História e Canavial |

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Como todos os sábados, chego ao Ponto de Cultura Estrela de Ouro de Aliança para acompanhar as ações do Ponto de Leitura. Os vinte jovens, desde os quatro anos até aquele que está com dezesseis anos, dividem-se em três grupos sob a orientação de Wanessa, Manuela, Daniela e Érica. O Tema geral deste mês a busca da compreensão de que o Brasil precisa desenvolver a sua consciência de que parte de sua cultura está ligada à tradições vindas da África, trazidas por vários povos que foram vendidos para serem escravos no Brasil. Para termos uma consciência brasileira é necessário que desenvolvamos uma consciência de somos, também, negros africanos. Enquanto os trabalhos ocorriam em lugares diversos, os mais velhos estavam sentados à sombra de uma jaqueira, conversando sobre a travessia dos navios tumbeiros; os menores ocuparam uma das salas da Biblioteca Mestre Batista e conversavam sobre como as máscaras podem ser feitas e as faziam, eu fui analisar os novos livros que chegaram para o nosso acervo. Folheando, analisando os temas fui surpreendido pelo exemplar que nos foi enviado pelo Museu da Pessoa, que está em São Paulo, MEMÓRIAS DE BRASILEIROS, UMAS HISTÓRIA EM TODOS OS CANTOS, contando muitas Histórias de pessoas, depoimentos de gente que está construindo o Brasil. O livro foi editado em 2008. Na parte dedicada a Pernambuco tem a história de Paulo Freire, Suzane Brust, Vanere Almeida e José Bernardo da Silva, o Mestre Zé Duda do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Nesta quinzena está ocorrendo o Festival Canavial, que põe juntos artistas da nossa região e artistas de visibilidade no mercado cultural comercial. É uma oportunidade para nos contrapormos às tendências artísticas de apelo dito “popular”, mas repetição criativa nem sempre de boa qualidade ou que estimule um aperfeiçoamento dos espíritos e das boas tradições. Hoje à noite ocorrerá a apresentação de filmes de animação, criação de jovens que freqüentam oficinas organizadas pelo Ponto de Cultura Cinema de Animação da cidade Igarassu. Assim abrimos veredas para a imaginação e apontamos novos caminhos à beira dos canaviais de Aliança. Ver o depoimento de Mestres da Cultura brasileira, ler suas memórias em livros que podem ser acessados nos diversos espaços nacionais, é sempre uma vereda para a criação de novas interpretações da história do Brasil

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 104

OS BLOCOS DAS VITÓRIAS DE NOSSOS CANAVIAIS

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

A semana passada nós conversamos um pouco sobre a música e a dança que tem um significado especial para os pernambucanos: o frevo. Inventado e crescido nas ruas do Recife, diferentemente do que muitos pensam essa dança e esse ritmo não ficou preso nas ruas da capital. Se um dia alguém for estudar onde o frevo é tocado e dançado em Pernambuco, vai anotar, em seu livro, nomes de cidades de todas as regiões de Pernambuco. É que esse ritmo de liberdade foi sendo espalhado pelo território pernambucano nos trilhos dos trens. Pernambuco inteiro dança o frevo que é uma dança da liberdade republicana, como as principais e mais vivas tradições pernambucanas, como é o caso do Maracatu Rural que vem crescendo em número a cada ano, apesar dos prefeitos e governadores preferirem transferir a renda dos municípios e do estado para as bandas eletrônicas ao invés de apoiarem as orquestras e os clubes da região. É claro que precisamos trazer artistas e bandas de fora para que possamos trocar experiências e ter novos conhecimentos, mas é necessário que haja uma melhor paga aos artistas locais e da região. A globalização não significa apenas receber o que vem de fora, mas é também fortalecer o que temos para poder mostrar o que somos.

Não é segredo para ninguém que “quando o povo decide cair na frevança, não há quem dê jeito, agüenta o rojão, fica sem comer, mas no fim, tá tudo ok” já explicava o grande maestro Nelson Ferreira no frevo-canção O Bloco da Vitória. Quando ele escreveu esses versos estava havendo importantes mudanças na vida social e política do Brasil e essas mudanças terminam por aparecer na criação cultural.

