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jul/10

29

Agricultura – Agricultores

 

PROGRAMA CANAVIAL 

AGRICULTURA – AGRICULTORES

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Faz pouco mais de quinhentos anos que as terras de Pernambuco eram ocupadas por homens e mulheres que conheciam pouco da agricultura, mas os nossos antepassados indígenas já estavam praticando o processo do cultivo da mandioca e do algodão. Foi quando os portugueses chegaram e, pensando no interesse de aumentar a riqueza de Portugal, resolveram que, mesmo sendo uma terra boa para plantar qualquer tipo de vegetal, passaram a plantar principalmente a cana de açúcar.

Caminho no canavial

Caminho no canavial

 

 

 

 

 

 

 

Aqui havia muitas plantas, como a goiabeira, pitangueira, cajueiros, jabuticabeiras, umbuzeiro, e muitas outras arvores frutíferas trazidas do Oriente, como e o caso da mangueira, da jaqueira, ou vindo de outra parte da America, que e o caso do abacateiro. Era muito comum a gente encontrar essas arvores que formavam belos sítios e pomares em nossa região. O plantio da cana para produzir o açúcar para o consumo na Europa, trouxe também os africanos para fazer o trabalho de cultivar a cana e fazer os engenhos funcionarem, isso porque houve uma grande matança dos índios que lutaram para defender as suas terras e os seus costumes. Mas mesmo no tempo da escravidão havia homens e mulheres livres trabalhando nas terras, vivendo nos sítios, plantando mandioca, macaxeira, milho, cuidando dos animais que eram usados nos engenhos. Essas pessoas que trabalham na terra são os agricultores, os cultivadores da terra, os que sabem a cultura da terra.

Agricultor familiar

Agricultor familiar

A agricultora e uma atividade familiar e a agricultura familiar garante mais emprego do que a agricultura industrial, que e a agricultura da cana feita pelas usinas, ou pelas grandes empresas. Enquanto a agricultura empresarial emprega uma pessoa a cada 60 hectares, ela necessita de apenas nove hectares para gerar o mesmo emprego. Com o avanço dos canaviais para atender a necessidade da produção do açúcar e do álcool, a agricultura familiar tem diminuído e aumentado o numero de habitantes nas pontas de ruas de nossa cidade.

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

Pirraia e Zeca - Terno do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança

O Programa Canavial nessa nossa conversa de hoje esta comemorando o Dia do Agricultor, o dia 29 de julho. São esses agricultores de nossa região que, alem de cultivar os alimentos para o nosso corpo, criam a cultura que e o alimento de nossa alma.

 Para os programas dos dias 30 e 31 de julho de 2010

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 Programa Canavial

 

Editorial 68  

A história da cidade na escola

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

 

Vez por outra escutamos, seja ouvindo rádio, seja acompanhando programas nas emissoras de televisão, que vivemos em um mundo globalizado. O globo terrestre ficou pequeno. O mundo, disse um canadense, virou  uma aldeia, um lugar onde todo mundo se conhece e cada um de nós pode saber o que está acontecendo, em qualquer lugar do mundo. De certa maneira, nós somos vizinhos de Barak Obama e podemos acompanhar um jogo na África do Sul com maiores detalhes do que podemos ter em uma pelada no campo de nossa cidade. Vivemos recebendo informações dos mais distantes lugares e, por essa razão, corremos o risco de não saber o que está acontecendo na esquina de nossa rua.

Centrro de Joanesburgo

Centrro de Joanesburgo

Agora que muitos de nós ficamos esperando o momento de começar os jogos promovidos pela Federação Internacional de Futebol, a Copa do Mundo da FIFA, observamos como, no início da programação, há sempre um resumo sobre a história do lugar onde vai ser realizado o jogo ou sobre os países cujas seleções irão jogar. É assim, nessas conversas, que nós aprendemos história deles. Se ficarmos atentos a essas informações, no final do campeonato saberemos muito mais do que os resultados dos jogos. Mas de tanto ouvir a história dos outros, a gente pode esquecer a da gente. Esse é um dos perigos da globalização.

