História e Canavial |

CAT | Festa popular

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 107

A CAÇADA DO BODE E A GLÓRIA DA VIDA

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Estamos na Semana Gorda – Sexta feira Gorda, Sábado de Zé Pereira, Domingo de Carnaval, Segunda Feira Gorda, Terça Feira Gorda, Quarta Feira Ingrata: é a semana do carnaval. Houve um tempo que era apenas três dias essa semana. “carnaval só tem três dias, foi os anjos que criou”, diz um frevo canção orquestrado por Nelson Ferreira. Hoje são muitos dias, pois vivemos em uma sociedade festiva na qual o trabalho é apenas uma atividade a mais enquanto se vive em busca do divertimento e dos espetáculos. E o carnaval parece ser apenas mais uma festa onde as pessoas cantam, bebem, dançam, se alegram e fazem o que normalmente não é feito. Mas não foi assim em todas as sociedades e, no Brasil, uma que é formada por muitas culturas o carnaval, para alguns brasileiros, não é assim. O carnaval é uma celebração às forças divinas.

As mais antigas festas do que chamamos carnaval era uma celebração em homenagem à deusa da primavera, a que traz a força da vida, a fertilidade da terra, a terra que nos alimenta com sua vegetação, suas aves e animais que sempre foram objeto de caça para a alimentação das tribos.

Capivara

Capivara

Meus amigos, muito antes desta nossa terra ser conhecida pelos europeus, muito antes de aqui chegarem os povos trazidos da África, aqui havia muitos povos, nações que estão hoje esquecidas e que falavam línguas diferentes da que falamos hoje, mas interessante é que nós ainda falamos as palavras que eles criaram, mesmo de maneira modificada. Pois veja como somos esses povos que não nos dizem, por isso falamos as palavras de antigamente. Os portugueses chegaram aqui em Igaraçu, ou seja, Canoa grande; eu tenho amigos que moram em Areia Branca, que é o sentido da palavra  Itaquitinga; outros amigos moram em Lagoa que Secou, quero dizer Upatininga; e o Mestre Batista, fundador do Maracatu Estrela de Ouro está enterrado na Casa de Tupá, que é Tupaoca. Mais perto do mar fica a Pedra que canta, que é o significado de Itamaracá, e para chegar lá eu preciso passar por Pedra Negra, ou seja, Itapissuma. A gente poderia continuar mostrando como a gente fala a língua dos nossos antepassados, mas como é tempo de carnaval, vamos conversar sobre a Caçada do Bode.bode

Como é sabido por todos, os povos que nossos antepassados viviam da caça e da pesca. O que eles caçavam era as capivaras, as antas, as cutias, os tatus, os veados, os jacus e muitos outros animais. Um dos preferidos era o veado. Hoje, como não há mais veados nas matas, as tribos de índios e caboclinhos que saem no carnaval, passam a noite do sábado em vigília e, na madrugada do domingo saem para a caça, e caçam um ou vários bodes que serão sacrificados para fazer a alimentação de todos da tribo que saem durante os três dias de carnaval. Depois do carnaval, na quarta feira, esses animais que foram mortos servem de alimento para toda a tribo que lutou durante os três dias para a glória da tribo. O carnaval, que parece ser uma guerra para conquistar as ruas e as cidades, termina na quarta feira com um grande banquete com muita comida resultante da caça do bode, um animal que simboliza muitas coisas, inclusive a caça que nossos antepassados faziam pata garantir a sobrevivência de toda a tribo.  

Meus amigos, essa tradição de nossos mais antigos antepassados é mantida em Goiana, na madrugada do domingo de carnaval pela Tribo Índio Tabajara, pela tribo União Sete Flexas de Goiana, pela Tribo Caboclinho Canidé.

caboclinho de Goiana - PE

caboclinho de Goiana - PE

Nós, do PROGRAMA CANAVIAL desejamos uma boa caçada às nossas tribos de índios e de caboclinhos; desejamos também que a felicidade dessa caça coletiva seja sinal da benção que a mãe natureza, com a Jurema Sagrada, o Espírito Santo, Oxóssi e a força de vontade de todos os homens e mulheres façam, do nosso carnaval uma eterna saudação à Vida.

