História e Canavial |

Archive for abril 2011

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 112

GOIANA- PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada ano estamos acompanhando uma tradição que se firma neste início de século: a celebração coletiva de Pernambuco como uma nação cultural, criativamente cultural desde os sertões até o litoral. Temos participado e assistido a execução de um projeto no qual o povo de Pernambuco se mostra e se vê em plena ação criativa, confirmando-se em sua história, com uma maratona de oficinas, de transmissão de saberes de artes tradicionais que trabalham com o barro, a madeira, as palavras, os gestos de danças e teatros, mas também com as novas expressões das artes nascidas da tecnologia contemporânea, tais como a fotografia e o cinema.

Como sempre a seqüência PERNAMBUCO NAÇÃO CULTURAL começa com a Mata Norte, envolvendo os criativos setores das cidades de Goiana, Nazaré da Mata, Aliança, Tracunhaém, Condado, Itaquitinga, Buenos Aires, Glória do Goitá, Carpina, Lagoa do Carro, Ferreiros, Lagoa de Itaenga, Chã de Alegria, Tracunhaém e Paudalho. Essa nova disposição apresenta o dinamismo do Festival Pernambuco Nação Cultural, assumindo que, mesmo quando existe uma cidade-pólo, ela não é capaz de representar sozinha toda a criatividade da região.

Meus amigos, nesta semana segmentos diversos de nossas cidades “matutas” puderam conversar, transmitir, aprender e renovar a cultura pernambucana. Jovens colegiais estiveram em oficinas com artistas consagrados, viram como se faz o milagre do barro tornar-se sentimento – mais que isso: participaram do milagre; conversaram e estabeleceram uma história e se propuseram a contá-la em um minuto, usando as imagens e a linguagem do cinema; outro grupo mostrou mais interesse no mistério das palavras e foi por sonhos em versos e a poesia jorrou. E tivemos exposições de pintura, filmes de ótima qualidade, música agradável aos sentidos e aos espíritos. Poderia continuar a dizer as muitas maravilhas que tivemos a oportunidade de experimentar ao longo desta semana. Uma universidade ao alcance de todos. Alguns dirão que foram poucos os que dessa oportunidade aproveitaram. E isso é verdadeiro. Mas é assim o processo educacional. Nós somos educados naquilo que nos é oferecido diariamente para a nossa alimentação espiritual.

Ao longo de nossa história os bens culturais, desde os mais simples, esses que foram criados nas cozinhas das casas grandes, nos sobrados e nos palacetes, até as belas músicas criadas pelo padre Maurício, por Tom Jobim, Beethoven, Bach, Luiz Gonzaga, e muitos outros gênios ficaram distantes da formação cultural da maioria dos brasileiros. Os artistas, esses anjos da arte e dos sonhos que vivem entre nós, mas nós não conhecemos, permanecem desconhecidos enquanto a indústria cultural despeja a mediocridade mais abjeta sobre todos nós, estabelecendo padrões de beleza e felicidade de pouca qualidade. Assim, quando recebemos alguma pérola como essas oficinas, ainda temos dificuldades em apreciar as belezas que elas nos trazem.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL se alegra com a Festival Pernambuco Nação Cultural que tem início nas terras da Ciranda, do Maracatu de Baque Solto, do Cavalo Marinho, dos Caboclinhos, das Pretinhas do Congo, dos Santos de Barros e de São Severino do Ramos; o PROGRAMA CANAVIAL deseja o mesmo sucesso em todas as regiões culturais de nosso Pernambuco.

Viva Pernambuco, Viva nossa Nação Cultural.   

para os programas do dia 09 de abril de 2011

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abr/11

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Em defesa de Caboclinhos e Índios

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 111

Em defesa de Caboclinhos e Índios

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos

            Já faz algum tempo que Goiana, tem celebrado ao final do mês de março a realização de uma assembléia de índios que ocorreu durante o domínio do império português. Nessa assembléia os colonizadores vindos de Europa reconheciam a existência das muitas nações que viviam nestas terras e os seus direitos. A Assembléia aconteceu em 1645.

A celebração é organizada pela Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco, que tem sua sede em Goiana. É muito importante essa celebração, e esperamos que ela cresça, e a cada ano gostamos vê-la melhor cuidada e mais divulgada e que ela cumpra a sua função histórica e social. Hoje nós sabemos que os portugueses que não assinaram os documentos naquela reunião, pois foi realizada na época dos holandeses, não cumpriram nem respeitaram as cláusulas de reconhecimento dos direitos dos povos. E sabemos disso, entre outras provas, por que aquelas nações indígenas não mais existem nos dias de hoje; depois dos acordos as guerras continuaram a acontecer e as nações e povos indígenas derrotados perderam as suas terras, muitos foram mortos, outros foram feitos escravos e as famílias; os costumes, as religiões e as tradições foram perdidas. Mas desse processo foi sendo formado o povo brasileiro.

            Constituídos como nação, nós brasileiros quase sempre colocamos em último plano no estudo de nossa formação a tradição indígena. Recentemente tem havido certo debate em torno das etnias que formam o Brasil, inclusive foi criada uma secretaria especial pela Presidência da República para cuidar das desigualdades raciais no Brasil. Apesar da boa intenção do governo brasileiro, precisamos lembrar que a UNESCO – órgão das Nações Unidas para a Ciência e Educação definiu que não há raças humanas e como membro da ONU é obrigação do governo não fortalecer essa idéia racista.

Mas precisamos cuidar das nossas tradições herdadas dos primeiros habitantes do Brasil. A dança dos Caboclinhos e dos Índios que temos na Zona da Mata Norte de Pernambuco são criações dos descendentes dos índios que participaram daquela Assembléia acontecida em 1645. Quando os caboclinhos saem no carnaval ou em alguma de nossas festas é essa tradição que guardamos.

            Meus amigos, nós temos ouvidos de chefes de nossas tribos que quando eles vão se apresentar no Recife, alguma das danças comuns em Goiana não estão sendo aceitas pela comissão que organiza o desfile e faz a premiação dos desfilantes. Meus amigos nós devemos evitar para que a maneira de dançar a dança do Caboclinho de Goiana e a maneira de tocar os toques de Caboclinhos de Goiana seja esquecida por causa das exigências que são feitas aos nossos grupos quando eles vão se apresentar no carnaval do Recife. Naquela festa popular, os jurados não estão reconhecendo alguns toques e algumas danças típicas dos grupos de caboclinhos de Goiana.

Nós que fazemos o PROGRAMA CANAVIAL desejamos que, além de celebrar a realização da Primeira Assembléia Indígena da História do Brasil, a Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco deve questionar esse comportamento daqueles que organizam o desfile das tribos de caboclinhos e índios no carnaval do Recife e defender a nossa tradição. Nossos caboclinhos e nossos índios devem lutar e manter os seus toques e os seus passos de danças.

 

Para os programas do dia 02 de abril de 2011.

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