História e Canavial |

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13 de maio: uma alegria incompleta

  

13 DE MAIO: UMA ALEGRIA INCOMPLETA

 

Severino Vicente da Silva

Caros ouvintes

Há dois grandes momentos no nosso ano escolhidos para que pensemos um pouco no processo que passamos para sermos os trabalhadores que somos hoje. Dois dias do ano, o dia 20 de novembro e o dia 13 de Maio foram estabelecidos para que não nos esqueçamos, jamais, de como foi construído o Brasil.  Essas duas datas acontecem a cada seis meses, e elas celebram, cada uma a seu modo, o processo de superação do sistema de trabalho escravo, utilizado durante muito tempo, para se produzir as riquezas necessárias para a vida social.

Violência escravocrata

Violência escravocrata

Esse sistema escravo foi o ponto mais alto da exploração do homem pelo homem. Quando um grupo de homens e mulheres decidiu escravizar outros grupos de homens e mulheres, eles pretenderam transformar aqueles homens e mulheres em animais, em objetos de suas vontades, em máquinas. Uma vez escutei de meus parentes mais velhos a expressão: “quem é escravo não ama”, e isso foi dito por pessoas cujos parentes mais velhos haviam sido escravos. Por experiência, meus parentes mais velhos, como os parentes de muitos que estão ouvindo essas palavras agora, entenderam que os donos de escravos não reconheciam que aqueles homens, mulheres e aquelas crianças tinham sentimentos, paixões, desejos de carinhos e de amor, desejos de ser livres. Mas nossos antepassados desejavam ser livres, e lutaram de muitas maneiras para acabar com a prática da escravidão. A escravidão foi vencida pela luta de muitos escravos, de filhos de ex-escravos como José do Patrocínio, André Rebouças, Luiz Gama e também filhos de senhores de engenho, como Joaquim Nabuco.

Joaquim Nabuco

Joaquim Nabuco

O dia 13 de Maio é a data cívica que lembra um resultado dessa luta e o momento quase final dessa luta.  No ano de 1888, a Princesa Isabel assinou um documento bem simples, com poucas palavras, que proibia, a partir daquele dia, a prática da escravidão no Brasil. Essa lei foi escrita por João Alfredo, que nasceu aqui na Zona da Mata Norte e era dono de engenhos, e ela ficou conhecida como Lei de Ouro ou Lei Áurea. Todos os povos que haviam sido escravos ficaram alegres. As Pretinhas do Congo ainda cantam um verso, que também é cantado nos terreiros espirituais, e ele diz assim:        

13 de maio o galo cantou

Catarina tava sambando

Quando a policia chegou

Samba nego, branco não vem cá

Festa e dança do Lundu

Festa e dança do Lundu

Mas, a Lei de Ouro não cuidou de organizar o trabalho livre, não cuidou de abrir escolas, não cuidou de garantir serviço de saúde para os novos cidadãos brasileiros. Por isso é que a gente diz que é necessário completar a lei do dia 13 de maio. Por isso a gente tem que continuar com o espírito dos Abolicionistas junto com o espírito de Zumbi dos Palmares e Malunguinho.

Zumbi dos Palmares

Zumbi dos Palmares

Editorial escrito para o Programa Canavial dos dias 7 e 8 de maio de 2010.

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