Em 1962, pelo Acordo do Campo, pela primeira vez os cortadores de cana passaram a receber o salário mínimo. Isso quer dizer que os cortadores de cana podiam se libertar do barracão do engenho e da usina. Foi o primeiro acordo assinado entre os trabalhadores e os donos das terras. Era quase um novo treze de maio, pois agora o trabalhador sabia que podia escolher onde e o que comprar. Era a liberdade e o começo de um novo tempo de alegria, embora os problemas continuassem existindo. Mas a alegria fez aparecer muitos blocos no carnaval de 1963. Eram blocos que saiam dos povoados dos engenhos, saiam tocando uma marcha acelerada, com uma caixa, um zabumba e uma sanfona. Era a época das Caravanas que iam de engenho a engenho para alegrar e divertir.  A maior parte desses blocos deixou de existir. Mas em Tracunhaém tem o Bloco Rural Andaluza que foi criado no Engenho dos Abreus no ano de 1963. Ainda sob o comando do Mestre Emeliano, o Bloco Andaluza faz a alegria de Tracunhaém e de outras cidades da Mata Norte.

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

O Programa Canavial desta semana homenageia o Bloco Rural Andaluza nos seus 47 anos de lutas e glórias, ao mesmo tempo em que lembra aos prefeitos e a todos os cidadãos da Zona da Mata Norte que é nossa obrigação apoiar os artistas que fazem a alegria de nossos carnavais.

 

Para os dias 11 e 12 de fevereiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 99

Para os dias 7 e 8 de janeiro de 2011.

PREPARANDO AS ESCOLAS DE NOSSOS FILHOS

Severino Vicente da Silva

 

 

Meus amigos

Estamos a começar um novo ano, um novo período de nossa vida, e devemos vivê-la em todas as suas possibilidades. E um bom começo é verificar o que está acontecendo em nossas cidades. Vamos ficar atentos para saber se as escolas estão sendo limpas e preparadas para receber nossos filhos. Isso quer dizer que este é o momento em que os secretários de educação devem se reunir com os diretores das escolas e verificar se há cadeiras e mesas em quantidade suficiente e em boas condições de uso; observar se as instalações sanitárias estão funcionando corretamente e se a biblioteca da escola está sendo renovada. É também importante verificar se a área de recreio está limpa e bem aparelhada. A gente precisa aprender que uma escola é muito mais complexa do que ter apenas sala, quadro e professor. Vamos exigir que as nossas escolas públicas sejam tão boas, ou melhores que as melhores escolas particulares. E os vereadores, deputados, prefeitos e governador, juntamente com os seus secretários foram eleitos para gerenciar os impostos arrecadados de maneira a que todos os cidadãos tenham acesso ao que há de melhor, pois é para isso que nós produzimos a riqueza neste país.

 

E o melhor no início do ano são as festas em louvor e lembrança dos Reis Magos, sábios que, diz a tradição, saíram de suas terras e foram procurar o lugar onde nasceu Jesus, o maior de todos os reis. E é no louvor a esses sábios que são feitas as últimas apresentações do Pastoril com a Queima da Lapinha. Essa parte da festa que parecia ter sumido, nos últimos tempos tem renascido, ocorrendo em muitas cidades. No Recife ocorreram quatro queimas. E na Festa de Reis de Carpina, a maior da região, está sendo muito animada e com muitas apresentações de Babaus ou Mamulengos, além de Cavalo Marinho. Aliás, vocês sabiam que o Mestre Salustiano criou um Encontro de Cavalo Marinho lá na sua casa, A Casa da Rabeca em Olinda? Pois bem, os filhos dele continuam a fazer esse encontro que se realiza neste final de semana.

O Programa Canavial deseja todos muita alegria nesta Festa dos Santos Reis.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 98
 

O DOCE DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva
 

Meus amigos,

Estamos no final do ano e este é um tempo de verificar o que fizemos, nos alegrarmos pelo que foi feito e também ver o que poderemos melhorar no próximo ano.  Um dos motivos de alegria é o que ocorreu com a Pretinhas do Congo do Baldo do Rio,  de Goiana. Este ano, o grupo cultural que é mantido pela população de pescadores e trabalhadores de várias artes manuais do Baldo do Rio, apresentou-se em várias cidades de Pernambuco, assumindo o seu lugar em nossa Nação Cultural.