 

 

Para os dias 4 e 5 de março de 2011

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fev/11

17

As burrinhas de Carnaval

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 105 

AS BURRINHAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Nos dias de carnaval as ruas de nossas cidades ficam bem mais interessantes, pois nelas encontramos o passado delas, o nosso passado desfilando e nos fazendo sonhar e sorrir. Nos dias anteriores ao carnaval, já podemos encontrar crianças batendo lata acompanhando um urso e um caçador, aos gritos de “a La ursa quer dinheiro, quem não der é pirangueiro”, e, sem saber elas estão contando um tempo dos antepassados europeus, na Idade Média, que caçavam ursos e os levavam à feira para se divertirem. Pois é, nós não temos ursos, mas temos a brincadeira de uma das raízes formadoras da nossa cultura. E tem muito mais coisas que as ruas do carnaval nos ensinam de nossa história. Por exemplo, sabemos que o Maracatu de Baque Solto conta a vida e luta dos nossos antepassados indígenas que se tornaram caboclos para escapar da morte dos que lhes queriam tomar as terras. Por isso eles são guerreiros nessa luta simbólica. Mas no Maracatu Rural, como em outros brinquedos da Zona da Mata  e de outras partes do Brasil, tem um personagem interessante: a burrinha.

Quando passa o Maracatu, na frente vem o Bastião, a Catirina ou Catita e também a burrinha. Eles correm abrindo espaço para o Maracatu, e a Burrinha e com o seu relho põe os curiosos para mais distantes, abrindo espaço para os guerreiros e a tribo passar. A Burrinha é muito importante e está na construção da vida em todo o Brasil.

Uma vez escutei do meu querido Manuel Correia de Andrade, geógrafo que nasceu no engenho Jundiá, em Vicência, que nenhum animal foi mais importante na formação do Brasil que as mulas ou burros.  Eles são animais de forte ‘personalidade’ e difíceis de serem domados, mas são resistentes e por isso sempre foram usados para o transporte de cargas. Na nossa região, até pouco tempo, esses burros eram usados para transportar molhos da cana desde o canavial até os engenhos. Muitos homens trabalharam ao lado desses animais com cambiteiros, mesmos sem serem seus donos, pois elas pertenciam ao senhor de engenho que tomavam muito cuidado para que elas não fossem roubadas. Os caboclos mais velhos sabem da importância dessas burras.

As burras, vez por outra, eles empacavam e por teimosia não saiam do lugar, pois sua personalidade forte exige que sejam respeitadas e gostam de serem tratadas com carinho. Claro que no carnaval feito pelo povo as burrinhas encontraram seu lugar e são muito admiradas pelas crianças que gostam de brincar com elas, mesmo sabendo que elas saem correndo e pondo todo mundo a correr. As burrinhas são alegrias na frente das tribos de caboclos ou quando saem com um grupo tocando bombo, um tarol, um agogô, garrafas ou latas.

Da mesma forma que as burrinhas foram, e ainda são instrumentos dos homens para a construção da riqueza, nos nossos carnavais elas embelezam os dias de carnaval. Nas cidades dos canaviais sempre há algumas burrinhas que a cada ano saem a desfilar nas ruas das cidades. Em Goiana há muitos jovens que formaram grupos de percussão para acompanhar uma Burrinha. Lá a mais famosa burra atualmente é burra de Serginho que segue a tradição de Mestre Miguel e vem se tornando um símbolo do carnaval goianense.

O Programa Canavial nesta semana deseja homenagear todas Burrinhas de Carnaval que animam nossas cidades e fazem correr de susto e alegria as crianças, adocicando nossa existência, ao mesmo tempo que nos lembram as muitas jornadas nos canaviais de nossa terra. Viva as Burrinhas!!!!!

 

Para os programas dos dias18 e 19 de fevereiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL

 

O FREVO DE PERNAMBUCO TEM GOSTO DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Nós sabemos que a festa de Carnaval é uma festa de sentido religioso, desde os tempos mais antigos, começou muito tempo antes da existência do Brasil e dos brasileiros. Dizemos que “nós temos o melhor carnaval do mundo”, mas ele não é o mais antigo.

