História e Canavial |

CAT | Festa Religiosa

 

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 98
 

O DOCE DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva
 

Meus amigos,

Estamos no final do ano e este é um tempo de verificar o que fizemos, nos alegrarmos pelo que foi feito e também ver o que poderemos melhorar no próximo ano.  Um dos motivos de alegria é o que ocorreu com a Pretinhas do Congo do Baldo do Rio,  de Goiana. Este ano, o grupo cultural que é mantido pela população de pescadores e trabalhadores de várias artes manuais do Baldo do Rio, apresentou-se em várias cidades de Pernambuco, assumindo o seu lugar em nossa Nação Cultural.

Neste final de ano, a  Pretinhas do Congo do Baldo do Rio está fazendo um encontro histórico na cidade de Floresta, no Sertão do Pajeú. É a festa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Igreja do Bom Jesus, onde ocorre a coroação do Rei e Rainha do Congo.  Festa dedicada a São Benedito,  marca o final e início do ano naquela cidade sertaneja que nasceu em torno da devoção de Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos. Que alegria da Pretinhas do Congo nesta festa que tem mais de duzentos anos. Um grupo cultural da Mata Norte de Pernambuco na festa cultural do Sertão do Pajeú. Vale lembrar para os tradicionais folcloristas, que esta festa de coroaçao do Rei do Congo não se transformou em Maracatu e continua sendo realizada no interior da Igreja. A Irmandade de Nosso Senhor do Rosário dos Pretos de Floresta é Patrimônio Imaterial de Pernambuco.
 Outra alegria para nós foi a realização do Festival Canavial envolvendo Tracunhaém, Vicência, Nazaré da Mata, Condado e Goiana. Nossos grupos culturais estão cada vez mais cooperativos e animados. O Movimento Canavial está de parabéns, seja pela realização dos programas nas rádios comunitárias que, cada vez mais informam sobre a nossa cultura, nossos hábitos, nossas realizações, nossas dificuldades e nossos objetivos.
O Programa Canavial fica contente com a publicação do Jornal da Banda 28 de julho, de Condado, cada vez mais organizada e ativa, como também é ativa a Banda Curica de Goiana. Ficamos felizes com o Encontro de Ciranda realizada em Tracunhaém, e nos alegramos com o Encontro de Sanfoneiros de Vicência, que foram resultados de projetos nascidos e pensados e apresentados por gente e Pontos de Cultura de nossa querida Zona da Mata. Também vimos se realizados o Primeiro Encontro com os pequenos mestres da nossa cultura e o Priumeiro Encontro de Coquistas da Mata Norte.  Também aconteceu um curso de produção de instrumentos musicais. Foram tantas as iniciativas nascidas, construídas e realizadas na nossa Região da Mata Norte por pessoas daqui, por gente que a gente encontra na rua diariamente. Isso mostra que nós continuamos a ser um lugar de criação cultural e que a nossa juventude é uma juventude alegre, cuidadosa, criativa e que está construindo uma região cada vez melhor e mais consciente de si mesma.
Mas precisamos que as nossas escolas, os nossos professores, os líderes de nossas comunidades, os padres, os pastores, os babalorixás, os prefeitos, vereadores, juízes e todas as autoridades da região continuem a alimentar a esperança de nossa juventude, confiando nela e nas suas iniciativas. O verdadeiro doce da Mata Norte é a esperança e a certeza de nossas gerações.
Feliz Ano Novo com muitas realizações em 2001.
Esses são os desejos do Programa Canavial.

Para os dias 31 de dezembro de 2010 e 1º de janeiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 96

PASTORIL E OUTRAS DANÇAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada o Programa Canavial vem apresentando assuntos para as nossas conversas e são sempre a respeito de acontecimentos e criações que nossa região vem criando nos últimos duzentos anos. Essas brincadeiras, essas histórias, essas festas que fazemos a cada ano, e todos os anos, são o retrato da vida que vem sendo vivida nessa nossa terra desde os tempos dos avôs e avós dos nossos avôs e avós. A cada semana nós conversamos sobre a nossa história, a história que eles fizeram e nós herdamos e a história que nós estamos fazendo e que nossos filhos e netos herdarão.

