História e Canavial |

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abr/11

1

Em defesa de Caboclinhos e Índios

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 111

Em defesa de Caboclinhos e Índios

 

Severino Vicente da Silva

 

Meus Amigos

            Já faz algum tempo que Goiana, tem celebrado ao final do mês de março a realização de uma assembléia de índios que ocorreu durante o domínio do império português. Nessa assembléia os colonizadores vindos de Europa reconheciam a existência das muitas nações que viviam nestas terras e os seus direitos. A Assembléia aconteceu em 1645.

A celebração é organizada pela Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco, que tem sua sede em Goiana. É muito importante essa celebração, e esperamos que ela cresça, e a cada ano gostamos vê-la melhor cuidada e mais divulgada e que ela cumpra a sua função histórica e social. Hoje nós sabemos que os portugueses que não assinaram os documentos naquela reunião, pois foi realizada na época dos holandeses, não cumpriram nem respeitaram as cláusulas de reconhecimento dos direitos dos povos. E sabemos disso, entre outras provas, por que aquelas nações indígenas não mais existem nos dias de hoje; depois dos acordos as guerras continuaram a acontecer e as nações e povos indígenas derrotados perderam as suas terras, muitos foram mortos, outros foram feitos escravos e as famílias; os costumes, as religiões e as tradições foram perdidas. Mas desse processo foi sendo formado o povo brasileiro.

            Constituídos como nação, nós brasileiros quase sempre colocamos em último plano no estudo de nossa formação a tradição indígena. Recentemente tem havido certo debate em torno das etnias que formam o Brasil, inclusive foi criada uma secretaria especial pela Presidência da República para cuidar das desigualdades raciais no Brasil. Apesar da boa intenção do governo brasileiro, precisamos lembrar que a UNESCO – órgão das Nações Unidas para a Ciência e Educação definiu que não há raças humanas e como membro da ONU é obrigação do governo não fortalecer essa idéia racista.

Mas precisamos cuidar das nossas tradições herdadas dos primeiros habitantes do Brasil. A dança dos Caboclinhos e dos Índios que temos na Zona da Mata Norte de Pernambuco são criações dos descendentes dos índios que participaram daquela Assembléia acontecida em 1645. Quando os caboclinhos saem no carnaval ou em alguma de nossas festas é essa tradição que guardamos.

            Meus amigos, nós temos ouvidos de chefes de nossas tribos que quando eles vão se apresentar no Recife, alguma das danças comuns em Goiana não estão sendo aceitas pela comissão que organiza o desfile e faz a premiação dos desfilantes. Meus amigos nós devemos evitar para que a maneira de dançar a dança do Caboclinho de Goiana e a maneira de tocar os toques de Caboclinhos de Goiana seja esquecida por causa das exigências que são feitas aos nossos grupos quando eles vão se apresentar no carnaval do Recife. Naquela festa popular, os jurados não estão reconhecendo alguns toques e algumas danças típicas dos grupos de caboclinhos de Goiana.

Nós que fazemos o PROGRAMA CANAVIAL desejamos que, além de celebrar a realização da Primeira Assembléia Indígena da História do Brasil, a Associação dos Caboclinhos e Índios de Pernambuco deve questionar esse comportamento daqueles que organizam o desfile das tribos de caboclinhos e índios no carnaval do Recife e defender a nossa tradição. Nossos caboclinhos e nossos índios devem lutar e manter os seus toques e os seus passos de danças.

 

Para os programas do dia 02 de abril de 2011.

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mar/11

25

Premiação que prejudica

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 110

PREMIAÇÃO QUE PREJUDICA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos

            No começo do século passado, quando ainda havia muitos engenhos e bem mais sítios do que nos dias de hoje, na época do carnaval alguns homens começaram a se divertir saindo para brincar vestidos com roupas de suas mulheres: eram os cambindas; na mesma época outros homens começaram a vestir-se como índios caboclos e desfilavam nos sítios. No começo saiam sozinhos, iam de casa em casa pedindo ajuda e, logo começaram a se reunir e foram criando essa brincadeira bonita, com os caboclos seguindo e protegendo a bandeira de sua nação; assim é que se formou o Maracatu Rural, conhecido como Maracatu de Caboclo, ou Maracatu de Baque Solto. Como eles eram de sítios diferentes, às vezes quando os caboclos se encontravam podiam brigar e, muitas vezes um maracatu queria derrubar a bandeira do outro e, dizem que a briga era feia! Essa situação fez muito gente ficar com medo dos caboclos e dos maracatus que desfilavam com suas roupas coloridas, uma manta que cobria o surrão com uns chocalhos que fazia barulho cada vez que o caboclo dava um passo. O Maracatu quando vinha era bonita, mas dava muito medo por causa da violência. Uma violência causada pela disputa que fazia inimigos.