Alguns entendem que no começo foi uma festa para homenagear a fertilidade da terra e por isso se come e se bebe muito nesses dias de fartura, quando uma das principais figuras é o Rei Momo, um gordo sempre contente, risonho, com um copo de bebida em uma mão e um pedaço de carne na outra. O carnaval é um feriado em que a graça é ser diferente do que se é no resto do ano, é um período em que o mundo fica de cabeça para baixo, ou seja, muito diferente, tão diferente que ninguém se preocupa em trabalhar, mas apenas em se divertir. E esse desejo de diversão coletiva é quase uma necessidade depois de um ano de trabalho, sofrimento e seriedade. No carnaval tudo é brincadeira, prazer e alegria. É um período em que cada um pode ser um rei, ou seja, o carnaval é  um período em que todos podem se divertir, comer, beber, cantar e dançar.

E cada um inventa sua maneira de ser rei, ser palhaço, ser menino, ser o que quiser. E dança como quer e inventa dança e inventa música. Um das razões de o carnaval ser tão interessante é que cada um inventa o seu jeito de brincar e de ser feliz. Ninguém tem que imitar outra pessoa para ser reconhecida e apreciada. Por isso é que são criados tantos blocos, tantos clubes, tantas figuras, tantos sons, tantas batucadas, e tantas roupas diferentes. O Carnaval é a festa e o desfile da criatividade, diferente dos desfiles cívicos e das procissões, onde todos se vestem do mesmo jeito e andam e cantam do mesmo modo. No carnaval cada grupo dança como quer.

Em Pernambuco tem muitas maneiras de brincar carnaval, de dançar para mostrar a alegria e a vitalidade. Uma delas é conhecida como FREVO, uma maneira de dançar que foi sendo criada nas ruas estreitas do Recife desde o final do século XIX, mas que tomou esse nome no início do século XX. É uma dança guerreira, de homens e mulheres ocupando os espaços das ruas, acompanhando as bandas de música que tocavam dobrados militares, mas quando eram contratados para acompanhar os grupos de trabalhadores no período do carnaval, tocavam em compassos mais rápidos, fazendo com que as pessoas que escutavam a música inventassem maneiras de acompanhar a música com o movimento de seus corpos. A música ajudava a aquecer os corpos dos que seguiam a orquestra e todos como que sentiam o sangue ferver, ou “frever”. Assim é que no dia doze de fevereiro de 1907 apareceu a palavra frevo em um jornal do Recife, o Jornal Pequeno. Nesta semana se festeja o dia do Frevo, a música e dança do nosso carnaval, uma dança que depende da criação de cada dançante. E tem sido na Mata Norte de Pernambuco que se formaram grandes maestros de orquestra de frevo, os maiores arranjadores de nossa música como é o caso do Maestro Duda, nascido em Goiana, tendo estudado na Saboeira; o Maestro José Menezes, nascido em Nazaré da Mata;o Maestro Nunes, natural de Vicência.

Nesta semana, o PROGRAMA CANAVIAL deseja que os dirigentes de nossas cidades voltem a apoiar as nossas orquestras para que floresçam novos maestros em nossas bandas.

   

Para os dias 4 e 5 de fevereiro de 2012.

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jan/11

27

PREPARANDO O CARNAVAL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL

PREPARANDO O CARNAVAL

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

 

Estamos chegando ao final de janeiro e nos aproximando do período de preparação para a maior festa popular, a festa que põe o mundo de cabeça para baixo, a festa que faz a gente viver os mais estranhos sonhos, os sonhos em que os homens e mulheres mais pobres saem para a rua com o orgulho de serem chefes de tribos, nações, príncipes, princesas. O Carnaval é a festa que os deixa imaginar e viver o mundo em que a gente se sente importante.

