História e Canavial |

Archive for agosto 2010

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 80

NOSSA CULTURA É NOSSA HUMANIDADE

Severino Vicente da Silva

Meus amigos

Com esta conversa de hoje nós terminaríamos de celebrar o mês da cultura, pois Agosto tem sido assim conhecido como o período do ano em que nós deveríamos pensar sobre a nossa cultura. É como se fosse o aniversário da cultura. Celebrar um aniversário é lembrar o dia em que nascemos, o momento que nos viram pela primeira vez; aquele foi o momento em que entramos em contato com a força da vida entrando pelas nossas narinas – pelas nossas ventas – e o ar, com oxigênio e gás carbônico nos fez gritar de dor. Foi nosso primeiro choro e fomos pegos pela mão de alguém que nos apresentou à nossa mãe e depois aos parentes. Naquele momento nós entramos em nosso primeiro e permanente contato direto com a cultura.

A cultura é criação dos seres humanos e nos tornamos humanos quando criamos o primeiro gesto, e ele pode ter sido o riso de alegria de uma mulher que escutou o choro de sua cria, de sua criança, para depois puxá-la para o peito e deixar-se sugar enquanto passa a mão carinhosamente sobre a frágil criatura que, nesses primeiros gestos vai se tornando humana.

Pulando Carfniça - Portinari

Pulando Carfniça - Portinari

Ser humano, meus amigos, é viver em um mundo de cultura, um mundo de regras, um universo de palavras que ouvimos e vai dando sentido a tudo que é visto, ouvido, sentido, saboreado. E de ver e ouvir, que aprendemos que uma cadeira é uma coisa cultural que foi criada para nos sentarmos e descansar depois de uma caminhada; de tanto ver, ouvir e cheirar é que aprendemos a gostar da diferença dos sabores da melancia e do melão; de tanto ver, ouvir, cheirar e tocar é que aprendemos a suavidade das rosas e da pele, e também a aspereza da casca da jaca enquanto gozamos com o sabor de seu bago. E tudo isso é cultura, como também é cultura saber que o chá de boldo serve para recuperar o fígado; que o suco do maracujá acalma, e que o lambedor que vovó prepara com erva-doce, mel, canela, hortelã e carinho cura todas as tosses e, graças a ele voltamos a correr na rua brincando de pega, jogando bola de gude, empinando papagaio, soltando a ponteira para o pião rodar e tantas outras brincadeiras, essas coisas que fazem a nossa cultura.

Uma cultura que se completa quando vamos estudar na escola e aprendemos que todos os povos têm brincadeiras e sociedades que, embora sejam diferentes, são parecidas com a nossa, pois todas as sociedades humanas são sociedades culturais.

Amigos, o PROGRAMA CANAVIAL celebra com todos os mestres e mestras da nossa cultura a alegria de criar diariamente a nossa humanidade na criação de nossa cultura.

 

Editorial para os programas dos dias 27 e 28 de agosto de 2010.

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ago/10

23

MÊS DA CULTURA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 79

MÊS DA CULTURA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Estamos celebrando, em todo este mês a Cultura. Houve um tempo que se dizia o Mês do Folclore, o dos costumes do povo. Antigamente não se dizia que o povo tem cultura, dizia-se que o “povo tem costume”. Se alguém quisesse ter cultura tinha que ir para a escola, estudar. A cultura, diziam se aprende nos livros.

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrla de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Atividade na Biblioteca Mestre Batista no Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança - foto de Biu Vicente

Acontece que quase nunca havia escolas e, nas poucas escolas que existiam, não havia biblioteca, ou seja, um lugar onde os livros ficam guardados esperando que as pessoas cheguem para tomá-los, lê-los, depois trazer de volta, dando oportunidade para que outras pessoas também tenham a possibilidade de ler a cultura que está no livro.

Mas a cultura não está só no livro, porque tudo que a gente faz é cultura. O jeito de fritar um ovo é cultura, da mesma forma que tocar “poica” ou violino, lavar os pratos e ter um sanitário decente também é cultura. São formas diferentes de cultura.

Meus amigos, nos livros a gente encontra um tipo de cultura. É lamentável que ainda haja muitas pessoas no Brasil que não sabem ler, e que por isso não acham que livros sejam importantes. É uma pena que a maioria das casas brasileiras não possua livros, mas isso é porque muita casa também não um banheiro decente e as cidades não possuem sistema de esgoto. Sim, ter um sistema de esgoto mostra que a cidade tem certo tipo de cultura. Vejam que interessante e lamentável: nas nossas cidades, a maioria dos bairros que não possue redes esgoto, e também não tem bibliotecas. Isso quer dizer que precisamos melhorar em muito o nosso nível cultural. Se as nossas cidades forem mais bem servidas esgotos vai diminuir o número de doenças; se as nossas cidades possuírem mais bibliotecas, as crianças, os jovens e adultos poderão desenvolver o gosto da leitura e isso irá melhorar a qualidade de nossas conversas.

Para terminar essa conversa de hoje, o PROGRAMA CANAVIAL pergunta: Será que alguém já ouviu algum desses candidatos que querem ser eleitos nessa eleição de outubro dizer, alguma vez, a palavra Biblioteca?