            Depois da metade dos anos de 1980, três mestres donos de maracatu: Mestre Batista, Mestre Hermenegildo e Mestre Salustiano compreenderam que a brincadeira do maracatu não crescia, não aumentava por causa das disputas entre eles, por causa da violência, então decidiram que deviam fazer alguma coisa para que os caboclos crescessem e o povo passasse a gostar mais de ver o maracatu passar. Batista, Hermenegildo e Salustiano então conversaram com outros donos de maracatu e fundaram a Associação dos maracatus de Baque Solto de Pernambuco.

Para ser sócio dessa sociedade os maracatus tiveram que se comprometer de não mais querer derrubar a bandeira do outro, não mais provocar briga. Começaram com 13 maracatus e, agora que não tem mais briga, são mais de cem, e a cada ano tem mais gente assistindo o desfile e mais rapazes e moças querendo entrar  na brincadeira para ser caboclo, para ser baiana, desfilar com o seu maracatu preferido.

Mas agora tem outro problema que precisa ser resolvido. A Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco teve um papel muito importante na superação da violência e na aceitação do maracatu por todo o povo de Pernambuco. Mas, o desfile que é promovido pela Prefeitura do Recife, que é um vitrine muito importante, pode prejudicar a brincadeira do Maracatu de Baque Solto com esse negócio de premiar o maracatu que ficar mais parecido com a corte do rei da França, usando cabeleira de nobre, sapato alto e pálio – esses guarda sol que protege o rei e a rainha – obrigando o pessoal pobre da Zona da Mata Norte investir muito dinheiro para sair na avenida e ser julgado como se fosse uma escola de samba do Rio de Janeiro. Tem gente que é convidada a ser jurado e nunca viu de perto um maracatu. Isso começa a criar problemas entre os maracatuzeiros e insatisfação entre os caboclos. É chegado o momento da Associação dos Maracatus de Baque Solto de Pernambuco dizer aos organizadores que o maracatu de baque solto é uma criação do povo da mata e precisa ser admirado como criação do povo.

            Meus amigos, o Programa Canavial começa, a partir desta semana, chamar todos os donos e mestres de maracatus para dizer que o Recife, como as outras prefeituras pode e deve ajudar a manifestação cultural que orgulha Pernambuco, mas deve parar de incentivar a disputa que os gloriosos mestres Batista, Salustiano e Hermenegildo organizaram e fortaleceram.

Para o dia 26 de março de 11

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mar/11

25

Os homens e a natureza

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 109

OS HOMENS E A FORÇA DA NATUREZA

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

 

Bem que a gente poderia hoje, conversar sobre o dia de São José, um dia muito esperado em nossa região, pois se chove naquele dia, ensina a sabedoria popular, não vai haver seca, o inverno vai ser bom e vamos ter milho, feijão, batata, muita comida para todos. Os rios que passam por nossas cidades, ficarão com peixes. Nós sabemos quais são esses rios: os rios Capibaribe, Tracunhaém, Siriji, Capibaribe Mirim, que são os principais, e também o Arataca, Paratibe, e todos recebem águas de muitos riachos. A existência desses rios criou condições para que os homens estabelecessem aqui os canaviais e engenhos. O trabalho dos homens e das mulheres, sabendo aproveitar as riquezas da natureza, produz a riqueza e a alegria para todos. Assim acontece com os povos de todo o planeta. Muitas vezes os homens e as mulheres agem pensando que podem usar a natureza de qualquer maneira, destruir todo o ambiente, esquecendo que isso pode provocar desastres.  A derrubada das árvores terminou por enfraquecer os rios da nossa região. Antigamente esses rios eram cheios de peixes, muito variados, desde as piabas e cambindas até as traíras, e mussus que eram tiradas das locas perto das margens. E ao dizer e os nomes desses peixes logo nos lembramos o nome de alguns maracatus. Pois é, as cambindas completavam a alimentação do corpo do cortador de cana, serviu de ser nome dos primeiros maracatus de baque solto que foram criados no começo do século XX. Esses pequenos peixinhos que habitam ainda os nossos rios também alimentam os nossos sonhos, sonhos de caboclos. Os sonhos são alimentos para nossas almas.