O Carnaval é uma criação de todos, dos pobres, principalmente, e dos ricos. O Carnaval é uma festa em que todos podem participar, porque ela acontece na rua e não precisa de muita coisa. Faz uns cento e cinqüenta anos que os bailes de carnaval aconteciam apenas nos clubes e os pobres que ali entravam era apenas para trabalhar. Mas aí, quando foi acabando a escravidão no Brasil, os homens e as mulheres livres, muitos deles ex-escravos, começaram a sair para brincar nas ruas como a imaginação permitia. Uma coisa que ajudou muito a invenção do Carnaval no Brasil foi o fato que as pessoas que tocavam nas bandas que acompanhavam as procissões eram pobres, antigos escravos ou filhos de escravos. Os músicos que tocavam acompanhando as procissões, também tocavam nas bandas militares e começaram a acompanhar as pessoas que formaram alguns blocos para sair nas ruas durante os dias de carnaval. E o interessante é que muitos dos primeiros blocos eram organizados de acordo com a profissão ou o ofício das pessoas. O Clube Vassourinhas, tanto no Recife quanto em Olinda era o clube das pessoas que varriam as ruas; havia o Clube dos Lenhadores, cujo nome indica a profissão, e assim muitos outros. Na nossa região da Mata Norte, começou a aparecer grupos de índios, como a Tribo Cahetés, ainda em 1904. Por esse período, muitos homens dos sítios, sujavam a cara com carvão saiam vestidos de com as roupas de suas mulheres e viravam Catirinas e saiam de Jereré e ficaram conhecidos como Cambindas, talvez porque bebiam cachaça e tiravam o gosto da branquinha com essa piaba que a gente compra seca nas feiras de nossas cidades. Outros se vestiam de índios e viravam caboclos com suas lanças, fazia medo a muita gente. Assim foi nascendo o nosso carnaval, o Maracatu de Baque Solto.

O nosso carnaval deve ser preparado pelos nossos prefeitos e secretários cuidando para que todas as nossas tradições sejam respeitadas, tanto as mais novas, muitas que chegam só para ficar algumas horas, quanto as que são criadas pela imaginação da gente.

Meus amigos, o Programa Canavial deseja que as Sambadas dos nossos maracatus aconteçam com  muita alegria na preparação do nosso carnaval.

 

Para os dias 28 e 29 de janeiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 96

PASTORIL E OUTRAS DANÇAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada o Programa Canavial vem apresentando assuntos para as nossas conversas e são sempre a respeito de acontecimentos e criações que nossa região vem criando nos últimos duzentos anos. Essas brincadeiras, essas histórias, essas festas que fazemos a cada ano, e todos os anos, são o retrato da vida que vem sendo vivida nessa nossa terra desde os tempos dos avôs e avós dos nossos avôs e avós. A cada semana nós conversamos sobre a nossa história, a história que eles fizeram e nós herdamos e a história que nós estamos fazendo e que nossos filhos e netos herdarão.

Houve um tempo em que o PASTORIL era um teatro e uma dança comum e que se apresentava quase sempre na frente da Igreja. O Pastoril é parecido com uma peça de teatro na qual os artistas não falam, apenas cantam, e que é conhecida como Ópera. O Pastoril começou a ser dançado, em Portugal, muitos anos antes dos portugueses chegarem ao Brasil.

O Pastoril conta uma viagem que ciganas saem do Egito para se festejar com uma família na qual a mulher acabou de dar a luz a uma criança. Nessa viagem as pastorinhas, que são as ciganas do Egito, passam por muitos lugares; em algumas casas há jardins, e elas e lá encontram borboletas; no caminho fazem amizade com um pastor de ovelhas que as acompanha enquanto elas seguem uma estrela que as guia até a casa onde ocorreu o nascimento do menino que recebeu o nome de Jesus. Todos os nomes têm um significado e o nome Jesus significa “Deus Salva”. Ou seja, a história do pastoril é a história de pessoas que andam até encontrar um motivo para ficar alegres e serem felizes.

Diana e Anjo

Diana e Anjo

A dança-teatro do Pastoril  era apresentada até o dia seis de Janeiro, o dia da Festa dos Reis Magos, que também saíram de suas terras no Oriente para visitar o Menino que nasceu em um ligar muito simples e pobre, uma cocheira, um lugar que serve para proteger os animais.