Neste final de ano, a  Pretinhas do Congo do Baldo do Rio está fazendo um encontro histórico na cidade de Floresta, no Sertão do Pajeú. É a festa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Igreja do Bom Jesus, onde ocorre a coroação do Rei e Rainha do Congo.  Festa dedicada a São Benedito,  marca o final e início do ano naquela cidade sertaneja que nasceu em torno da devoção de Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos. Que alegria da Pretinhas do Congo nesta festa que tem mais de duzentos anos. Um grupo cultural da Mata Norte de Pernambuco na festa cultural do Sertão do Pajeú. Vale lembrar para os tradicionais folcloristas, que esta festa de coroaçao do Rei do Congo não se transformou em Maracatu e continua sendo realizada no interior da Igreja. A Irmandade de Nosso Senhor do Rosário dos Pretos de Floresta é Patrimônio Imaterial de Pernambuco.
 Outra alegria para nós foi a realização do Festival Canavial envolvendo Tracunhaém, Vicência, Nazaré da Mata, Condado e Goiana. Nossos grupos culturais estão cada vez mais cooperativos e animados. O Movimento Canavial está de parabéns, seja pela realização dos programas nas rádios comunitárias que, cada vez mais informam sobre a nossa cultura, nossos hábitos, nossas realizações, nossas dificuldades e nossos objetivos.
O Programa Canavial fica contente com a publicação do Jornal da Banda 28 de julho, de Condado, cada vez mais organizada e ativa, como também é ativa a Banda Curica de Goiana. Ficamos felizes com o Encontro de Ciranda realizada em Tracunhaém, e nos alegramos com o Encontro de Sanfoneiros de Vicência, que foram resultados de projetos nascidos e pensados e apresentados por gente e Pontos de Cultura de nossa querida Zona da Mata. Também vimos se realizados o Primeiro Encontro com os pequenos mestres da nossa cultura e o Priumeiro Encontro de Coquistas da Mata Norte.  Também aconteceu um curso de produção de instrumentos musicais. Foram tantas as iniciativas nascidas, construídas e realizadas na nossa Região da Mata Norte por pessoas daqui, por gente que a gente encontra na rua diariamente. Isso mostra que nós continuamos a ser um lugar de criação cultural e que a nossa juventude é uma juventude alegre, cuidadosa, criativa e que está construindo uma região cada vez melhor e mais consciente de si mesma.
Mas precisamos que as nossas escolas, os nossos professores, os líderes de nossas comunidades, os padres, os pastores, os babalorixás, os prefeitos, vereadores, juízes e todas as autoridades da região continuem a alimentar a esperança de nossa juventude, confiando nela e nas suas iniciativas. O verdadeiro doce da Mata Norte é a esperança e a certeza de nossas gerações.
Feliz Ano Novo com muitas realizações em 2001.
Esses são os desejos do Programa Canavial.

Para os dias 31 de dezembro de 2010 e 1º de janeiro de 2011

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dez/10

9

Nossa Cultura nas Escolas

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 95

 

Nossa Cultura nas Escolas

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Estamos começando o mês de dezembro e nele acontece a festa de natal. Essa palavra lembra outra, nascimento. A cada mês de dezembro fazemos uma festa para lembrar o nascimento de uma criança que foi apontada como sinal de contradição por trazer alegrias e sofrimentos a muitos. A festa de 25 de dezembro lembra uma criança que nasceu sem uma casa, junto a animais e visitada por gente muito simples, pastores e reis encantados com a tranqüilidade de uma mulher e homem felizes por estarem continuando a obra da criação divina.

Em nossa região da Mata Norte, neste ano, a festa do Menino Jesus parece que vai começando mais cedo. Em Goiana está sendo realizado o Primeiro Encontro Infantil de Cultura Popular da Zona da Mata. Uma das idéias básicas do projeto é debater a relação entre a cultura que as crianças aprendem nos terreiros, quintais, nas salas de suas casas e a cultura que elas aprendem nas escolas que freqüentam. O professor Paulo Freire costumava dizer que quando uma pessoa vai para a escola ela já sabe muita coisa: ela já sabe falar português, sabe o significado de muitas palavras, sabe dançar, carregar água, ajudar a lavar os pratos e muita coisa que aprendeu antes de ir para a escola. Mas acontece que nem sempre as pessoas que trabalham nas escolas não levam esses conhecimentos em consideração, não seguem o ensinamento do professor Paulo Freire que dizia que, a gente, primeiro deve considerar o que é o aluno já sabe para, começar do lugar onde ele está.