Meus amigos, neste mês, no distante lugar chamado Japão, a terra tremeu e as águas do mar subiram com força destruindo algumas cidades. Sem sairmos de nossas casas recebemos a notícia de muita destruição. Mas, no meio de tanto sofrimento, nós estamos observando a capacidade dos homens e mulheres japoneses para vencer a dificuldade. Desde o começo as autoridades do país tomaram atitudes de liderança diante da dor, e nem mesmo a possibilidade de um desastre na usina atômica que produz energia elétrica para fazer as máquinas funcionarem fez aparecer o desespero. Pelo contrário, nós estamos assistindo, pela televisão, a capacidade de superação dos problemas sem desespero.

Amigos, o Programa Canavial desta semana deseja prestar homenagem ao povo japonês que está nos ensinando que não devemos nos deixar dominar pelo sofrimento, está nos ensinando que é importante manter a calma e a disciplina para vencer os grandes problemas que encontramos em nossa vida.

 

Para o programa do dia 19 de março de 2011.

 

 

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fev/11

23

Gigantes no Carnaval

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 106 

GIGANTES NO CARNAVAL

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

Uma das marcas do carnaval de Pernambuco é uma multidão seguindo uma banda de frevo, uma multidão animada acompanhando um bloco. Em Olinda, cidade cujo nome está virando sinônimo de carnaval, além de seguir as troças Pitombeira dos Quatro Cantos e Elefante de Olinda, a multidão gosta de seguir bonecos gigantes. O mais famoso e mais olindense é o Homem da Meia Noite, que sai de sua casa, que fica no Largo do Bom Sucesso, sempre à meia noite do Sábado de Zé Pereira, desde 1931. O Homem da Meia Noite surgiu porque o marceneiro Benedito Barbaça e o pintor de paredes Luciano Queiroz se desentenderam com a diretoria da troça o Cariri. Desde então o boneco passou a dar início ao carnaval olindense.   

O Homem da Meia Noite e a Mulher do Dia

Até 1967 o elegante boneco vivia solitário na cidade. Naquele ano, Rodolfo Medeiros, Luiz José dos Santos inventaram a Mulher do Dia, cuja face foi modelada pelo artesão Julião das Máscaras. Sete anos depois, o mesmo Julião das Máscaras, a pedido de Edival albino e Ernane Lopes, fez o rosto de um menino e, assim nasceu o Menino da Tarde que já desfila na tarde do sábado, se recolhendo quando chega a noite. Três anos depois nasceu a Menina da Tarde, uma idéia de Dalma Soares confeccionada por Sílvio Botelho. E desde 1980 vem crescendo o número desses gigantes que animam o carnaval de Olinda.

Mas, o primeiro boneco gigante de Pernambuco apareceu na cidade sertaneja de Belém do São Francisco, em 1919. Para dar início ao Carnaval, padre Norberto, o vigário local imaginou um boneco que chegava da Europa pelo Rio São Francisco: era Zé Pereira que vinha se casar com Vitalina. Os primeiros bonecos foram construídos por Gumercindo Pires. E desde então vem sendo acompanhado pela Orquestra Dionnon Pires.

A tradição de bonecos gigantes vem de algumas cidades portuguesas, espanholas e belgas. Depois do Carnaval de Olinda, são muitas as cidades brasileiras que adotaram a idéia de fazer bonecos para guiar os foliões nas ruas da alegria de todos os carnavais. Em nossos carnavais da Mata Norte não temos bonecos gigantes, temos gigantes que se vestem de Caboclos de Lança, Caboclos de Pena, de Catirinas, de Mateus, Burrinhas, Caçadores, Caboclinhos, Pajés, para encher de cores e alegrias as ruas de nossas cidades.

O Programa Canavial convida a todos os folgazões e brincantes a fazer em cada uma de nossas cidades o maior carnaval que a cultura pernambucana pode fazer.

