos quando crescem e pensam que já são homens e começam a agir como os seus pais ou os homens mais velhos. Era o exemplo que eles têm. Não é sem razão que o Dia dos Pais tenha menos celebração do que os outros dias. Mas a gente pode mudar isso. Os seres humanos são os únicos seres que podem mudar a realidade.

Meus amigos, às vezes penso que foi o tempo da escravidão que criou a cultura do marido e do pai violento; essa escravidão que os pais dos nossos bisavôs e nossas bisavós sofreram deixou marcas profundas em nossa cultura. Essa herança de violência e de achar que um homem deve ser sempre “brabo” e brigão é uma herança ruim. E essa herança que faz os filhos e as filhas terem medo do seu pai. Mas essa herança a gente não que ver continuar.

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

 

Neste final de semana que prepara a celebração para o dia dos Pais, O PROGRAMA CANAVIAL deseja que todos os pais procurem o abraço de seus filhos e deseja também que os pais sejam mais amorosos e carinhosos com os seus filhos e com a mãe de seus filhos.

FELIZ DIA DOS PAIS, para os pais e para os filhos.

 

 

 

 Editorial para os programas dos dias 06 e 07 de agosto de 2010.

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PROGRAMA CANAVIAL 

EDITORIAL 74

 

FAZENDO O FIM DA VIOLÊNCIA

Prof. Severino Vicente da Silva 

Caros Amigos,

 

Faz sessenta e cinco anos que foi criada uma sociedade conhecida como ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, um dos objetivos dela é promover a paz mundial, evitar as guerras, criar condições para que os homens e as mulheres possam viver em paz, tranqüilidade e felizes. Mas esse objetivo não depende unicamente dos que estão no poder, ele depende de cada um de nós, embora os que se destacam e se apresentam para governar devem dar exemplos e orientar os demais.

Para acabarmos com as guerras, com a violência nós podemos começar em nossa casa. Se nós queremos que nossos filhos cresçam sem medo, nós não devemos ensinar a eles terem medo; se nós queremos que nossos filhos cresçam livres, nós devemos ser livres com eles. Nossos filhos não devem crescer apanhando para que nos obedeçam. Toda vez que nós batemos em nossos filhos, nós estamos ensinando a eles serem violentos e a resolverem seus problemas com violência. E o pior acontece quando fazemos isso na frente dos outros: aí estamos humilhando, os tratando como animais. Aí eles vão sentir raiva, rancor e vão querer se vingar. E vão bater nos irmãos menores e depois vão brigar na escola, na rua. Como fazem os cachorros e todos os animais que não possuem cérebro para pensar, boca para falar mãos para fazer carinhos. Quando um homem ou uma mulher usa a sua mão para bater e fazer alguém sofrer uma humilhação, essa pessoa está transformando a mão de proteger em uma garra para ferir.

Seguindo a orientação da Organização das Nações Unidas, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, esta semana enviou um Projeto de Lei tornando crime o uso de violência contra crianças e adolescentes, mesmo que seja com a desculpa de que para educação. Educar batendo é educar para a violência, é educar para a escravidão. Pais, Mães, professores, professoras, agentes educadores não podem usar violência para ensinar. A educação deve ser feita sempre com o diálogo, com a força moral, e jamais com o uso da força física.

O PROGRAMA CANAVIAL alegra-se com a iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos e convida a todos os pais e educadores da Zona da Mata para acabar com a violência na região começando por nossas casas e nossas escolas.

 

Editorial Escrito para os progamas dos dias 16 E 17  de julho de 2010.

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