Ora, meus amigos, na nossa região muitos meninos já são mestres de algumas brincadeiras, sabem tocar bage, sabem versos do Cavalo Marinho, sabem tocar triângulo, responder ciranda, dançar de caboclo. Tem até deles que são poliglotas, ou seja, falam outra língua além do português, pois alguns freqüentam terreiros de Xangô ou Jurema e sabem expressões da língua nagô. E esse Primeiro Encontro Infantil de Cultura Popular da Zona da Mata está discutindo como fazer para que a cultura que nós aprendemos de nossos avós e pais, essa cultura que ensinamos a nossos filhos, pode também ser ensinada nas escolas, porque é com ela que o Brasil tem sido construído.

E é assim que o Programa Canavial começa o mês de dezembro, parabenizando o pessoal que, em Goiana, está procurando maneiras de fortalecer a nossa cultura nas escolas freqüentadas por nossas crianças, de maneira que as escolas reconheçam os saberes que os pequenos mestres da cultura aprenderam com os mestres da sabedoria popular.

 

Para os dias 10 e 11 de dezembro de 2010.

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PROGRAMA CANAVIAL

Editorial 93

FESTIVAL CANAVIAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Tem início neste dia 19 e vai até o dia 04 de dezembro o FESTIVAL CANAVIAL.  A cada ano a Zona da Mata Norte experimenta o congraçamento de cidades, das pessoas, artistas, profissionais da região, na troca de informações e saberes tirados da vida e recriados pelas artes dos homens e mulheres da região.

Na cidade de tracunhaém haverá, na sexta e sábado, uma Roda de Mestres sobre a Ciranda e os cirandeiros e também muita ciranda na praça principal da cidade. Tracunhaém é a cidade que transforma a vida em obra de arte, uma arte surgida do encontro das mãos com o barro. Quase uma criação divina!

No mesmo dia 19, no Engenho Poço Comprido vai acontecer o CAMINHOS DO CANAVIAL, com a biblioteca  Mestre Batista, do Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança, contando histórias e dividindo a leitura e tradição juntamente com o Mamulego do Mestre Calú, a Poesia do Cordelista Costa Leite e o Cavalo Marinho Mestre Batista.

No Engenho Poço Comprido foram plantados, faz muito tempo, dois Baobás. Essas plantas atravessaram o Oceano Atlântico, foram trazidas da África para o Brasil, como aconteceu com muitos homens e mulheres que aqui chegaram como escravos. Para lembrar essa parte de nossa história vai acontecer, durante todo o dia 20, o Segundo Encontro de Jurema do Festival Canavial no engenho Poço Comprido, com a presença de mestre juremeiros e pesquisadores dessa religião que vem sendo praticada por uma parte do povo brasileiro, especialmente o povo da Mata Norte.  

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL, que faz parte do Movimento Cultural Canavial, convida vocês e todos os seus amigos, a participar das atividades do Festival Canavial que serão comentadas ao longo de nossa programação hoje e na próxima semana, serão atividades que ocorrerão nas cidades de Nazaré da Mata, Aliança, Vicência, Tracunhaém e Condado.

 

Para os dias 19 e 20 de novembro de 2010.

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out/10

30

Tempo de eleição e de Esperança

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 90

Tempo de eleição e de Esperança

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

Neste domingo, dia 31 de outubro, os brasileiros com idade entre 16 e setenta anos vão votar, escolher uma pessoa que vai orientar o Brasil nos próximos quatro anos. É preciso pensar nesse ato que será feito. Votar é escolher uma pessoa para ocupar uma posição e realizar uma tarefa séria, neste caso a tarefa é governar, dirigir o Brasil.

No início do século XX, coisa de cem anos, a maioria das pessoas de nossa região votava em quem o proprietário do engenho, da usina mandava. Era o chamado “voto de cabresto”. Cabresto, todos nós sabemos, é instrumento feito de corda que o dono do cavalo ou do burro põe no pescoço e na boca do animal com o objetivo de dominar e impor ao animal o caminho para onde ir. Pois é, era assim que eram tratados os moradores de engenho, das usinas e muitos pobres ou remediados que viviam nas cidades: só votavam em quem mandavam, iam para o lugar de votação levados pelo cabresto.