Bem que a gente poderia utilizar essa técnica de ensino nas nossas escolas. Já pensou se, no início ou durante a aula, os professores sempre dissessem algo sobre a nossa cidade? No final da semana a gente saberia de mais detalhes de nossa cidade. A gente não aprende história apenas na aula de história. Cada professor ao fazer um comentário sobre a cidade está ensinando algo sobre a cidade. Mas para isso, é necessário que cada cidade tenha um livro da história da cidade e que cada professor receba, leia e use esse livro.

um professor uma sala

um professor uma sala

O Programa Canavial hoje quer perguntar a alunos, pais, professores, gestores de escolas, diretores ou secretários de educação e prefeitos: Será que as nossas escolas estão ensinando a história de nossa cidade? Nossa cidade tem um livro sobre as nossas tradições e a nossa história?

 Escrito para os programas dos dias 4 e 5 de junho 2010.

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mar/10

14

Março, mês das mulheres

 MARÇO, O MÊS DAS MULHERES.

Mulheres em fábrica de tecidos

Mulheres em fábrica de tecidos

Severino Vicente da Silva

 

Em nossa tradição de povo dedicado à agricultura o mês de março é sempre dedicado ao louvor a São José; uma espécie de guardião das lavouras, que cuida de enviar as chuvas as chuvas que terminam o verão e garantem o crescimento do milho que cresce junto com o feijão, para a safra do mês de junho. Mas, nos dias de hoje, mesmo na Zona da Mata Norte, a maior parte da população não mora mais no interior. Como se diz, quase todo mundo se mudou para “a rua”, ou seja, para a sede do município ou distrito. Essa situação em nossa região está muito ligada ao aumento do plantio da cana para as usinas, e aconteceu de 1950 para cá. Mas em outros lugares do mundo, essa mudança do povo para cidade vem ocorrendo a mais de duzentos anos. E uma das conseqüências disso é que as mulheres, que sempre trabalharam muito nas casas, cuidando das crianças e do conforto dos seus maridos, além de serem trabalhadoras na agricultura, passaram a trabalhar nas fábricas, especialmente nas fábricas de tecidos. E nas fábricas eram continuaram sendo exploradas, como também são explorados os homens. Ainda hoje as mulheres recebem menos salário do que os homens pelo mesmo tipo de trabalho.

Meus amigos, a gente nunca pode saber do que a maldade, ambição e a ganância dos seres humanos é capaz de fazer! Escutem essa história que vou contar:

Nos Estados Unidos, na cidade de Nova Iorque, no ano de 1857, em uma dessas fábricas que empregavam mulheres porque era mais barato que empregar homens, as trabalhadoras fizeram uma greve para terem melhoria de seus salários, limite de horas no trabalho. Pois bem, os donos da fábrica preferiram tocar fogo na fábrica com as mulheres dentro do que atender aquelas reivindicações. Cento e vinte e nove morreram queimadas. Era o dia 8 do mês de março.

Neste ano de 2010 faz cem anos que o dia 8 de março é dedicado às mulheres, ou melhor, é um dia para a gente se lembrar do trabalho de todas as mulheres e se comprometer a respeitar todas as mulheres.

O Programa Canavial convida a todos os seus ouvintes a, durante todo o mês de março, sempre lembrar a bravuras das nossas mulheres, as que trabalham na agricultura, as que trabalham nos escritórios, as que trabalham nas escolas, as que trabalham varrendo as ruas e, quando chegam em casa, ainda têm que varrer a casa.

Neste Mês de março, vamos cuidar de acabar com a exploração das mulheres e de todos os seres humanos.

 

Editorial 57  Para o Programa Canavial dos dias 12 e 13 de março de 2010

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