Houve um tempo em que o PASTORIL era um teatro e uma dança comum e que se apresentava quase sempre na frente da Igreja. O Pastoril é parecido com uma peça de teatro na qual os artistas não falam, apenas cantam, e que é conhecida como Ópera. O Pastoril começou a ser dançado, em Portugal, muitos anos antes dos portugueses chegarem ao Brasil.

O Pastoril conta uma viagem que ciganas saem do Egito para se festejar com uma família na qual a mulher acabou de dar a luz a uma criança. Nessa viagem as pastorinhas, que são as ciganas do Egito, passam por muitos lugares; em algumas casas há jardins, e elas e lá encontram borboletas; no caminho fazem amizade com um pastor de ovelhas que as acompanha enquanto elas seguem uma estrela que as guia até a casa onde ocorreu o nascimento do menino que recebeu o nome de Jesus. Todos os nomes têm um significado e o nome Jesus significa “Deus Salva”. Ou seja, a história do pastoril é a história de pessoas que andam até encontrar um motivo para ficar alegres e serem felizes.

Diana e Anjo

Diana e Anjo

A dança-teatro do Pastoril  era apresentada até o dia seis de Janeiro, o dia da Festa dos Reis Magos, que também saíram de suas terras no Oriente para visitar o Menino que nasceu em um ligar muito simples e pobre, uma cocheira, um lugar que serve para proteger os animais.

Meus amigos, na nossa região, nós costumamos celebrar o tempo do Natal com danças como o Pastoril, o Cavalo Marinho, Cirandas, Cocos, e muito Forró. Esse é um período em que descansamos dos trabalhos do corte da cana enquanto a terra parece descansar também. O ritmo da vida dos homens e das mulheres acompanha o ritmo da terra. Eessa época de descanso é o período em que aparecem nossos artistas que cantam, dançam, vestem roupas coloridas e nos divertem como Ciganas, Pastores, Ambrósios, Mateus, Sebastiões, Empata Samba, Capitães Marinho e tantas outras figuras que nos fazem Reis do Oriente que cantam, seguindo a Estrela Guia sob a proteção dos Arcos de São Gonçalo.  

O Programa Canavial deseja parabenizar todos os artistas de nossa região que estão se aprontando para as apresentações nesse final de ano.

Para os dias 17 e 18 de dezembro de 2010.

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São Jorge

São Jorge

SÃO JORGE.

Severino Vicente da Silva 

Poucos santos são tão populares quanto Jorge da Capadócia, embora os documentos que falam de sua vida não mereçam muita confiança dos historiadores. Jorge teria vivido no século IV, quando ainda ser cristão era um crime. Ele era de família ilustre e nobre e, secretamente cristã, seguidora de Jesus Cristo. Jorge decidiu ser soldado e logo foi feito oficial do exército romano. Após a morte de sua mãe repartiu a riqueza da família com os pobres. Quando o imperador Diocleciano decidiu promover uma grave perseguição aos cristãos, Jorge levantou-se em defesa da sua fé, declarando-se cristão. O imperador o mandou torturar e finalmente degolá-lo. O que aconteceu no dia 23 de abril de 303. O seu corpo foi levado para a cidade de Lida, onde cresceu e, anos depois o imperador Constantino, que se tornou cristão, mandou construir um oratório. A partir de então a devoção ao santo espalhou-se por toda a Europa.

Os reis da Inglaterra viam Jorge como o exemplo para a nobreza e todos os soldados, e nas bandeiras da Inglaterra e da Grécia podem ser vistas a Cruz de São Jorge. Também o rei que fundou Portugal tinha devoção a São Jorge, pois, segundo Dom Nuno Alves, São Jorge estava ao seu lado na batalha contra os espanhóis. São Jorge é o padroeiro de Portugal. Também na Rússia São Jorge é muito querido do povo.

