História e Canavial |

Archive for maio 2011

mai/11

14

Maio, mês da mãe natureza

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 114

MAIO, MÊS DA MÃE NATUREZA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Estamos em meados de maio, antigamente denominado mês das noivas, época em eram realizados muitos casamentos. Aos poucos o mês foi sendo tomado pelo comércio destinado às mães, o que não o deixou muito distante das noivas. Nos últimos anos tem se verificado que vem se apresentando como o mês de chuvas que estão a provocar enchentes nos rios de nossa região, pondo muitas famílias em desamparo. Esse fato tem nos levado a pensar sobre a ocupação das margens dos rios, e a necessidade de refazer as matas necessárias ao lado das correntes. Devemos proteger o nosso ambiente, pois assim estamos nos protegendo.

Como no ano passado, algumas populações de Vicência, São Lourenço da Mata, Paudalho, Nazaré da Mata, Aliança, Goiana, entre outros municípios da Mata Norte foram afetadas pelo aumento do volume dos rios. Se prestarmos atenção aos mapas do início do século, ou mesmo em fotografias dos anos cinqüenta do século passado, notaremos que algumas dessas populações construíram suas casas onde antes era o leito dos rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim. Essas construções só foram possíveis depois da construção de barragens que acumulam águas necessárias para o abastecimento das cidades e que, por outro lado, serviram para controlar o volume dos rios em época de grandes chuvas. Essas boas ações não foram complementadas por outras como: organização de serviço de esgotamento sanitário, proteção dos leitos dos rios contra a invasão e construção irregular de residências, essas que agora foram atingidas pelas enchentes.

Meus amigos, não basta fazer campanha para que os pobres não construam no antigo leito dos rios – um dia os rios voltam – , é necessário que os governantes das cidades assuma a responsabilidade de contrariar os interesses imediatos, seus e de seus eleitores, e  esclareça que a natureza não se recompõe sozinha, como também não se modificou isoladamente desde que os seres humanos passaram a ter domínio sobre ela. O PROGRAMA CANAVIAL nesta semana quer chamar atenção para o fato de que é necessário a todos os dirigentes municipais, e é necessário a todos os munícipes, assumirem a responsabilidade de preservar o ambiente onde vivemos, é necessário preservar as margens dos nossos rios, e isso se faz de muitas maneiras. Uma delas é não jogar lixo nas ruas, outra maneira é recolher diariamente o lixo, evitando que as águas das chuvas o leve para os rios.

Maio é o mês das noivas, maio é o mês das mães. O PROGRAMA CANAVIAL deseja a todas as noivas, e a seus noivos, muitas alegrias; da mesma maneira deseja que todas as mães estejam livres de ver o sofrimento de seus filhos em necessidade. E o PROGRAMA CANAVIAL lembra que todos nós somos filhos da mãe natureza e cabe a nós cuidar para que ela não sofra com agressões desnecessárias. Vamos cuidar de nossos rios: estudando a sua história, aprendendo como eles vivem e nos ajudam a viver, e cuidando para que eles fiquem limpos cuidando para que nossas ruas não estejam sujas dos restos de nossas comidas e farras.

 

Para os programas do dia 14 de maio de 2011.

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mai/11

7

Cheias e histórias

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 113

CHEIAS E HISTÓRIAS 

 

Severino Vicente da Silva

Caros Amigos

 

Vez por outra os rios enchem, revolvem a terra enriquecendo o solo para o plantio nas várzeas, espaços que ficam às suas margens. Com as águas aumentadas pelas chuvas, o manso filete que dá origem ao grande rio é enriquecido pelas águas de muitos riachos que, não poucas vezes, passam a maior parte do ano sem serem notados, pois estão secos. As cheias dos rios são a vida em movimento, um tipo de arado natural que também é redistribuidor de sais minerais e outros alimentos para as plantações. Milhares de anos atrás, as enchentes do Rio Nilo traziam grande sofrimento aos homens e mulheres que vivam entre o rio e o deserto, mas, foi por causa das enchentes que surgiu uma das mais antigas civilizações. Nas nossas escolas os professores nos ensinam que foi a partir do esforço coletivo para conhecer os ritmo das águas e compreender o movimento das águas que se formou a civilização do Egito. Mas as enchentes dos rios de Pernambuco somente nos fazem medo, não são estudadas nas escolas. Aliás, as escolas só se preocupam com as enchentes dos rios porque os desabrigados ficam morando nos prédios durante algum tempo.

 O Baldo do Rio em Goiana - Foto de Phillippe Wolney

O Baldo do Rio em Goiana - Foto de Phillippe Wolney

Este ano, mais uma vez os maiores rios pernambucanos: Tracunhaém, Capibaribe, Capibaribe Mirim, Siriji, Ipojuca, Una, mais uma vez encheram, pois as chuvas alimentaram os córregos e os riachos que correm para os rios e, com as barragens cheias, as águas seguiram seus cursos e encontraram muitas casas nos lugares onde antes havia o leito dos rios.

Meus amigos, as cheias dos rios da zona dos canaviais têm muitas histórias. Quando menino eu escutei muitas, vou dizer uma delas. Não sei quem contou, mas ela pode nos ensinar muitas coisas.

- Dizem que antigamente havia um Senhor de Engenho que pensava que tinha poder sobre tudo e todos. E resolveu que ia aumentar as terras de cana plantando em lugar que antigamente passava um rio. Mas já fazia tanto tempo que ali não chegava água, ninguém se lembrava mais. Os moradores disseram ao Senhor de Engenho que ela não devia fazer isso que ia perder muito, porque as águas um dia voltarão, se for a vontade de Deus. Mas o homem continuou o seu projeto e até mandou construir uma nova casa para ele, mais perto do rio, porque ele não queria andar tanto para tomar banho no rio.

Alguns anos depois de ele estar instalado em sua casa com a sua família, um dia começou a chover. Era uma chuva forte e o rio foi engrossando e começou a subir foi passando pelo canavial e foi chegando perto da casa. As pessoas da casa foram ficando com medo e queriam ir embora, mas o poderoso Senhor de Engenho disse que Dalí não saía. As águas do rio foram se aproximando da porta enquanto sua mulher suas filhas rezavam diante do oratório pedindo ao santo protetor do engenho fizesse as águas pararem de subir e não alcançassem a sua casa. O dono do engenho que só tinha fé nele mesmo e na sua vontade, de repente entra no quarto onde as mulheres estavam rezando, pega a imagem do santo e vai com ela até a porta da casa, onde o rio estava chegando. E então disse: “pois é seu santo, se água entrar na casa o senhor vai ser o primeiro a morrer”.

Meus amigos, eu não vou dizer como terminou essa história, mas ela ensina que os riachos secos um dia voltam a ter água; ensinam que o limite do rio quem dá é o rio. Os prefeitos não devem consentir que sejam construídas casas no lugar onde costumava passar um rio, os prefeitos não devem permitir que sejam loteadas terras em regiões próximas dos rios. Muito sofrimento que assistimos nas cidades da nossa região é resultado da omissão dos prefeitos de nossas cidades que permitiram que os pobres fossem morar em lugares impróprios. E muitos fizeram isso para ganhar votos dos pobres e apoio dos donos das terras. Na verdade não estavam preocupados com as pessoas que foram morar no lugar do rio passar.

O Programa Canavial pede que os que não foram atingidos pelas cheias ajudem os que estão desabrigados. Mas também sugere que os professores estudem com seus alunos a história do rio que passa em nossa cidade.

Para os programas do dia 7 de maio de 2001.

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