 

Para os dias 25 e 26 de fevereiro 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 104

OS BLOCOS DAS VITÓRIAS DE NOSSOS CANAVIAIS

Severino Vicente da Silva

Meus amigos,

A semana passada nós conversamos um pouco sobre a música e a dança que tem um significado especial para os pernambucanos: o frevo. Inventado e crescido nas ruas do Recife, diferentemente do que muitos pensam essa dança e esse ritmo não ficou preso nas ruas da capital. Se um dia alguém for estudar onde o frevo é tocado e dançado em Pernambuco, vai anotar, em seu livro, nomes de cidades de todas as regiões de Pernambuco. É que esse ritmo de liberdade foi sendo espalhado pelo território pernambucano nos trilhos dos trens. Pernambuco inteiro dança o frevo que é uma dança da liberdade republicana, como as principais e mais vivas tradições pernambucanas, como é o caso do Maracatu Rural que vem crescendo em número a cada ano, apesar dos prefeitos e governadores preferirem transferir a renda dos municípios e do estado para as bandas eletrônicas ao invés de apoiarem as orquestras e os clubes da região. É claro que precisamos trazer artistas e bandas de fora para que possamos trocar experiências e ter novos conhecimentos, mas é necessário que haja uma melhor paga aos artistas locais e da região. A globalização não significa apenas receber o que vem de fora, mas é também fortalecer o que temos para poder mostrar o que somos.

Não é segredo para ninguém que “quando o povo decide cair na frevança, não há quem dê jeito, agüenta o rojão, fica sem comer, mas no fim, tá tudo ok” já explicava o grande maestro Nelson Ferreira no frevo-canção O Bloco da Vitória. Quando ele escreveu esses versos estava havendo importantes mudanças na vida social e política do Brasil e essas mudanças terminam por aparecer na criação cultural.

Em 1962, pelo Acordo do Campo, pela primeira vez os cortadores de cana passaram a receber o salário mínimo. Isso quer dizer que os cortadores de cana podiam se libertar do barracão do engenho e da usina. Foi o primeiro acordo assinado entre os trabalhadores e os donos das terras. Era quase um novo treze de maio, pois agora o trabalhador sabia que podia escolher onde e o que comprar. Era a liberdade e o começo de um novo tempo de alegria, embora os problemas continuassem existindo. Mas a alegria fez aparecer muitos blocos no carnaval de 1963. Eram blocos que saiam dos povoados dos engenhos, saiam tocando uma marcha acelerada, com uma caixa, um zabumba e uma sanfona. Era a época das Caravanas que iam de engenho a engenho para alegrar e divertir.  A maior parte desses blocos deixou de existir. Mas em Tracunhaém tem o Bloco Rural Andaluza que foi criado no Engenho dos Abreus no ano de 1963. Ainda sob o comando do Mestre Emeliano, o Bloco Andaluza faz a alegria de Tracunhaém e de outras cidades da Mata Norte.

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

Bloco Rural Andaluza de Tracunhaém - foto de Gilson do Turismo

O Programa Canavial desta semana homenageia o Bloco Rural Andaluza nos seus 47 anos de lutas e glórias, ao mesmo tempo em que lembra aos prefeitos e a todos os cidadãos da Zona da Mata Norte que é nossa obrigação apoiar os artistas que fazem a alegria de nossos carnavais.

 

Para os dias 11 e 12 de fevereiro de 2011

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 100

15 DE JANEIRO DE 1685 – VILA DE GOIANA, CABEÇA DA CAPITANIA DE ITAMARACÁ

Severino Vicente da Silva

 

 

Meus amigos,

A Nação Cultural Pernambuco tem muitas vertentes, e todas elas estão repletas de criatividade, de bravura, solidariedade, ternura, músicas, ritmos, crenças, lugares sagrados, tudo sendo resultado de ações de homens e mulheres enquanto criavam seus filhos e filhas. As regiões geográficas de Pernambuco se confundem com as regiões culturais e, cada uma dessas regiões parece ter uma ou duas cidades símbolos. Assim, quando dizemos a palavra Sertão, é quase certo que nos vem à cabeça nomes como Petrolina, Exu, Serra Talhada.  Se dissermos Agreste Pesqueira, Garanhuns, Caruaru, Limoeiro e Surubim logo são lembradas. Litoral é região que lembra Olinda, Recife, Ponta de Pedras, Porto de Galinhas. E quando a palavra é Zona da Mata, no sul é Palmares e no Norte é Nazaré, Timbaúba, Vicência e Goiana.

Cada uma dessas cidades tem um mundão de histórias, e os homens e as mulheres criaram o tempo e o dividiram em semanas, meses, anos e séculos. Os seres humanos contam suas vidas contando os dias que vivem e lembrando alguns desses dias como momento a ser lembrado, que marca o início de um novo tempo.  Tem quem chame esses dias especiais como sendo datas históricas.

