História e Canavial |

mar/10

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DIA DA ÁGUA E NOSSOS RIOS

Rio Tracunhaém

Rio Tracunhaém

 

 Caros Amigos,

 

 

 

 

 

 

Nesta semana, no dia 22 de março, foi comemorado o dia internacional da água, estabelecido pela Organização das Nações Unidas, a ONU. A cada ano as pessoas, em todo o mundo, estão mais preocupadas com a possibilidade de vir a faltar água potável para uma boa parte da população da terra.

Embora o Brasil seja possuidor de grande parte da água potável do planeta, não devemos desperdiçar a água que está em nosso território. O dia de São José é um dia muito esperado em nossa região, pois se chove naquele dia, ensina a sabedoria popular, o inverno vai ser bom e vamos ter milho, feijão e muita fartura para a criação. A região em que moramos, a Zona da Mata Norte, é conhecida como a Mata Seca porque aqui chove menos do que a Zona da Mata Sul. Entretanto, nós temos vários rios que passam por nossas cidades, como os rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim, que são os principais, e também o Arataca, Paratibe, e todos recebem águas de muitos riachos.

Foi a existência desses rios que trouxe para aqui os engenhos e canaviais que usavam a força das águas para movimentar as rodas e girar o mecanismo para esmagar a cana, dela tirar o caldo que era posto em caldeiras onde fervido até chegar ao ponto de granular e ser posto para descansar e fazer os pães de açúcar nas casas de purgar. Mas os rios sofreram com o crescimento dos canaviais, pois tiveram que derrubar muitas matas para o plantio e também para fazer lenha para os fornos. A derrubada das árvores terminou por enfraquecer os rios da nossa região. Antigamente esses rios eram cheios de peixes, muito variados, desde as piabas e cambindas até as traíras, e mussus que eram tiradas das locas perto das margens.

Mas os rios foram minguando depois da derrubada das árvores e também porque os donos das usinas utilizavam os rios para jogar o vinhoto que sobrava depois da produção do açúcar e do álcool. Os rios foram desaparecendo, perdendo as forças e, em muitos lugares eles hoje parecem riachos. De vez em quando, quando cai uma chuva dessas que ninguém espera, o rio volta e encontra muitas casas nos lugares que era dele antes. Quem passa pela Ponte da Bicopeba, em Paudalho, pode imaginar o tamanho e a força que era o Rio Capibaribe. A mesma coisa pode ser dita do Rio Siriji e do Rio Capibaribe Mirim, que terminam em Goiana. Isso quer dizer que as nossas cidades foram crescendo perto dos rios, mas sem cuidar que os rios precisam de cuidado.

Embora pareça que estejam mortos, os nossos rios estão vivos e nós devemos cuidar deles. Será muito interessante que nas escolas os nossos professores conversem sobre os rios de nossa região e, quem sabe os mais velhos, os que ainda viram os nossos rios mais cheios de água e de peixes podiam ir contar essa história nas escolas?

O Programa Canavial, nesta semana da água, deseja que todos nós pensemos um pouco sobre como podemos fazer para que não se perca a água de nossos rios. Vamos cuidar dos nossos rios economizando as águas de nossas torneiras. O Programa Canavial convida todos os moradores da Mata Norte a cuidar da água que nos dá a vida.

Severino Vicente da Silva

Editorial escrito para o PROGRAMA CANAVIAL dos dias 26 e 27 de março de 2001.

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