Archive for June, 2010

Festa Junina no Ponto de Leitura


2010
06.29

Pelo segundo ano, crianças, jovens e adolescentes que freqüentam o Ponto de Leitura Estrela de Ouro de Aliança realizaram a uma festa junina.

A festa acorreu no sábado, dia 26 de junho e este ano contou com a dança e apresentação de uma quadrilha, iniciativa dos freqüentadores da Biblioteca Mestre Batista.

Ente as brincadeiras uma das que mais alegrou foi a Dança das Cadeiras, repetida quatro vezes, pois todos quizeram participar.

A Dança das Cadeiras - Well, Erica e Wanessa observando as crianças. Foto de Biu Vicente

A preparação da festa ocorreu desde a última semana do mês de maio. A orientação dos ensaios foi realizada por Patrícia, Agente Cultura Viva, e contou com a colaboração de Erica e Danielle, bem como a participação de Wellington e Edilson.

Wanessa, que a cada sábado lidera as atividades recreativas e educativas, tomou a liderança da preparação das comidas.

Mas a tarde começou com a Quebra Panela, muito disputado. A armação se deveu ao trabalho conjunto de Edilson e Wellington. A foto abaixo corresponde ao momento imediatamente anterior à Quebra da Panela.

Quebra Panela - Festa Junina no Ponto de Leitura - Foto de Biu Vicente

Quebrando a Panela - Foto de Biu Vicente

Assim, no início da tarde, o sábado que é sempre de estudo, brincadeira e alegria, ficou mais vivo na Chã de Camará. Foi armado um belo Quebra Panelas, foram realizadas brincadeiras, as quais tiveram como prêmio o prazer de brincar e de ganhar a brincadeira.

Um dos momentos mais engraçados foi formação de duplas que, presas por um cordão, deviam superar a tarefa de andar cerca de cinco mestros. Quando se descobriu que a melhor maneira era saltando em conjunto, tudo parecia ser uma brincadeira de Saci, esse ser encantado de nossas matas, de nossa tradição indígena.

Brincando de Companheiro Saci - Foto de Biu Vicente

Saltando como Saci - foto de Biu Vicente

Depois veio a dança da Quadrilha e os comes e bebes: pipoca, mungunzá, milho cozido e canjica. E forró.

Patrícia e Daniele organizando a mesa

Patrícia e Daniele organizando a mesa - foto de Biu Vicente

 Foi muito bom a presença das mães das crianças e  dos jovens freqüentadores do Ponto de Leitura. A presença delas ajuda e anima os Educadores e os Agentes de Cultura.

 

Dançando o Serrote: Alegria e seriedade na dança coletiva, que ajuda a compreensão dos movimentos e da colaboração na vida.

O Serrote - foto de Biu Vicente

Foi uma tarde muito animada e que continuou até o apagar da fogueira.

Fogueira na Festa do Ponto de Leitura - foto de Biu Vicente

Texto escrito por Severino Vicente da Silva

Nosso ponto e nossa cultura


2010
06.27

IVONEIDE, nosso ponto e nossa cultura

Sou Ivoneide Maria da Costa, tenho 14 anos, nascida em Aliança, criada no Sitio Chã de Camará. Minha Mãe é Ivonete Lopes da Silva, uma mulher lutadora; Meu Pai é José Rodrigo da Costa, um homem trabalhador.

Tive uma infância muito alegre, e ao mesmo tempo triste.

Com 12 anos comecei a freqüentar o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em 2005 inauguramos nossa primeira Biblioteca, chamada Mestre Batista. A gente tem aula todo sábado, é muito legal, as professoras são: Wanessa, Bárbara, Amélia, e agora Érica.

Hoje em dia temos computadores, a Biblioteca com muitos livros novos; temos aulas de músicas com os Mestres da cultura e o Ponto está crescendo cada vez mais.

Ivoneide Maria da Costa, 14 anos

ivoneidemaria54@yahoo.com.br

ADRIANO, em mim nasceu a cultura.


