História e Canavial |

nov/09

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Saudação aos novos pontos de cultura

SAUDAÇÃO AOS NOVOS PONTOS DE CULTURA

Severino Vicente da Silva

Amigos ouvintes do Programa Canavial

Este final de semana tem dois motivos de alegria, além de continuarmos alegres por termos ido até Pesqueira, na semana passada para a inauguração do Ponto de Cultura ORORUBÁ. Esse nome Ororubá foi escolhido porque Pesqueira nasceu e cresceu no pé da Serra do Ororubá, onde vivem os índios Xucuru, parte da tradição que acompanha os mestres do Coco Cancão Pio, das Cambindas Velhas, dos Caipora e da Escola de Samba Labariri. As alegrias desse final de semana é a inauguração dos Pontos de Cultura ENGENHO DOS MARACATUS, em Nazaré da Mata e CABOCLINHOS DE GOIANA, em Goiana.
Uma vez eu li em um livro que a criação da solidariedade no Brasil, especialmente na Mata Norte, é uma invenção dos mais pobres, dos trabalhadores, dos que nada possuem a não ser o seu corpo e a sua imaginação. Pois bem, esses três pontos de cultura, ligados ao Movimento Canavial, são formados pelo companheirismo, pela solidariedade e cooperação de vários grupos. É assim, que pouco a pouco, vamos reconstruindo e renovando a nossa cultura, uma cultura enraizada na cooperação e não na competição.
Uma das belas tradições do Maracatu de Baque Solto é que quando ele foi sendo criado não tinha como objetivo ser melhor do que outros nem ganhar concursos. Os primeiros maracutus de caboclos saiam para desfilar nas ruas dos povoados e nos terreiros das casas. Esse negócio de concurso para ganhar prêmios veio depois. Também os caboclinhos, que os livros dizem ter começado no tempo em que chegaram aqui os primeiros portugueses, começou da dança dos curumins para alegrar a vida nas tabas e nos terreiros das igrejas onde eram catequizados. Nesses dois casos o objetivo era conseguir a alegria para quem brincava dançando e a alegria para quem brincava olhando os passos que simulam uma guerra e mostram a beleza e a agilidade dos corpos vivos e saudáveis. Em todas essas danças, em todos esses movimentos, estão sendo contados pedaços da história do Brasil, da história de Pernambuco, da história de nossa região. A dança dos Caboclinhos de Goiana contam como eram alegres s tempos mais antigos do povo brasileiro, mas que também era um tempo de confronto e de batalhas; a dança do Maracatu de Baque Solto, esse maracatu que foi criado e continua sendo renovado pelos trabalhadores dos engenhos e das usinas, conta a história dos desejos desses trabalhadores de serem reconhecidos criadores e construtores de um mundo carregado das raízes que fazem o povo brasileiro, desde quando acolheu o português e o auxiliou no corte do pau-brasil, passando pelo acolhimento das tradições trazidas pelos africanos escravizados e que, com os índios e caboclos, juntaram-se para fazer essa beleza de dança e de cores, que é a cara da gente.
Este final de semana o Programa Canavial saúda os novos Pontos de Cultura, desde o Agreste até a nossa Zona da Mata, que continuam a criar e recriar a cultura da gente, a cultura brasileira.

ps. Editorial escrito para os programas dos dias 6 e 7 de novembro de 2009.

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