O cabresto que os senhores de engenhos, usineiros e outras pessoas colocavam em muitos brasileiros era formado pelo medo: medo de perder a casa, medo de perder o emprego, medo de não poder cortar a cana, medo de não poder alimentar a família. Com esse cabresto, com esses medos, o voto, embora parecesse, não era livre. Mas isso é quase passado. urnaAgora nós temos liberdade de escolher a pessoa em quem vamos votar. Nesses dois dias que faltam para a gente ir ao local de votação e eleger a pessoa que vai governar o Brasil e tomar decisões que irão mudar o nosso dia a dia, vamos pensar com a cabeça da gente e retirar o que ainda resta de cabresto, do medo e, com muita liberdade e esperança, vamos votar.

Depois da votação, muita gente vai subir em um ônibus e fazer romaria até o Juazeiro do Norte, o Juazeiro do Padrinho Cícero Romão. Essa romaria que é feita para manter a lembrança do Padim Ciço agora é chamada de Romaria da Esperança.

O Programa Canavial deseja que todos os moradores da Zona da Mata votem sem cabrestos, com liberdade, sem medos e com esperança.

 

 Escrito para os programas dos dias 29 e 30 de outubro de 2010.

out/10

22

ZONA DA MATA, NOSSA IRMÃ

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 88

ZONA DA MATA, NOSSA IRMÃ

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

O mês de outubro está quase no seu fim e eu gostaria de conversar um pouco sobre o dia 04 deste mês. Na tradição dos católicos, aquele é o dia de lembrar Francisco de Assis, uma pessoa que viveu a coisa de 800 anos passados, na cidade de Assis, que fica na

São Francisco e os pássaros

São Francisco e os pássaros

Itália. Em uma das nossas cidades, Tracunhaém, alguns homens e algumas mulheres, artistas que trabalham com o barro, costumam criar estátuas que lembram Francisco. Uma imagem bastante comum é a que põe alguns pássaros sobre os ombros e nas mãos de Francisco. Parece que ocorreu que, cansado de tentar conversar com os homens e mulheres de sua região sobre os problemas que eles viviam, Francisco foi conversar com os pássaros. Também tem outra história que conta ter ele conversado com um lobo que aterrorizava o lugar. Francisco cuidava das pessoas e dos bichos porque ele entendia que homens e animais vivem no mesmo lugar, o planeta terra e, o que causava problema para os homens também causava problema para os animais.

Pois bem, o que acontece se os rios secam? O que primeiro pode acontecer é que os bichos peixes não vão mais se reproduzir, vão deixar de existir; além disso, os preás, as raposas, e outros animais não vão poder mais beber água e depois de algum tempo vão deixar de existir; além disso, sem as águas, as árvores vão ficando fracas, morrerão e não darão mais os frutos que alimentam as abelhas, os maribondos, as crianças dos homens. A gente poderia continuar e aprofundar a idéia de Francisco, a de que tudo que existe no planeta terra só pode continuar existindo se todos cuidarem um dos outros, se todos nos virmos como uma grande família. É por isso que Francisco chamava todas as coisas, todos os animais, todos os fenômenos, todos os seres vivos de irmãos. Ele dizia: Irmão Sol, irmã Lua, Irmão pássaro, Irmão lobo, Irmão fogo, Irmã chuva e todo o universo é a sua família. Por isso é que o dia 4 de outubro, dia da festa em homenagem a Francisco de Assis é considerado dia da Ecologia, o mês que devemos procurar conhecer e proteger o meio, o lugar em que vivemos.

Caros Amigos, nesta semana o PROGRAMA CANAVIAL convida a todos e a cada um de nós a cuidar do nosso ambiente de vida, do lugar onde vivemos. Cuidemos de tudo na nossa Zona da Mata, – os rios, as matas, as palmeiras, os animais e todas as pessoas – com o cuidado que se deve ter com a família da gente. 

Capibaribe Mirim no Baldo do Rio, Goiana, na enchente de 2010. Foto de Biu Vicente

Capibaribe Mirim no Baldo do Rio, Goiana, na enchente de 2010. Foto de Biu Vicente

 Editorial escrito para os programas dos dias 22 e 23 de outubro de 2010.

