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A festa da Biblioteca, o nosso Ponto de Leitura


2011
10.31

O mês de outubro deste ano foi bastante festivo no Ponto de Leitura que funciona no Ponto de Cultura Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Na primeira semana publicamos um texto de Anderson relatando a viagem que ele fez, com mais dez colegas, até a cidade do Recife para ver, andar, participar da Bienal Internacional do Livro. Depois veio o dia das Crianças, que também é considerado o Dia da Leitura. E, no dia 15, ocorreu uma festa com Corrida de Limão na Colher, Encher Bola de Plástico até estourar, Dança das Cadeiras, Quebra Panela e dança de Cavalo Marinho. Tudo isso numa tarde. E ainda foi uma homenagem aos professores.

Enquanto esses eventos se sucediam, a equipe de educadores (Wanessa, Érica, Daniela, Manuela) que acompanham as crianças a cada sábado, vinham desde o início do ano re-estruturando a Biblioteca Mestre Batista, estudando novas maneiras de contar história; reorganizando o acervo sob a orientação de Andréa Batista e com a ajuda de Felipe Wolney e Jacilene. A Biblioteca Mestre Batista promoveu uma oficina que discutiu o significado de Patrimônio – imaterial e material – e esses estudos foram realizados no Ponto de Cultura Poço Comprido. Também foi iniciado um trabalho de organização da memória fotográfica do Ponto de Cultura e um levantamento dos troféus existentes na casa sede do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança. Organizar as informações e facilitar o seu acesso é uma das tarefas de uma biblioteca. Assim ela se mantém viva e parte de sua comunidade. E a casa onde funciona a biblioteca é tão viva que ela cresceu mais duas salas. A casa ficou maior e com mais espaço para os livros e para as pessoas.

Agora, no dia 30, último sábado do mês de outubro, fizemos uma festa para re-inaugurar a nossa Biblioteca. Participaram da festa todas as crianças e seus pais. Recebemos a visita do casal Júlio e Júnia com as suas filhas gêmeas, Catarina e Isabela, que vivem em João Pessoa. E também veio uma professora da Rede Municipal de Aliança com seu esposo e filho. Participaram da alegria das crianças vestirem-se de caboclos e caboclas, sob o comando do Mestre Luiz Caboclo e os versos de Mestre Nercino. Os pequenos manobraram no terreiro, especialmente nos espaços sombreados das jaqueiras.

O mestre Mariano formou um banco, ou seja, a orquestra do Cavalo Marinho, perto de uma mangueira, e assumiu a função do Capitão Marinho, e o terreiro foi tomado por crianças e visitantes a dançarem Cavalo Marinho. Bom é notar que estava no banco o Mestre de Capoeira Iaô, de Condado, e também o Mestre Biu do Coco, Ederlan, Aamazonas e Patrícia, a qual durante algum tempo auxiliava nas tardes de sábado. E teve a presença do presidente do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança e da diretoria e sócios da Associação Reviva, a permanente parceira de nossa Biblioteca. As crianças Andréa e Péricles cortaram a fita simbólica da inauguração dos novos espaços.

E vieram os bolos, os refrigerantes e o momento em que Daniele ficou anotando quais os livros que estavam sendo levados para a leitura em casa.

Prof. Biu Vicente

uma conversa sobre Cavalo Marinho


2011
08.14

 

Uma conversa sobre Cavalo Marinho 1

Professor Severino Vicente da Silva

Na semana passada, dia 6 de agosto, nós brincamos de aprender e a dançar alguns passos do Cavalo Marinho. Parece que essa dança foi criada nessa região onde se encontram os estados de Pernambuco e Paraíba. No tempo do Mestre Batista, aqui no Sítio Chã de Camará sempre teve a brincadeira do Cavalo Marinho. Quase todos os mestres que atualmente tem grupo de Cavalo Marinho aprenderam a brincar aqui no Sítio.

O Mestre Mariano Teles aprendeu a dançar e sabe tudo de Cavalo Marinho está vindo nos ensinar a dançar o Cavalo Marinho.