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

Alegria da leitura - Ponto de Leitura Estrela de Ouro - foto de Biu Vicente

O PROGRAMA CANAVIAL quer lembrar que quem defende a cultura tem que pensar em bibliotecas em cada bairro de uma cidade.

 

Texto escrito para os programas  dos dias 20 e 21 de agosto de 2010

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ago/10

20

NOSSA PERSONALIDADE CULTURAL

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 78

NOSSA PERSONALIDADE CULTURAL

Severino Vicente da silva

Meus amigos,

Neste mês de agosto, as nossas escolas costumam fazem algumas atividades que pretendem lembrar aos jovens a importância da cultura.  O mês de agosto é o mês da cultura, o mês da memória e das tradições. bola-de-gude-historiaÉ uma oportunidade para que sejam lembradas as brincadeiras do tempo da infância, pesquisar as histórias dessas brincadeiras; lembrar as danças e a história das danças, comidas, modos de fazer e usar as coisas no nosso dia a dia. Tudo isso é cultura. Mas porque temos um mês da cultura?

Cultura é tudo que nós, os seres humanos, criamos. O jeito de falar, de criar os filhos, a maneira de sentar, o modo de construir casas, de fazer festas. Cada povo, cada sociedade faz as mesmas coisas e, se a gente prestar bem atenção, a gente nota que, embora seja parecido, cada povo faz isso de maneira diferente. Essa maneira de fazer as coisas e de viver as emoções da vida é que caracteriza um povo. Essa é a sua cultura, ou seja, aquilo que o faz diferente de outro povo, doutra sociedade. A cultura de um povo, de uma cidade, de um país ou nação, é a sua personalidade, o seu caráter que foi formado ao longo da história.

Quantas vezes nós ouvimos, ou dizemos de algum conhecido, que está sempre mudando de opinião, que ele não tem personalidade. É uma crítica terrível, porque a gente está dizendo que aquela pessoa não presta atenção naquilo que diz nem naquilo que faz, até parece que não tem juízo, que perdeu o sentido da sua vida. Parece uma biruta, vai para onde o vento sopra, um “Maria vai com as outras”.  Assim é com o povo que não cuida de sua cultura: pode perder a sua personalidade, o sentido de sua existência.

Essa é uma das razões que as escolas e todos nós lembramos que o mês de agosto é o mês de pensar: nossa cidade está cuidando de sua cultura ou está ficando uma cidade biruta que vai para onde a onda do momento sopra.

Brincando de roda

Brincando de roda

O PROGRAMA CANAVIAL deseja que todos nós, crianças, jovens, adultos, professores, prefeitos, vereadores, vendedores, comerciantes, agricultores, todos nós cuidemos da cultura de nossa cidade, da personalidade de nossa cidade.

 Editorial dos programas dos dias 13 e 14 de agosto de 2010.

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ago/10

5

Pensando o Dia dos Pais

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 77

 

Pensando o Dia dos Pais

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

Neste final de semana estaremos celebrando o Dia dos Pais. Embora o pai seja muito importante, essa data não é tão comemorada quanto do Dia das Mães, e a gente bem que pode se perguntar  de tentar entender qual a razão disso.

Dizem que nossa sociedade é patriarcal, ou seja, é uma sociedade em que o pai parece ter muita autoridade e poder. Entretanto, nesse programa de Bolsa Família, ficou decidido que o dinheiro não deveria ser entregue ao pai da família e sim à mãe. Uma das razões dessa decisão, é que os pais quando recebiam essa ajuda, primeiro iam tomar cachaça e jogar e, só levavam para casa o dinheiro que sobrava.  Se é que sobrava algum dinheiro. O pai que devia ser o protetor dos filhos, das filhas e da sua esposa que é a mãe de seus filhos, chegava em casa sem dinheiro e, sob o efeito da bebida, violento. E muitas vezes os pais abandonaram seus filhos que cresceram apenas com o amor da mãe. Claro que nem todo pai é desse jeito, mas talvez seja por isso que muitos pais não provocavam o amor dos filhos, mas o temor, o medo. E essa imagem foi se fixando na memória dos filhos e, lamentavelmente, os meninos quando crescem e pensam que já são homens e começam a agir como os seus pais ou os homens mais velhos. Era o exemplo que eles têm. Não é sem razão que o Dia dos Pais tenha menos celebração do que os outros dias. Mas a gente pode mudar isso. Os seres humanos são os únicos seres que podem mudar a realidade.

Meus amigos, às vezes penso que foi o tempo da escravidão que criou a cultura do marido e do pai violento; essa escravidão que os pais dos nossos bisavôs e nossas bisavós sofreram deixou marcas profundas em nossa cultura. Essa herança de violência e de achar que um homem deve ser sempre “brabo” e brigão é uma herança ruim. E essa herança que faz os filhos e as filhas terem medo do seu pai. Mas essa herança a gente não que ver continuar.

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

Um pai e sua família - foto de Biu Vicente

 

Neste final de semana que prepara a celebração para o dia dos Pais, O PROGRAMA CANAVIAL deseja que todos os pais procurem o abraço de seus filhos e deseja também que os pais sejam mais amorosos e carinhosos com os seus filhos e com a mãe de seus filhos.

FELIZ DIA DOS PAIS, para os pais e para os filhos.

 

 

 

 Editorial para os programas dos dias 06 e 07 de agosto de 2010.

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