Meus amigos, na nossa região, nós costumamos celebrar o tempo do Natal com danças como o Pastoril, o Cavalo Marinho, Cirandas, Cocos, e muito Forró. Esse é um período em que descansamos dos trabalhos do corte da cana enquanto a terra parece descansar também. O ritmo da vida dos homens e das mulheres acompanha o ritmo da terra. Eessa época de descanso é o período em que aparecem nossos artistas que cantam, dançam, vestem roupas coloridas e nos divertem como Ciganas, Pastores, Ambrósios, Mateus, Sebastiões, Empata Samba, Capitães Marinho e tantas outras figuras que nos fazem Reis do Oriente que cantam, seguindo a Estrela Guia sob a proteção dos Arcos de São Gonçalo.  

O Programa Canavial deseja parabenizar todos os artistas de nossa região que estão se aprontando para as apresentações nesse final de ano.

Para os dias 17 e 18 de dezembro de 2010.

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PROGRAMA CANAVIAL

Editorial 93

FESTIVAL CANAVIAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Tem início neste dia 19 e vai até o dia 04 de dezembro o FESTIVAL CANAVIAL.  A cada ano a Zona da Mata Norte experimenta o congraçamento de cidades, das pessoas, artistas, profissionais da região, na troca de informações e saberes tirados da vida e recriados pelas artes dos homens e mulheres da região.

Na cidade de tracunhaém haverá, na sexta e sábado, uma Roda de Mestres sobre a Ciranda e os cirandeiros e também muita ciranda na praça principal da cidade. Tracunhaém é a cidade que transforma a vida em obra de arte, uma arte surgida do encontro das mãos com o barro. Quase uma criação divina!

No mesmo dia 19, no Engenho Poço Comprido vai acontecer o CAMINHOS DO CANAVIAL, com a biblioteca  Mestre Batista, do Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança, contando histórias e dividindo a leitura e tradição juntamente com o Mamulego do Mestre Calú, a Poesia do Cordelista Costa Leite e o Cavalo Marinho Mestre Batista.

No Engenho Poço Comprido foram plantados, faz muito tempo, dois Baobás. Essas plantas atravessaram o Oceano Atlântico, foram trazidas da África para o Brasil, como aconteceu com muitos homens e mulheres que aqui chegaram como escravos. Para lembrar essa parte de nossa história vai acontecer, durante todo o dia 20, o Segundo Encontro de Jurema do Festival Canavial no engenho Poço Comprido, com a presença de mestre juremeiros e pesquisadores dessa religião que vem sendo praticada por uma parte do povo brasileiro, especialmente o povo da Mata Norte.  

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL, que faz parte do Movimento Cultural Canavial, convida vocês e todos os seus amigos, a participar das atividades do Festival Canavial que serão comentadas ao longo de nossa programação hoje e na próxima semana, serão atividades que ocorrerão nas cidades de Nazaré da Mata, Aliança, Vicência, Tracunhaém e Condado.

 

Para os dias 19 e 20 de novembro de 2010.

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nov/10

11

ANIVERSÁRIO DA REPÚBLICA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 92

 

ANIVERSÁRIO DA REPÚBLICA

 

Meus amigos

 

A segunda quinzena do mês de novembro tem início com uma festa no dia 15, a festa em que comemora a Proclamação da República, que ocorreu no ano de 1889. Até aquela data o Brasil era uma Monarquia, ou seja, o “governo de um”, pois a vontade única do imperador era suficiente para tornar legal algum comportamento ou decisão, e apenas a sua família poderia indicar quem governaria o Brasil. É verdade que a monarquia brasileira possuía uma Constituição e ela indicava o que o governante deveria fazer, mas essa pessoa possuía muito poder e o Estado era quase uma coisa sua. Com a Proclamação da República foi criada uma nova constituição e o Brasil passou a ser governado por pessoas comuns e nenhuma família, desde então, pode pensar que é dona do Brasil, porque o governo não é mais pessoal, mas é uma Coisa Pública. Coisa Pública é a tradução da palavra REPÚBLICA. 