Para dançar o Cavalo Marinho é preciso ter um BANCO, ou seja, um tocador de BAJE, um tocador de PANDEIRO, um tocador de MINEIRO; um tocador de RABECA. E também é preciso que eles saibam cantar as modas e cantigas que acompanham a dança do CAVALO MARINHO.

A brincadeira do Cavalo Marinho começou a ser brincada a uns cento e trinta nos, lá pelo tempo em que estava acabando a escravidão. Essa brincadeira é uma espécie de teatro que representa a organização de uma festa na propriedade do Capitão Marinho, um homem rico que foi viajar e deixou o seu empregado de nome MATEUS e ele assume a responsabilidade de organizar uma festa, a pedido do capitão. Mateus tem um Pareia, ou seja, um amigo, conhecido como BASTIÃO e com ele começa a organizar a festa.

Oficina Cavalo Marinho

Mestre Mariano

Todo Cavalo Marinho tem um MESTRE que orienta a dança com  o seu apito.

O Cavalo Marinho começa com a dança do MERGULHÃO ou MARGUIO.  O Mestre Mariano ensinou a gente a dançar o MARGUIO. E também ensinou a DANÇA DOS ARCOS DE SÃO GONÇALO.

São Gonçalo viveu em Portugal a mais de oitocentos anos e inventou uma dança que chegou ao Brasil com os primeiros portugueses. Era uma dança que podia durar mais de um dia. Para dançar se forma duas filas ou cordões de pessoas. No Cavalo Marinho, cada pessoa da fila segura um arco e se faz muitas evoluções e fica muito bonita a dança. Enquanto as pessoas dançam, o banco toca e canta uns versos que pede a São Gonçalo para conseguir casamento. A Dança de São Gonçalo acontecia nas igrejas, mas desde 1817 começou a ser proibida. O povo pobre continuou dançando e, aqui na Zona da Mata Norte, arranjou um jeito de louvar São Gonçalo nas festas do Cavalo Marinho.

25 de junho – recriando a alegria das tradições


2011
06.28

 

Vem se tornando uma tradição na Chã de Camará, espaço geográfico onde está posto o Ponto de Leitura e, nele, o Projeto Leitura no Ponto, a festa neste mês de junho. Como faz parte do Ponto de Cultura Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, a festa que fazemos aqui é uma atualização das festas que eram organizadas pelo MESTRE BATISTA, fundador do Maracatu Estrela de Ouro de Aliança, organizador de Cavalo Marinho que tinha Biu Roque, Biu Alexandre, Luiz Paixão, Zé Duda, Mané Salustiano e outros que ali aprenderam os segredos da cultura da Mata Norte.fazendo amizade com o livro

As festas são a manutenção da Chã de Camará como Ponto de Cultura em funcionamento desde os anos cinqüenta. A novidade é que agora é, faz dois anos, um PONTO DE LEITURA, com a Biblioteca Mestre Batista que, entre março de 2010 e abril de 2011, emprestou 273 livros a mais de cinqüenta leitores inscritos. E a maior parte desses leitores está na faixa dos cinco aos 16 anos de idade, todos moradores das cercanias.

na direção da panela

Neste mês de junho repetimos a construção e queima de uma fogueira, acompanhada da dança de quadrilha, quebra panela, pescarias, correrias, liberdade de movimentos, queima de fogos de artifícios e o desafio de um pau-de-sebo. E canjica, pé-de-moleque, cocada, milho cozinhado, mungunzá. Isso foi possível com a criatividade das jovens (Daniele, Érica, Josilene, Manuela, Wanessa) e dos jovens (Ederlan, Rogério) educadores que a cada sábado acompanham as quatro dezenas de crianças e jovens que freqüentam a nossa Escola Maria Sebastiana da Silva. E teve a participação do Mestre Pai Mário, que é o Rei do Maracatu; de Mestre Luiz Caboclo e do Mestre Biu Do Coco. E também os pais e mães das crianças e jovens.

A festa aconteceu no dia 25 de junho, começou logo depois do almoço e foi até depois do por do sol.

 

Textos e fotos de Biu Vicente