2010
06.01

Adriano - foto de Biu Vicente

 

Meu nome é Adriano José dos Santos, nasci em Aliança – PE, no dia 30 de setembro em um distrito de Aliança chamado “COHAB”. Comecei a descobrir a cultura dentro de mim quando minha mãe veio morar aqui no Sítio Chã de Camará, localizado no trevo de Upatininga, também distrito de Aliança. Minha mãe, Ana Maria dos Santos, ela brincava de baiana no Maracatu do sítio, o Maracatu Estrela de Ouro. Maracatu muito reconhecido no Brasil todo. Em 2006 surgiu o projeto (Recreação infantil e mediação de leitura na Biblioteca Mestre Batista) e aí entrei e comecei a participar. Esse projeto era no sábado, por isso corria muito, mas nem todo o sábado vinha, pois eu morava na COHAB e nem sempre pude vim para o projeto. Mas nos sábados em comecei a aprender a cultura que havia dentro de mim.

Em 2009 o projeto evoluiu e ganhou um nome, projeto Leitura no Ponto – Escola Sebastiana Maria da Silva. Eu admirava muito a cultura daqui, o Maracatu – que era o mais bonito, o Cavalo Marinho, o Boi Camará, a Ciranda Rosas de Ouro e o Coco Popular de Aliança.

Como eu era pequeno, tinha uns 09 anos, não deixavam eu ficar nas festas do Ponto.

Ainda em 2009 eu fiz um poema chamado “Direitos garantidos para o mundo melhor”, e fui entrevistado na Escola (Adriano cursa o 9º fundamental na Escola Estadual Dom Bosco em Aliança – PE; foi entrevistado pela jornalista Inês Calado do JC – Online para a matéria especial “E o verbo se fez Vida”, disponível no endereço: http://www2.uol.com.br/JC/sites/verbo/index.html ) e fiquei conhecido como “o poeta” em toda a Escola.

Já em 2010 eu fui chamado para brincar de Arreimá no Maracatu Estrela de Ouro, mas eu ainda era muito pequeno, daí não deu certo. Tentei brincar de caboclo, brinquei no carnaval em 02 apresentações, na terceira mudei para o lampião e gostei. Estarei no próximo carnaval se Deus quiser. E agora o meu Tio (padrasto) está fazendo um Coco de jovens e estou muito empolgado com a cultura e sonho quando crescer  ser um grande cantador de marchas de Maracatu.

Adriano José da Silva, 13 anos

adrianojose16@yahoo.com.br

ANDERSON, um jovem de grandes momentos culturais


2010
06.01

Meu nome é Anderson, nasci em Timbaúba, Zona da Mata Norte de Pernambuco, no ano de 1995, no dia 29 de março, e sonho em ser engenho da computação.

Comecei a gostar de cultura popular aos 09 anos, quando minha mãe foi morar no Sítio Chã de Camará – Aliança/PE. Eu vi o Maracatu e dizia: “que coisa bonita!” ficava só na vontade de dançar nas apresentações. Depois o Coco, ficava impressionado com o que eu via, as pessoas dançavam e tocavam sem parar, com vontade de aprender a tocar mas não tinha oportunidades.

Depois de um ano inauguraram o Ponto de Cultura Estrela de Ouro, em 2005. Participei de todas as festas. Com o Ponto de Cultura surgiram vários projetos para aprender a dançar e a tocar o Maracatu, Coco e o Cavalo Marinho, eu participei de todos e aprendia a dançar e tocar todos os brinquedos.

Agentes Cultura Viva e crianças - Foto de Anderson

Em 2006 surgiu o projeto para crianças e adolescentes, eu participei e participo até hoje. Com esse projeto tive oportunidade de desenvolver mais a leitura com atividades na Biblioteca Mestre Batista e o Estúdio Mestre Zé Duda.

Em 2007 teve o Festival Canavial que tive oportunidade de conhecer diferentes culturas, danças, comidas, histórias, maracatus e outros.

Em 2008 o projeto se desenvolveu mais, entrou mais pessoas, Foi tendo mais Festas e Festivais.