Meus amigos, essa é uma idéia muito poderosa, porque ela diz que todas as pessoas que vivem no Brasil são responsáveis pelo Brasil, mas não são donas do Brasil. O presidente é eleito para ser responsável pelo Brasil, não para agir como se fosse dono do Brasil; o governador do estado é eleito para ser responsável pelo estado, não para agir como se fosse dono do estado; o prefeito é eleito para ser responsável pelo município, não para ser dono do município.  A República é assim: todos os membros da sociedade devem agir da melhor maneira para o bem de todos. Aqueles que se candidatam a cargos de administração sabem que suas ações devem ter o objetivo de tornar a República cada vez melhor para todos.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja a todos uma boa celebração de aniversário de nossa República.

Para os programas dos dias 12 e 13 de novembro de 2010.

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jun/10

10

                                                PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 69 

 

PONTOS DE CULTURA DA MATA NORTE

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes,

Nós temos dito neste PROGRAMA CANAVIAL que a gente pernambucana é bem criativa e sua criatividade sempre busca realizar o maior desejo dos homens: a liberdade de ser. E nós do PROGRAMA CANAVIAL estamos felizes porque novos Pontos de Cultura são reconhecidos na nossa região da Mata Norte.

Na cidade de Goiana, a CURICA, orquestra que tem sido ponto de cultura desde o século XIX, formadora de músicos clássicos e populares, a CURICA representante de importante setor da cidade do herói  Nunes Machado, foi reconhecida como Ponto de Cultura.

Visão do Baldo do Rio - foto de Biu Vicente

Visão do Baldo do Rio - foto de Biu Vicente

Também, ali, na Baldo do Rio da cidade de Goiana, AS PRETINHAS DO CONGO, que desde os anos trinta do século XX vem guardando, mantendo e renovando a cultura brasileira de origem africana, também foi reconhecido como PONTO DE CULTURA. Está de parabéns a cultura goianense por mais essa conquista que se encontra no Pátio da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Goiana.

 

E na tradicional Tracunhaém, parte viva da nossa história desde o século XVII, recebeu o reconhecimento do importante PONTO DE CULTURA DA ANDALUZA, bloco que mantém e cultiva uma das mais belas tradições dos carnavais matutos do século XX, contemporâneo dos primeiros maracatus. Hoje O Bloco Andaluza é o único representante desse brinquedo que encantava o carnaval de nossas cidades. Agora, como Ponto de Cultura podemos imaginar o florescimento dessa linda brincadeira.

Além disso, o PROGRAMA CANAVIAL está em festa pois nos dias 11 e 12 de junho está ocorrendo uma Mostra do Festival Canavial no Parque do Carmo, na cidade de Olinda.

 

Editorial escrito para o programa dos dias 11 e 12 de junho de 2010

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13 DE MAIO: UMA ALEGRIA INCOMPLETA

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes

Há dois grandes momentos no nosso ano escolhidos para que pensemos um pouco no processo que passamos para sermos os trabalhadores que somos hoje. Dois dias do ano, o dia 20 de novembro e o dia 13 de Maio foram estabelecidos para que não nos esqueçamos, jamais, de como foi construído o Brasil.  Essas duas datas acontecem a cada seis meses, e elas celebram, cada uma a seu modo, o processo de superação do sistema de trabalho escravo, utilizado durante muito tempo, para se produzir as riquezas necessárias para a vida social.

Violência escravocrata

Violência escravocrata

Esse sistema escravo foi o ponto mais alto da exploração do homem pelo homem. Quando um grupo de homens e mulheres decidiu escravizar outros grupos de homens e mulheres, eles pretenderam transformar aqueles homens e mulheres em animais, em objetos de suas vontades, em máquinas. Uma vez escutei de meus parentes mais velhos a expressão: “quem é escravo não ama”, e isso foi dito por pessoas cujos parentes mais velhos haviam sido escravos. Por experiência, meus parentes mais velhos, como os parentes de muitos que estão ouvindo essas palavras agora, entenderam que os donos de escravos não reconheciam que aqueles homens, mulheres e aquelas crianças tinham sentimentos, paixões, desejos de carinhos e de amor, desejos de ser livres. Mas nossos antepassados desejavam ser livres, e lutaram de muitas maneiras para acabar com a prática da escravidão. A escravidão foi vencida pela luta de muitos escravos, de filhos de ex-escravos como José do Patrocínio, André Rebouças, Luiz Gama e também filhos de senhores de engenho, como Joaquim Nabuco.