Mas também tem uma lenda que diz que a mãe de Jorge morreu de parto e o menino foi roubado por uma fada que preparou o menino para as suas aventuras. O corpo de Jorge tinha três marcas: um dragão no peito, uma fita na perna e uma cruz no braço. Quando cresceu Jorge participou de uma cruzada contra os sarracenos na Líbia. Ali havia um monstro, um dragão que expelia veneno pelas narinas e exigia alimentação de ovelhas e, quando as ovelhas acabaram, o povo começou a alimentar a fera com as crianças. Finalmente, a fera ia se alimentar da filha do rei. Então Jorge, quando soube disso foi até o palácio do rei e o fez prometer que se ele matasse o dragão, todas as pessoas do reino se tornariam seguidoras de Jesus Cristo. Depois foi ao local onde o dragão vivia e mandou a jovem voltar para casa e lutou contra o dragão e o matou com um golpe de lança em sua garganta. Depois Jorge levou o corpo do dragão para a cidade e cortou a cabeça da fera na frente de todos. Nessa lenda, o Dragão é o demônio que traz o sofrimento e a morte, Jorge é o seguidor de Jesus que com sua fé salva o povo.

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No Brasil, as lendas de São Jorge foram misturadas com as lendas dos índios e a dos africanos que foram trazidos para cá. Jaci, a lua, guarda com a sua luz branda o sono dos homens e mulheres, a lua é o lugar onde mora São Jorge sempre em luta contra o mal. Na Bahia, o orixá Oxossi é ligado à Lua e a lua é de São Jorge. No Rio de Janeiro e no Recife, os crentes da Umbanda e do Candomblé fazem a ligação entre São Jorge e Ogun. Em todos os terreiros da Jurema Sagrada a presença de São Jorge é obrigatória.

O Programa Canavial nesta semana homenageia o Santo que com sua espada Ascalon defende o povo de todos os dragões e suas maldades.

 

Escrito para o PROGRAMA CANAVIAL e lido nos dias 16 e 17  de abril 2009

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FELIZ PÁSCOA

Bumba meu boi - festa da alegria

Bumba meu boi - festa da alegria

Severino Vicente da Silva

 

Caros amigos

 

 

 

 

Por mais um ano, a ação Nação Cultural do governo de Pernambuco teve início na cidade de Goiana, lugar que serve de síntese das muitas culturas que foram criadas na Mata Norte e que hoje são consideradas Patrimônio Cultural pernambucano. Não que elas todas tenham recebido oficialmente esse tipo de comenda, de homenagem, pois isso não é necessário. Todas as manifestações criadas pelo povo da Mata Norte são patrimônio porque elas vieram de todos os nossos pais e formam a nossa pátria mais próxima.

Patrimônio é toda a herança que nossos pais nos deixam e fazem parte da riqueza de nossa família. Nossos pais, os nossos avós e bisavós receberam algumas tradições de seus pais, avós e bisavós e, juntaram essa herança com as experiências que foram tendo, especialmente a partir da segunda metade do século XIX e no início do século XX, e recriaram essa herança fazendo nascer maracatus, bumba meu boi, cavalo marinho, caboclinhos, mamulengos, cocos, cirandas, orquestras, retretas, e tantas coisas que, de tão bonitas e de tanto significados importantes, que fazem todos os pernambucanos, inclusive os que não são da Zona da Mata, orgulhosos de nossos antepassados, e de nós, os que continuamos a manter o patrimônio cultural que herdamos.

É dessa época do final da Quaresma que surgiu uma brincadeira conhecida como o Boi de Páscoa. Como a festa de Páscoa lembra a ressurreição de Jesus, para comemorar essa alegria é que começou a aparecer e a dançar na frente das igrejas de nossa região o Boi de Páscoa. Como foi na cidade de Timbaúba e em outras. Pode ser que esta brincadeira seja uma simplificação da brincadeira do Bumba meu Boi, uma brincadeira que simboliza a morte de um boi, cujo seu corpo repartido pelos que participam da festa: ficando um com a cabeça, outro com peito, outro com a rabada, etc. A divisão que se faz do boi lembra que vamos ter a verdadeira páscoa quando não houver mais fome, quando todos os que trabalham sejam respeitados e a festa será permanente, sem ninguém dominando outra pessoa.

O Programa Canavial deseja, a todos, uma Feliz Páscoa.

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Texto escrito para os programas dos dias 2 e 3 de abril de 2010.

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