Meus amigos, o editorial de hoje quer se interessar por uma data histórica e importante para toda a Zona da Mata Norte, pois essa data, 15 de janeiro, nos lembra que no ano de 1685, Goiana passa a ser considerada uma vila, passando a ser a capital ou cabeça da Capitania de Itamaracá. E a Zona da Mata Norte era parte da Capitania de Itamaracá. Ao considerar Goiana como Vila – cidade – o governo do Império Português reconhecia a importância daquele povoado que vinha crescendo desde 1540. Pode-se dizer que o 15 de janeiro deve ser considerado um aniversário de Goiana como Cidade. O Programa Canavial Parabeniza Goiana por essa data, por ser uma das mais antigas cidades do Brasil. Goiana, Cabeça da Capitania de Itamaracá, cidade que deu origem a muitas cidades da Zona da Mata de Pernambuco. Parabéns à Goiana dos Caboclinhos.

Para os programas dos dias 14 e 15 de janeiro 2011.

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PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 98
 

O DOCE DA MATA NORTE

Severino Vicente da Silva
 

Meus amigos,

Estamos no final do ano e este é um tempo de verificar o que fizemos, nos alegrarmos pelo que foi feito e também ver o que poderemos melhorar no próximo ano.  Um dos motivos de alegria é o que ocorreu com a Pretinhas do Congo do Baldo do Rio,  de Goiana. Este ano, o grupo cultural que é mantido pela população de pescadores e trabalhadores de várias artes manuais do Baldo do Rio, apresentou-se em várias cidades de Pernambuco, assumindo o seu lugar em nossa Nação Cultural.

Neste final de ano, a  Pretinhas do Congo do Baldo do Rio está fazendo um encontro histórico na cidade de Floresta, no Sertão do Pajeú. É a festa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, na Igreja do Bom Jesus, onde ocorre a coroação do Rei e Rainha do Congo.  Festa dedicada a São Benedito,  marca o final e início do ano naquela cidade sertaneja que nasceu em torno da devoção de Nosso Senhor Bom Jesus dos Aflitos. Que alegria da Pretinhas do Congo nesta festa que tem mais de duzentos anos. Um grupo cultural da Mata Norte de Pernambuco na festa cultural do Sertão do Pajeú. Vale lembrar para os tradicionais folcloristas, que esta festa de coroaçao do Rei do Congo não se transformou em Maracatu e continua sendo realizada no interior da Igreja. A Irmandade de Nosso Senhor do Rosário dos Pretos de Floresta é Patrimônio Imaterial de Pernambuco.
 Outra alegria para nós foi a realização do Festival Canavial envolvendo Tracunhaém, Vicência, Nazaré da Mata, Condado e Goiana. Nossos grupos culturais estão cada vez mais cooperativos e animados. O Movimento Canavial está de parabéns, seja pela realização dos programas nas rádios comunitárias que, cada vez mais informam sobre a nossa cultura, nossos hábitos, nossas realizações, nossas dificuldades e nossos objetivos.
O Programa Canavial fica contente com a publicação do Jornal da Banda 28 de julho, de Condado, cada vez mais organizada e ativa, como também é ativa a Banda Curica de Goiana. Ficamos felizes com o Encontro de Ciranda realizada em Tracunhaém, e nos alegramos com o Encontro de Sanfoneiros de Vicência, que foram resultados de projetos nascidos e pensados e apresentados por gente e Pontos de Cultura de nossa querida Zona da Mata. Também vimos se realizados o Primeiro Encontro com os pequenos mestres da nossa cultura e o Priumeiro Encontro de Coquistas da Mata Norte.  Também aconteceu um curso de produção de instrumentos musicais. Foram tantas as iniciativas nascidas, construídas e realizadas na nossa Região da Mata Norte por pessoas daqui, por gente que a gente encontra na rua diariamente. Isso mostra que nós continuamos a ser um lugar de criação cultural e que a nossa juventude é uma juventude alegre, cuidadosa, criativa e que está construindo uma região cada vez melhor e mais consciente de si mesma.
Mas precisamos que as nossas escolas, os nossos professores, os líderes de nossas comunidades, os padres, os pastores, os babalorixás, os prefeitos, vereadores, juízes e todas as autoridades da região continuem a alimentar a esperança de nossa juventude, confiando nela e nas suas iniciativas. O verdadeiro doce da Mata Norte é a esperança e a certeza de nossas gerações.
Feliz Ano Novo com muitas realizações em 2001.
Esses são os desejos do Programa Canavial.