Joaquim Nabuco

Joaquim Nabuco

O dia 13 de Maio é a data cívica que lembra um resultado dessa luta e o momento quase final dessa luta.  No ano de 1888, a Princesa Isabel assinou um documento bem simples, com poucas palavras, que proibia, a partir daquele dia, a prática da escravidão no Brasil. Essa lei foi escrita por João Alfredo, que nasceu aqui na Zona da Mata Norte e era dono de engenhos, e ela ficou conhecida como Lei de Ouro ou Lei Áurea. Todos os povos que haviam sido escravos ficaram alegres. As Pretinhas do Congo ainda cantam um verso, que também é cantado nos terreiros espirituais, e ele diz assim:        

13 de maio o galo cantou

Catarina tava sambando

Quando a policia chegou

Samba nego, branco não vem cá

Festa e dança do Lundu

Festa e dança do Lundu

Mas, a Lei de Ouro não cuidou de organizar o trabalho livre, não cuidou de abrir escolas, não cuidou de garantir serviço de saúde para os novos cidadãos brasileiros. Por isso é que a gente diz que é necessário completar a lei do dia 13 de maio. Por isso a gente tem que continuar com o espírito dos Abolicionistas junto com o espírito de Zumbi dos Palmares e Malunguinho.

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares

Editorial escrito para o Programa Canavial dos dias 7 e 8 de maio de 2010.

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FELIZ PÁSCOA

Bumba meu boi - festa da alegria

Bumba meu boi - festa da alegria

Severino Vicente da Silva

 

Caros amigos

 

 

 

 

Por mais um ano, a ação Nação Cultural do governo de Pernambuco teve início na cidade de Goiana, lugar que serve de síntese das muitas culturas que foram criadas na Mata Norte e que hoje são consideradas Patrimônio Cultural pernambucano. Não que elas todas tenham recebido oficialmente esse tipo de comenda, de homenagem, pois isso não é necessário. Todas as manifestações criadas pelo povo da Mata Norte são patrimônio porque elas vieram de todos os nossos pais e formam a nossa pátria mais próxima.

Patrimônio é toda a herança que nossos pais nos deixam e fazem parte da riqueza de nossa família. Nossos pais, os nossos avós e bisavós receberam algumas tradições de seus pais, avós e bisavós e, juntaram essa herança com as experiências que foram tendo, especialmente a partir da segunda metade do século XIX e no início do século XX, e recriaram essa herança fazendo nascer maracatus, bumba meu boi, cavalo marinho, caboclinhos, mamulengos, cocos, cirandas, orquestras, retretas, e tantas coisas que, de tão bonitas e de tanto significados importantes, que fazem todos os pernambucanos, inclusive os que não são da Zona da Mata, orgulhosos de nossos antepassados, e de nós, os que continuamos a manter o patrimônio cultural que herdamos.

É dessa época do final da Quaresma que surgiu uma brincadeira conhecida como o Boi de Páscoa. Como a festa de Páscoa lembra a ressurreição de Jesus, para comemorar essa alegria é que começou a aparecer e a dançar na frente das igrejas de nossa região o Boi de Páscoa. Como foi na cidade de Timbaúba e em outras. Pode ser que esta brincadeira seja uma simplificação da brincadeira do Bumba meu Boi, uma brincadeira que simboliza a morte de um boi, cujo seu corpo repartido pelos que participam da festa: ficando um com a cabeça, outro com peito, outro com a rabada, etc. A divisão que se faz do boi lembra que vamos ter a verdadeira páscoa quando não houver mais fome, quando todos os que trabalham sejam respeitados e a festa será permanente, sem ninguém dominando outra pessoa.

O Programa Canavial deseja, a todos, uma Feliz Páscoa.

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Texto escrito para os programas dos dias 2 e 3 de abril de 2010.

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