2009 foi o ano que mais aconteceram coisas, o Mestre Caboclo do Maracatu Estrela de Ouro me chamou para dançar no maracatu, mas minha mãe não deixou. O nosso projeto ganhou um nome e foi apoiado pelo governo, o nome era Leitura no Ponto e virou uma escolinha – Escola Sebastiana Maria da Silva – ganhamos também o Ponto de leitura, ganhamos mil livros e um computador. O projeto cresceu, começou a ter merenda, salas divididas, eram três professoras: Wanessa, Bárbara e Amélia. Com o excesso de crianças, Cláudia e Layane foram colocadas para ser monitoras da Biblioteca e eu mais Pê (José Marcos) fomos colocados para sermos monitores do computador. Isso foi uma oportunidade enorme para mim. Sabe, eu tive como aprender a mexer mais no computador e passar o que eu estava aprendendo para outras pessoas. Depois de um mês a professora achou muito ruim duas pessoas para uma coisa só, aí ela tirou José Marcos e Layane da monitoração.

Eu até hoje tenho feito isso, fico monitorando as crianças no sábado e quando posso na semana, porque estudo. (Anderson faz o I ano do Ensino Médio na Escola Estadual Dom Bosco na cidade de Aliança)

Ainda em 2009, disse a professora que queria participar da Roda de Mestres (Roda de Mestres – Festival Canavial 2010, Nazaré da Mata – PE), e ela e o Professor Biu Vicente me chamou para comparecer. Roda de Mestres é uma sala cheia de Mestres da cultura, e eles fazem uma roda e conversam várias coisas importantes para as brincadeiras da região. Ganhei diploma, conheci o grande escritor Célio Turino (Secretario de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura), que escreve vários livros sobre Pontos de Cultura, ganhei um livro assinado por ele, o nome do livro é: Pontos de Cultura: o Brasil de baixo para cima.

Um projeto foi lançado de uma biblioteca móvel (Biblioteca itinerante – projeto Caminhos do Canavial: leitura, cordel e tradições culturais da Zona da Mata), colocamos todas as coisas no ônibus e levamos o ônibus para vários lugares com sentido de mostrar para as pessoas que na Chã de Camará tem-se projetos para crianças e que o Ponto de Cultura tem como identidade também o projeto leitura no ponto.

Em 2010 o Mestre dos Caboclos do Maracatu me chamou de novo para participar, e minha mãe dessa vez deixou. Eu saí de caboclo de lança, foi muito bom, isso foi outra oportunidade para mim, gostei muito, no próximo ano irei participar de novo.

Esse ano está sendo muito bom para mim, estou tendo a chance de mostrar a minha história na internet, para todas as pessoas conhecerem e contar para outras pessoas.

Quero manter a cultura viva no lugar de Ederlan, com a computação e o Maracatu.

Anderson José dos Santos, 15 anos

andersonjose03@yahoo.com.br

Lugares e pessoas que fazem a Cultura Viva


2010
06.01
Wanessa debate as regras com as crianças

Wanessa debate regras com as crianças. Foto de Biu Vicente

 

Numa tarde de chuva, sendo impossível brincar de bola ou corda no terreiro. Decidimos “forrar” as esteiras na já “pequena” casa-grande – repleta de livros, nos sentamos para conversar e contar histórias. Dessa vez uma história diferente. Não o baú de Ananse, que com uma teia de aranha espalhou as histórias pelo mundo. Mas, outra, tecida também numa teia, vinda de um emaranhando de pessoas e culturas, também espalhadas por vários pontos. A TEIA dos Pontos de Cultura, onde várias estórias se unem e se completam, ficando a deixa para contar mais um conto ou Ponto.

Dei início à viagem… Era uma vez…

No tecer dessa TEIA, no descobrir de coisas, já no alto (perto do fim), descobri um livro. Tirado não do baú, mas direto da gráfica, chegado de última hora para o seu lançamento pelo Secretario de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura – Célio Turino. O livro Histórias do Ponto – Lugares e Pessoas que fazem a Cultura Viva.

