História e Canavial |

set/10

24

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 84

1º         ENCONTRO DE COQUISTAS DA ZONA DA MATA NORTE PERNAMBUCANA

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos,

Nesta semana, desde o dia 23 de setembro até o dia 26 está acontecendo na cidade de Goiana o Primeiro Encontro de Coquistas da Zona da Mata Norte Pernambucana. Esta é uma excelente oportunidade que nós temos para conversar e conhecer um pouco a tradição da dança e música do Coco. Essa tradição vem de tempos antigos, da época em que muitos homens escravizados aproveitaram a confusão causada pela invasão dos holandeses para fugir dos engenhos de Pernambuco e se esconderam nas matas, formando quilombos. Foram muitos quilombos que se formaram nas matas do Agreste, desde Chã Grande até União dos Palmares. Aliás, esse nome é porque lá havia o maior dos quilombos que formaram o Quilombo dos Palmares, que era parte de Pernambuco. Ali, misturados com os índios, esses negros livres criaram um território de liberdade e de trabalho. Ao se juntarem para quebrar os cocos tirados das palmeiras, eles criaram um ritmo a partir do barulho das pedras nos cocos e, depois imitaram esse barulho com as palmas das mãos. E cantavam para ajudar diminuir o cansaço do trabalho. Como estamos entendendo, o coco é uma tradição de homens e mulheres trabalhadoras, que inventaram uma dança a partir de sua ocupação. Os quebradores de coco passaram a ser dançadores de Coco. E como um deles ficava tirando versos e gracejos, esse tirador de versos ficou sendo o Tirador de Cocos, o poeta que cantava as brincadeiras do grupo. Quando foi destruído o Quilombo dos Palmares, os sobreviventes se espalharam pelo interior e por isso o Coco pernambucano é cantado e dançado em todo o Nordeste.

Coco de roda

Coco de roda

 

Mas a dança do Coco durante muito tempo não foi bem aceita, ele era dançado e cantado pelos mais pobres, pelos que viviam na beira das cidades e povoados, quase nas matas. Mas o Coco hoje é conhecido no Brasil e no mundo e não há um só tipo de Coco: tem Coco de Roda, Coco de Umbigada, Coco de Palma, Coco de Embolada, Coco Agalopado e muitos outros que se dançam e se cantam desde as praias até os sertões.

O PROGRAMA CANAVIAL parabeniza todo o pessoal que está realizando esse festival na Cidade de Goiana e convida todos para participar da Oficina e do Seminário que ocorrem no dia 25,  e das apresentações nas noites dos dias 24, 25 e 26 de setembro.

 

    Escrito para os programas dos dias 24 e 25 de setembro de 2010

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