História e Canavial |

CAT | Texto editorial

 

 

Sala de Informática no Ponto de Cultura Estrela de Ouro

Sala de Informática no Ponto de Cultura Estrela de Ouro

O MÉTODO CANAVIAL, UMA INTRODUÇÃO À PRODUÇÃO CULTURAL.

 Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes

 

São muitos os produtos que os homens e mulheres livres podem criar ao tocar na terra, colaborando com a natureza, organizando a sua vitalidade e a sua fecundidade. Muito antes que o Brasil viesse a ser o que hoje ele é, nossos avós indígenas criaram meios e objetos para tirar dos rios os peixes que a natureza criava; também inventaram técnicas para acompanhar as caminhadas dos veados, das capivaras, onças, macacos e pássaros para caçá-los e fazer deles seus alimentos e, de maneira semelhante souberam olhar os vegetais e descobrir quais as que poderiam servir como alimentos e quais as que poderiam servir para fazer vestuários e moradias. E foi assim que nossos avós desenvolveram técnicas para usar o timbí  para a pesca, a cultivar o algodão para tecer as tangas, cuidar das palmeiras para fazer as redes, tirar o veneno da mandioca para dele fazer a farinha, beijus e tapiocas. E tudo isso foi repassado, geração após geração, até chegar a nós. Ou seja, nossos antepassados desenvolveram um método para aprender e dominar a natureza e também o método de transmitir, ou seja, ensinar o que inventaram aos seus filhos e eles passaram esse conhecimento, essas técnicas que nós usamos ainda hoje.

Este é o grande segredo dos homens e das mulheres: inventar um jeito de saber fazer os objetos que precisa; criar uma maneira de transmitir o que já sabe e aprender fazer. Por isso é que se diz que os homens e as mulheres são seres culturais, animais criadores de cultura. Também nos engenhos houve criação e transmissão de cultura, mas, diferente dos nossos antepassados índios, o que se aprendia nos engenhos não era ensinado a todos e, quem queria o que era produzido nos engenhos de açúcar e nas usinas tinha que pagar. E foi para mudar um pouco essa situação que o Movimento Canavial foi nascendo. Foi a partir da experiência que Afonso Oliveira foi tendo com os caboclos dos maracatus de baque solto, e, n Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança foi sendo criada uma Usina Cultural, lugar que atraiu pessoas que querem aprender como melhorar a produção cultural. E seguindo o modo dos nossos antepassados índios, neste sábado, estará sendo realizado o lançamento do livro O MÉTODO CANAVIAL: UMA INTRODUÇÃO À PRODUÇÃO CULTURAL. Nesse livro ele conta como aprendeu a fazer produção cultural e, como nossos avós, à medida que nos conta, ele nos ensina como fazer.

Na Usina Cultural Estrela de Ouro

Na Usina Cultural Estrela de Ouro

Esse é o seu método, ou seja a sua maneira de fazer, o caminho que todos fazemos para aprender e, do jeito que aprendemos, nós ensinamos. O segredo de Método Canavial é: aprenda com os outros, ensine o que aprende e faça isso como um índio velho que conversa com o seu neto.

 

Texto escrito para os programas 23 e 24 de abrl de 2010

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São Jorge

São Jorge

SÃO JORGE.

Severino Vicente da Silva 

Poucos santos são tão populares quanto Jorge da Capadócia, embora os documentos que falam de sua vida não mereçam muita confiança dos historiadores. Jorge teria vivido no século IV, quando ainda ser cristão era um crime. Ele era de família ilustre e nobre e, secretamente cristã, seguidora de Jesus Cristo. Jorge decidiu ser soldado e logo foi feito oficial do exército romano. Após a morte de sua mãe repartiu a riqueza da família com os pobres. Quando o imperador Diocleciano decidiu promover uma grave perseguição aos cristãos, Jorge levantou-se em defesa da sua fé, declarando-se cristão. O imperador o mandou torturar e finalmente degolá-lo. O que aconteceu no dia 23 de abril de 303. O seu corpo foi levado para a cidade de Lida, onde cresceu e, anos depois o imperador Constantino, que se tornou cristão, mandou construir um oratório. A partir de então a devoção ao santo espalhou-se por toda a Europa.

Os reis da Inglaterra viam Jorge como o exemplo para a nobreza e todos os soldados, e nas bandeiras da Inglaterra e da Grécia podem ser vistas a Cruz de São Jorge. Também o rei que fundou Portugal tinha devoção a São Jorge, pois, segundo Dom Nuno Alves, São Jorge estava ao seu lado na batalha contra os espanhóis. São Jorge é o padroeiro de Portugal. Também na Rússia São Jorge é muito querido do povo.

Mas também tem uma lenda que diz que a mãe de Jorge morreu de parto e o menino foi roubado por uma fada que preparou o menino para as suas aventuras. O corpo de Jorge tinha três marcas: um dragão no peito, uma fita na perna e uma cruz no braço. Quando cresceu Jorge participou de uma cruzada contra os sarracenos na Líbia. Ali havia um monstro, um dragão que expelia veneno pelas narinas e exigia alimentação de ovelhas e, quando as ovelhas acabaram, o povo começou a alimentar a fera com as crianças. Finalmente, a fera ia se alimentar da filha do rei. Então Jorge, quando soube disso foi até o palácio do rei e o fez prometer que se ele matasse o dragão, todas as pessoas do reino se tornariam seguidoras de Jesus Cristo. Depois foi ao local onde o dragão vivia e mandou a jovem voltar para casa e lutou contra o dragão e o matou com um golpe de lança em sua garganta. Depois Jorge levou o corpo do dragão para a cidade e cortou a cabeça da fera na frente de todos. Nessa lenda, o Dragão é o demônio que traz o sofrimento e a morte, Jorge é o seguidor de Jesus que com sua fé salva o povo.

