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abr/11

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Em defesa de Caboclinhos e Índios

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 111

Em defesa de Caboclinhos e Índios

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos

            Já faz algum tempo que Goiana, tem celebrado ao final do mês de março a realização de uma assembléia de índios que ocorreu durante o domínio do império português. Nessa assembléia os colonizadores vindos de Europa reconheciam a existência das muitas nações que viviam nestas terras e os seus direitos. A Assembléia aconteceu em 1645.

A celebração é organizada pela Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco, que tem sua sede em Goiana. É muito importante essa celebração, e esperamos que ela cresça, e a cada ano gostamos vê-la melhor cuidada e mais divulgada e que ela cumpra a sua função histórica e social. Hoje nós sabemos que os portugueses que não assinaram os documentos naquela reunião, pois foi realizada na época dos holandeses, não cumpriram nem respeitaram as cláusulas de reconhecimento dos direitos dos povos. E sabemos disso, entre outras provas, por que aquelas nações indígenas não mais existem nos dias de hoje; depois dos acordos as guerras continuaram a acontecer e as nações e povos indígenas derrotados perderam as suas terras, muitos foram mortos, outros foram feitos escravos e as famílias; os costumes, as religiões e as tradições foram perdidas. Mas desse processo foi sendo formado o povo brasileiro.

            Constituídos como nação, nós brasileiros quase sempre colocamos em último plano no estudo de nossa formação a tradição indígena. Recentemente tem havido certo debate em torno das etnias que formam o Brasil, inclusive foi criada uma secretaria especial pela Presidência da República para cuidar das desigualdades raciais no Brasil. Apesar da boa intenção do governo brasileiro, precisamos lembrar que a UNESCO – órgão das Nações Unidas para a Ciência e Educação definiu que não há raças humanas e como membro da ONU é obrigação do governo não fortalecer essa idéia racista.

Mas precisamos cuidar das nossas tradições herdadas dos primeiros habitantes do Brasil. A dança dos Caboclinhos e dos Índios que temos na Zona da Mata Norte de Pernambuco são criações dos descendentes dos índios que participaram daquela Assembléia acontecida em 1645. Quando os caboclinhos saem no carnaval ou em alguma de nossas festas é essa tradição que guardamos.

            Meus amigos, nós temos ouvidos de chefes de nossas tribos que quando eles vão se apresentar no Recife, alguma das danças comuns em Goiana não estão sendo aceitas pela comissão que organiza o desfile e faz a premiação dos desfilantes. Meus amigos nós devemos evitar para que a maneira de dançar a dança do Caboclinho de Goiana e a maneira de tocar os toques de Caboclinhos de Goiana seja esquecida por causa das exigências que são feitas aos nossos grupos quando eles vão se apresentar no carnaval do Recife. Naquela festa popular, os jurados não estão reconhecendo alguns toques e algumas danças típicas dos grupos de caboclinhos de Goiana.

Nós que fazemos o PROGRAMA CANAVIAL desejamos que, além de celebrar a realização da Primeira Assembléia Indígena da História do Brasil, a Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco deve questionar esse comportamento daqueles que organizam o desfile das tribos de caboclinhos e índios no carnaval do Recife e defender a nossa tradição. Nossos caboclinhos e nossos índios devem lutar e manter os seus toques e os seus passos de danças.

 

Para os programas do dia 02 de abril de 2011.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 96

PASTORIL E OUTRAS DANÇAS

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

A cada o Programa Canavial vem apresentando assuntos para as nossas conversas e são sempre a respeito de acontecimentos e criações que nossa região vem criando nos últimos duzentos anos. Essas brincadeiras, essas histórias, essas festas que fazemos a cada ano, e todos os anos, são o retrato da vida que vem sendo vivida nessa nossa terra desde os tempos dos avôs e avós dos nossos avôs e avós. A cada semana nós conversamos sobre a nossa história, a história que eles fizeram e nós herdamos e a história que nós estamos fazendo e que nossos filhos e netos herdarão.

Houve um tempo em que o PASTORIL era um teatro e uma dança comum e que se apresentava quase sempre na frente da Igreja. O Pastoril é parecido com uma peça de teatro na qual os artistas não falam, apenas cantam, e que é conhecida como Ópera. O Pastoril começou a ser dançado, em Portugal, muitos anos antes dos portugueses chegarem ao Brasil.