 

“Desde que iniciei a caminhada ao lado dos Pontos de Cultura, ouvi e vi tantas e impressionantes histórias se mesclarem num molejo tão sedutor; viravam sambas, construções, poesias, contos, músicas, vídeos, rodas. Viravam e reviravam a mesa já posta, simplesmente pelo prazer de se reinventarem. Cada história era única, ia se entrelaçando em outra, e de repente, se desdobrava na seqüência de uma, várias outras… Histórias de Ponto de Cultura é assim, junção de várias partes formando um todo, processos que se mesclam e interagem fazendo fecundar o próprio sentido. O sentido de desesconder as faces desse Brasil de tanta pluralidade.” (Célio Turino, Histórias do Ponto, 2010)

E numa surpresa estava lá, nossa Estrela de Ouro, também contemplada, mostrando um de seus protagonistas entre os 25 relatos. De primeira página, abrindo a vida do Mestre aprendiz – Ederlan Fábio – e do Ponto de Cultura Estrela de Ouro.

E no destrinchar das histórias do livro, percorrendo juntos os caminhos de tantos personagens (Ederlan, Beth de Oxum, Mestra Nicinha, Benedito do Rojão, Iraci, Potyra, e outros), tantas comunidades, tantos Pontos. Descobrimos Dereck Luan, que lá na Vila Alter do Chão – PA, no Ponto de Cultura da Oca, compartilha de estórias tão similares que as vividas aqui, nos distantes canaviais pernambucanos.

Crianças na sala

E na nossa grande roda, sentados nas esteiras, passo a leitura para os protagonistas mirins, Edna (13 anos), Adriano (13 anos) e Ailton (10 anos) – todos participantes das atividades do Ponto de Leitura Estrela de Ouro. E eles deram continuidade à leitura sobre Ederlan que aprende, com os Mestres da região, os saberes e fazeres repassados na tradição oral, aprendendo a cultura local e reconhecendo sua identidade; e Dereck, filho de um “Boto”, que não mediu esforços para criar um espaço de leitura na sua pequena comunidade de Vila de Alter – Biblioteca D. Benedita Lobato, homenagem a uma antiga moradora.

As crianças viram que existem finais felizes além dos contos de fadas, mas é preciso muito esforço e trabalho. E o mesmo protagonismo do filhinho do “Boto” lá do Pará, e do Mestre Aprendiz de Condado, pode acontecer na Chã de Camará.

Portanto, decidimos após a leitura, elaborar um texto para criar um livro contando a história e a identidade cultural dessas crianças que também fazem a Cultura Viva no terreiro da Chã de Camará. E três delas quiseram mostrar sua história além do livro, espalhar para outros pontos, para o mundo.

Aqui serão mostrados as histórias e desejos de personagens reais. Retratos e vozes de crianças que se encontram, viram enredos, tornam-se samba e invadem a alma com a vontade de serem observadas, vistas e ouvidas. Aproxime-se, abra bem os olhos e, quanto aos ouvidos, deixe-os afinados, para ouvir estas histórias com jeito de sambada.

 

Escrito por Wanessa Santos

Criando leituras


2010
06.01

Biu Vicente, Danielle, Edilson, Érica, Patrícia e Wanessa

Desde o dia 21 de março de 2010 iniciamos as atividades deste ano no Ponto de Leitura Estrela de Ouro, realizadas durante as tardes dos sábados, recebendo na sede do Ponto de Cultura, cerca de 40 crianças que de deslocam para o Sítio Chã de Camará, para juntas a mais 03 Educadores (Bárbara Gonçalves, Rhafael Cunha e Wanessa Santos) e 04 jovens Agentes Cultura Viva (Edilson Abreu, Wellington Silva, Maria Patrícia e Érica Ramos) ensinar e aprender novas leituras de mundo, de amizade, de vida. Tudo isso com a supervisão do Coordenador Prof. Severino Vicente.

Nestes dois primeiros meses - abril e maio - foram trabalhadas as seguintes temáticas: Família, Identidade Cultural e Diversidade. Resultando em muitas atividades que objetivavam o empoderamento cultural das crianças e a tolerância e respeito no convívio com as diferenças.

Patrícia lendo um poema  

Escrito por Wanessa Santos