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No Brasil, as lendas de São Jorge foram misturadas com as lendas dos índios e a dos africanos que foram trazidos para cá. Jaci, a lua, guarda com a sua luz branda o sono dos homens e mulheres, a lua é o lugar onde mora São Jorge sempre em luta contra o mal. Na Bahia, o orixá Oxossi é ligado à Lua e a lua é de São Jorge. No Rio de Janeiro e no Recife, os crentes da Umbanda e do Candomblé fazem a ligação entre São Jorge e Ogun. Em todos os terreiros da Jurema Sagrada a presença de São Jorge é obrigatória.

O Programa Canavial nesta semana homenageia o Santo que com sua espada Ascalon defende o povo de todos os dragões e suas maldades.

 

Escrito para o PROGRAMA CANAVIAL e lido nos dias 16 e 17  de abril 2009

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Painel Di Cavalcanti

Painel Di Cavalcanti

O TEMPO DE ESCOLHER CANDIDATOS

 

Severino Vicente da Silva

Caros amigos,

Nesta semana ocorreram mudanças nas secretarias de governo de Estados e Municípios,  bem como nos ministérios do governo federal. É que chegou o tempo de começar a campanha eleitoral. Este é um ano de eleição, e nós iremos escolher novo governador, novos senadores, novos deputados e novo presidente da República. Todos nós já sabemos que cada um de nós tem a responsabilidade de votar, de escolher essas pessoas que irão comandar o Estado de Pernambuco e  governar o Brasil. Esses cargos, o de governador e de presidente são cargos de gerente. Um governador não é dono do estado, nem o presidente é dono do Brasil, eles assumem um emprego, e o salário deles é tirado dos impostos que nós pagamos. Temos que prestar atenção em quem vamos votar.

Mas também nós vamos escolher as pessoas que fazem as leis que nós somos obrigados a cumprir. Quem cria as leis são os deputados e os senadores. Assim, é bom a gente tirar um tempinho para pensar e se informar sobre esses candidatos a deputados e senadores. Se a gente  não prestar atenção é capaz de estar votando em quem não costuma cumprir a lei para a função de criar as leis. Veja bem: se uma pessoa não paga corretamente os salários de seus empregados, será que essa pessoa deve ser eleita para ser deputado ou senador? Essa semana, os deputados federais, principalmente os aliados do atual governo, resolveram que não iam votar uma lei que proíba gente que já foi condenado a ser candidato. E essa lei foi proposta por um milhão e seiscentos mil eleitores do Brasil inteiro!  A gente fica perguntando: por que será que esses deputados não querem criar essa lei?

Meus amigos, o Programa Canavial lembra que começou o tempo em que muitos candidatos vão aparecer nas nossas ruas e casas pedindo votos; por isso é tempo da gente começar a pesquisar a vida desses candidatos para a gente poder votar tranqüilo de que está elegendo as melhores pessoas para governar Pernambuco, o Brasil e para criar as leis que o Brasil precisa.

 

Editorial escrito para o PROGRAMA CANAVIAL dos dias 9 e 10 de abril de 2010.

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FELIZ PÁSCOA

Bumba meu boi - festa da alegria

Bumba meu boi - festa da alegria

Severino Vicente da Silva

 

Caros amigos

 

 

 

 

Por mais um ano, a ação Nação Cultural do governo de Pernambuco teve início na cidade de Goiana, lugar que serve de síntese das muitas culturas que foram criadas na Mata Norte e que hoje são consideradas Patrimônio Cultural pernambucano. Não que elas todas tenham recebido oficialmente esse tipo de comenda, de homenagem, pois isso não é necessário. Todas as manifestações criadas pelo povo da Mata Norte são patrimônio porque elas vieram de todos os nossos pais e formam a nossa pátria mais próxima.

Patrimônio é toda a herança que nossos pais nos deixam e fazem parte da riqueza de nossa família. Nossos pais, os nossos avós e bisavós receberam algumas tradições de seus pais, avós e bisavós e, juntaram essa herança com as experiências que foram tendo, especialmente a partir da segunda metade do século XIX e no início do século XX, e recriaram essa herança fazendo nascer maracatus, bumba meu boi, cavalo marinho, caboclinhos, mamulengos, cocos, cirandas, orquestras, retretas, e tantas coisas que, de tão bonitas e de tanto significados importantes, que fazem todos os pernambucanos, inclusive os que não são da Zona da Mata, orgulhosos de nossos antepassados, e de nós, os que continuamos a manter o patrimônio cultural que herdamos.

É dessa época do final da Quaresma que surgiu uma brincadeira conhecida como o Boi de Páscoa. Como a festa de Páscoa lembra a ressurreição de Jesus, para comemorar essa alegria é que começou a aparecer e a dançar na frente das igrejas de nossa região o Boi de Páscoa. Como foi na cidade de Timbaúba e em outras. Pode ser que esta brincadeira seja uma simplificação da brincadeira do Bumba meu Boi, uma brincadeira que simboliza a morte de um boi, cujo seu corpo repartido pelos que participam da festa: ficando um com a cabeça, outro com peito, outro com a rabada, etc. A divisão que se faz do boi lembra que vamos ter a verdadeira páscoa quando não houver mais fome, quando todos os que trabalham sejam respeitados e a festa será permanente, sem ninguém dominando outra pessoa.

O Programa Canavial deseja, a todos, uma Feliz Páscoa.

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Representação da Ressureição - Festa da Vida

Texto escrito para os programas dos dias 2 e 3 de abril de 2010.

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