O Pastoril conta uma viagem que ciganas saem do Egito para se festejar com uma família na qual a mulher acabou de dar a luz a uma criança. Nessa viagem as pastorinhas, que são as ciganas do Egito, passam por muitos lugares; em algumas casas há jardins, e elas e lá encontram borboletas; no caminho fazem amizade com um pastor de ovelhas que as acompanha enquanto elas seguem uma estrela que as guia até a casa onde ocorreu o nascimento do menino que recebeu o nome de Jesus. Todos os nomes têm um significado e o nome Jesus significa “Deus Salva”. Ou seja, a história do pastoril é a história de pessoas que andam até encontrar um motivo para ficar alegres e serem felizes.

Diana e Anjo

Diana e Anjo

A dança-teatro do Pastoril  era apresentada até o dia seis de Janeiro, o dia da Festa dos Reis Magos, que também saíram de suas terras no Oriente para visitar o Menino que nasceu em um ligar muito simples e pobre, uma cocheira, um lugar que serve para proteger os animais.

Meus amigos, na nossa região, nós costumamos celebrar o tempo do Natal com danças como o Pastoril, o Cavalo Marinho, Cirandas, Cocos, e muito Forró. Esse é um período em que descansamos dos trabalhos do corte da cana enquanto a terra parece descansar também. O ritmo da vida dos homens e das mulheres acompanha o ritmo da terra. Eessa época de descanso é o período em que aparecem nossos artistas que cantam, dançam, vestem roupas coloridas e nos divertem como Ciganas, Pastores, Ambrósios, Mateus, Sebastiões, Empata Samba, Capitães Marinho e tantas outras figuras que nos fazem Reis do Oriente que cantam, seguindo a Estrela Guia sob a proteção dos Arcos de São Gonçalo.  

O Programa Canavial deseja parabenizar todos os artistas de nossa região que estão se aprontando para as apresentações nesse final de ano.

Para os dias 17 e 18 de dezembro de 2010.

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set/10

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 84

1º         ENCONTRO DE COQUISTAS DA ZONA DA MATA NORTE PERNAMBUCANA

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos,

Nesta semana, desde o dia 23 de setembro até o dia 26 está acontecendo na cidade de Goiana o Primeiro Encontro de Coquistas da Zona da Mata Norte Pernambucana. Esta é uma excelente oportunidade que nós temos para conversar e conhecer um pouco a tradição da dança e música do Coco. Essa tradição vem de tempos antigos, da época em que muitos homens escravizados aproveitaram a confusão causada pela invasão dos holandeses para fugir dos engenhos de Pernambuco e se esconderam nas matas, formando quilombos. Foram muitos quilombos que se formaram nas matas do Agreste, desde Chã Grande até União dos Palmares. Aliás, esse nome é porque lá havia o maior dos quilombos que formaram o Quilombo dos Palmares, que era parte de Pernambuco. Ali, misturados com os índios, esses negros livres criaram um território de liberdade e de trabalho. Ao se juntarem para quebrar os cocos tirados das palmeiras, eles criaram um ritmo a partir do barulho das pedras nos cocos e, depois imitaram esse barulho com as palmas das mãos. E cantavam para ajudar diminuir o cansaço do trabalho. Como estamos entendendo, o coco é uma tradição de homens e mulheres trabalhadoras, que inventaram uma dança a partir de sua ocupação. Os quebradores de coco passaram a ser dançadores de Coco. E como um deles ficava tirando versos e gracejos, esse tirador de versos ficou sendo o Tirador de Cocos, o poeta que cantava as brincadeiras do grupo. Quando foi destruído o Quilombo dos Palmares, os sobreviventes se espalharam pelo interior e por isso o Coco pernambucano é cantado e dançado em todo o Nordeste.

Coco de roda

Coco de roda

 

Mas a dança do Coco durante muito tempo não foi bem aceita, ele era dançado e cantado pelos mais pobres, pelos que viviam na beira das cidades e povoados, quase nas matas. Mas o Coco hoje é conhecido no Brasil e no mundo e não há um só tipo de Coco: tem Coco de Roda, Coco de Umbigada, Coco de Palma, Coco de Embolada, Coco Agalopado e muitos outros que se dançam e se cantam desde as praias até os sertões.

O PROGRAMA CANAVIAL parabeniza todo o pessoal que está realizando esse festival na Cidade de Goiana e convida todos para participar da Oficina e do Seminário que ocorrem no dia 25,  e das apresentações nas noites dos dias 24, 25 e 26 de setembro.

 

    Escrito para os programas dos dias 24 e 25 de setembro de 2010

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