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out/10

10

Dia das crianças

Crianças na Gongorra - Portinare

Crianças na Gongorra - Portinare

 

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 86

DIA DAS CRIANÇAS

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Esta semana todos nós vamos ver na televisão, ouvir nos rádios e nas bicicletas sonoras que passam por nossas ruas lembretes que vai acontecer o dia das crianças, e por isso nos devemos mostrar carinho por nossos filhos, sobrinhos e netos porque eles são crianças. Mas o que escutamos é que nós devemos visitar as casas de comércio e comprar algum presente para nossas crianças, brinquedos, bonecos e muitas coisas que interessam à principal atividade que uma criança deve ter: brincar. É, meus amigos, queremos um mundo em que as crianças estejam afastadas das obrigações de fazer trabalhos para assegurar a sobrevivência da sua família. As crianças precisam brincar pois enquanto brincam elas aprendem. Quando uma criança brinca de “pega”, ela aprende contar, a usar os pés e as pernas para correr, aprende a escolher os lugares por onde passar, seu cérebro é ativado e levado a tomar decisões, a superar obstáculos e a que precisa se esforçar para alcançar o seu objetivo. Nessa simples brincadeira de sair correndo, a criança aprende a conviver com os seus colegas, ela aprende a seguir regras e assim aprende a viver na sociedade. Assim acontece com todas as brincadeiras.

Neste dia 12 de outubro as crianças esperam ganhar algum presente para que possam brincar com eles. Mas o principal presente que a gente pode dar aos meninos e meninas é o carinho. O mais simples carrinho pode ser o mais belo presente se for dado com amor, com carinho, com a disposição de ficar brincando com quem recebeu o presente.

O Programa Canavial lembra que neste dia da criança, que também é o dia da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, e também o dia em que a Europa conheceu a América depois da viagem de Cristóvão Colombo. E também deseja que todos os adultos celebrem o dia da Criança, virando criança com as crianças de suas casas e das ruas onde vivem. Além disso, vamos continuar trabalhado para que as crianças de nossas cidades sejam felizes, mas isso só será possível se os seus pais também forem felizes.

 Escrito para os programas dos dias 8 e 9 de outubro 2010.

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set/10

16

162 anos da Curica

 

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 83

 

162 ANOS DA CURICA

Severino Vicente da Silva

 

Curica de cabeça azul

Curica de cabeça azul

Meus amigos,

Corria o ano de 1848 e a Província de Pernambuco estava em revolta política que ficou conhecida como Revolução Praieira. Aquela revolução teve grandes momentos ligados a nossa região da Mata Norte. Um dos principais líderes foi Joaquim Nunes Machado, nascido em Goiana e primeiro Juiz de Direito da Comarca de Goiana, homem de respeito e homenageado até os dias de hoje por sua honestidade, bravura e civilidade.

Meus amigos, essa revolução que ocorreu a 162 anos é uma das marcas pernambucanas na História do Brasil e, sobre muitos aspectos é importante para nós. Um dos aspectos é que a Revolução Praieira fez surgir a Sociedade Musical Curica, a mais antiga banda musical em atuação em toda a América Latina. Como nós todos sabemos, a nossa região é muito rica em talentos artísticos, e na música, ainda mais. Praticamente todas as nossas cidades têm suas orquestras, suas bandas. De alguma maneira todas devemos olhar para a Sociedade Musical Curica como mãe de todas as demais. E a Curica nasceu para celebrar os praieiros, os artesões brasileiros, os trabalhadores que são também artistas.

Artesões do som e da alegria, criadores de música e de sonhos, na semana passada a Curica completou 162 anos de idade em sua sede social; recebeu amigos e os parentes dos seus músicos, celebrando a alegria de estar saindo de uma situação crítica, comemorando o seu aniversário com novos instrumentos, graças a união e ao trabalho que vem sendo realizado pela sua Diretoria, re-eleita e empossada no sábado passado.

O Programa Canavial, nesta semana convida todos os moradores de nossas cidades a prestar homenagem a Curica, reconhecida  como PARTRIMÔNIO IMATERIAL DA CULTURA PERNAMBUCANA. Viva a Curica, Vivam os músicos da nossa terra.

 

Texto escrito para os programas dos dias 17 e 18 de setembro 2010

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