Para os dias 31 de dezembro de 2010 e 1º de janeiro de 2011

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dez/10

23

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 97 

NATAL

 

presepio202

Severino Vicente da Silva

 

Meus amigos,

Nesta semana todos estão festejando o nascimento de uma criança que veio a se revelar, para muitos, como Filho de Deus. Embora a festa do Natal dessa criança que veio a ser conhecida como o nome de Jesus esteja, a cada dia sendo vista como uma festa de consumo de mercadorias, na verdade ela começou a ser celebrada de outras maneiras.

Primeiro essa festa foi celebrada como o Nascimento do Sol, o Sol da Justiça. A criança nasceu em um situação muito “aperreada”, pois, diz a tradição, que por causa de um recenseamento, seus pais tiveram que sair do povoado onde moravam para ir para o lugar onde nasceram: por isso, quando chegou a hora do menino nascer, e como não encontraram casa onde ficar, a criança nasceu numa estrebaria, bem pobre, tomando o lugar dos animais dormir. Mas como toda criança, ela ficou sendo o centro de atração de morava por perto e escutou o choro dela ao nascer. E a criança e sua família, foi visitada por pastores, por ciganos e ciganas; e foi visitada, também por três reis que tinham sabedoria suficiente para entender que a beleza e justiça não se confundem com riqueza e luxo.

Fazer um presépio na praça da cidade, na praça do povoado ou na casa das pessoas para lembrar o nascimento do Menino Deus, foi de um homem, conhecido como Francisco, nascido na cidade de Assis, faz uns 1800 anos.

A festa era muito ligada a religião dos cristãos, como ainda hoje, mas aconteceu que tem ocorrido muitas mudanças e, tem muita gente nos dias de hoje que não gosta muito de dizer que é religiosos e, tem mesmo gente que diz que não acredita que exista algum Deus. Mas o que é interessante nesta festa é que todas as pessoas que tomam conhecimento dela gostam de festejar e, como os Reis Sábios (a palavra mago era usada em lugar de sábio!), os pastores e as ciganas, também levam presentes para dar aos amigos. Assim, o Natal fica como se fosse uma grande festa de amigos e ela dá a sensação de que nós todos fazemos parte de uma só família: a família, a família dos que desejam alegria, felicidade, justiça e harmonia para todos os seres humanos.

Meus amigos, o Programa Canavial deseja a Todos que nos escutam, a todos que não nos escutam, a todos que conhecemos, a todos que não conhecemos, desejamos um Feliz Natal, uma feliz nascimento para a alegria, a justiça e harmonia.

Para os dias 23 e 24 de dezembro de 2010 

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nov/10

11

ANIVERSÁRIO DA REPÚBLICA

PROGRAMA CANAVIAL

EDITORIAL 92

 

ANIVERSÁRIO DA REPÚBLICA

 

Meus amigos

 

A segunda quinzena do mês de novembro tem início com uma festa no dia 15, a festa em que comemora a Proclamação da República, que ocorreu no ano de 1889. Até aquela data o Brasil era uma Monarquia, ou seja, o “governo de um”, pois a vontade única do imperador era suficiente para tornar legal algum comportamento ou decisão, e apenas a sua família poderia indicar quem governaria o Brasil. É verdade que a monarquia brasileira possuía uma Constituição e ela indicava o que o governante deveria fazer, mas essa pessoa possuía muito poder e o Estado era quase uma coisa sua. Com a Proclamação da República foi criada uma nova constituição e o Brasil passou a ser governado por pessoas comuns e nenhuma família, desde então, pode pensar que é dona do Brasil, porque o governo não é mais pessoal, mas é uma Coisa Pública. Coisa Pública é a tradução da palavra REPÚBLICA. 

Meus amigos, essa é uma idéia muito poderosa, porque ela diz que todas as pessoas que vivem no Brasil são responsáveis pelo Brasil, mas não são donas do Brasil. O presidente é eleito para ser responsável pelo Brasil, não para agir como se fosse dono do Brasil; o governador do estado é eleito para ser responsável pelo estado, não para agir como se fosse dono do estado; o prefeito é eleito para ser responsável pelo município, não para ser dono do município.  A República é assim: todos os membros da sociedade devem agir da melhor maneira para o bem de todos. Aqueles que se candidatam a cargos de administração sabem que suas ações devem ter o objetivo de tornar a República cada vez melhor para todos.

Meus amigos, o PROGRAMA CANAVIAL deseja a todos uma boa celebração de aniversário de nossa República.

Para os programas dos dias 12 e 13 de novembro de 2010.

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