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mar/11

25

Os homens e a natureza

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 109

OS HOMENS E A FORÇA DA NATUREZA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

 

Bem que a gente poderia hoje, conversar sobre o dia de São José, um dia muito esperado em nossa região, pois se chove naquele dia, ensina a sabedoria popular, não vai haver seca, o inverno vai ser bom e vamos ter milho, feijão, batata, muita comida para todos. Os rios que passam por nossas cidades, ficarão com peixes. Nós sabemos quais são esses rios: os rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim, que são os principais, e também o Arataca, Paratibe, e todos recebem águas de muitos riachos. A existência desses rios criou condições para que os homens estabelecessem aqui os canaviais e engenhos. O trabalho dos homens e das mulheres, sabendo aproveitar as riquezas da natureza, produz a riqueza e a alegria para todos. Assim acontece com os povos de todo o planeta. Muitas vezes os homens e as mulheres agem pensando que podem usar a natureza de qualquer maneira, destruir todo o ambiente, esquecendo que isso pode provocar desastres.  A derrubada das árvores terminou por enfraquecer os rios da nossa região. Antigamente esses rios eram cheios de peixes, muito variados, desde as piabas e cambindas até as traíras, e mussus que eram tiradas das locas perto das margens. E ao dizer e os nomes desses peixes logo nos lembramos o nome de alguns maracatus. Pois é, as cambindas completavam a alimentação do corpo do cortador de cana, serviu de ser nome dos primeiros maracatus de baque solto que foram criados no começo do século XX. Esses pequenos peixinhos que habitam ainda os nossos rios também alimentam os nossos sonhos, sonhos de caboclos. Os sonhos são alimentos para nossas almas.

Meus amigos, neste mês, no distante lugar chamado Japão, a terra tremeu e as águas do mar subiram com força destruindo algumas cidades. Sem sairmos de nossas casas recebemos a notícia de muita destruição. Mas, no meio de tanto sofrimento, nós estamos observando a capacidade dos homens e mulheres japoneses para vencer a dificuldade. Desde o começo as autoridades do país tomaram atitudes de liderança diante da dor, e nem mesmo a possibilidade de um desastre na usina atômica que produz energia elétrica para fazer as máquinas funcionarem fez aparecer o desespero. Pelo contrário, nós estamos assistindo, pela televisão, a capacidade de superação dos problemas sem desespero.

Amigos, o Programa Canavial desta semana deseja prestar homenagem ao povo japonês que está nos ensinando que não devemos nos deixar dominar pelo sofrimento, está nos ensinando que é importante manter a calma e a disciplina para vencer os grandes problemas que encontramos em nossa vida.

 

Para o programa do dia 19 de março de 2011.

 

 

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out/10

22

ZONA DA MATA, NOSSA IRMÃ

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 88

ZONA DA MATA, NOSSA IRMÃ

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

O mês de outubro está quase no seu fim e eu gostaria de conversar um pouco sobre o dia 04 deste mês. Na tradição dos católicos, aquele é o dia de lembrar Francisco de Assis, uma pessoa que viveu a coisa de 800 anos passados, na cidade de Assis, que fica na

São Francisco e os pássaros

São Francisco e os pássaros

Itália. Em uma das nossas cidades, Tracunhaém, alguns homens e algumas mulheres, artistas que trabalham com o barro, costumam criar estátuas que lembram Francisco. Uma imagem bastante comum é a que põe alguns pássaros sobre os ombros e nas mãos de Francisco. Parece que ocorreu que, cansado de tentar conversar com os homens e mulheres de sua região sobre os problemas que eles viviam, Francisco foi conversar com os pássaros. Também tem outra história que conta ter ele conversado com um lobo que aterrorizava o lugar. Francisco cuidava das pessoas e dos bichos porque ele entendia que homens e animais vivem no mesmo lugar, o planeta terra e, o que causava problema para os homens também causava problema para os animais.

Pois bem, o que acontece se os rios secam? O que primeiro pode acontecer é que os bichos peixes não vão mais se reproduzir, vão deixar de existir; além disso, os preás, as raposas, e outros animais não vão poder mais beber água e depois de algum tempo vão deixar de existir; além disso, sem as águas, as árvores vão ficando fracas, morrerão e não darão mais os frutos que alimentam as abelhas, os maribondos, as crianças dos homens. A gente poderia continuar e aprofundar a idéia de Francisco, a de que tudo que existe no planeta terra só pode continuar existindo se todos cuidarem um dos outros, se todos nos virmos como uma grande família. É por isso que Francisco chamava todas as coisas, todos os animais, todos os fenômenos, todos os seres vivos de irmãos. Ele dizia: Irmão Sol, irmã Lua, Irmão pássaro, Irmão lobo, Irmão fogo, Irmã chuva e todo o universo é a sua família. Por isso é que o dia 4 de outubro, dia da festa em homenagem a Francisco de Assis é considerado dia da Ecologia, o mês que devemos procurar conhecer e proteger o meio, o lugar em que vivemos.

Caros Amigos, nesta semana o PROGRAMA CANAVIAL convida a todos e a cada um de nós a cuidar do nosso ambiente de vida, do lugar onde vivemos. Cuidemos de tudo na nossa Zona da Mata, – os rios, as matas, as palmeiras, os animais e todas as pessoas – com o cuidado que se deve ter com a família da gente. 

Capibaribe Mirim no Baldo do Rio, Goiana, na enchente de 2010. Foto de Biu Vicente

Capibaribe Mirim no Baldo do Rio, Goiana, na enchente de 2010. Foto de Biu Vicente

 Editorial escrito para os programas dos dias 22 e 23 de outubro de 2010.

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